segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Crítica: Lego Batman


Batman é um personagem com quase 80 anos de existência. Teve as mais diferentes encarnações no cinema, foi de sombrio para divertido nos quadrinhos, rendeu muitos produtos licenciados, conquistou fãs de todas as idades, tornou-se a maior fonte de lucro da DC Comics, entre outros méritos. Os roteiristas de "Lego Batman" tem plena consciência que cada pessoa e geração tem uma visão sobre o personagem, e ao invés de fingir que nada do que foi estabelecido antes (seja nos quadrinhos, no cinema, na série de tv) existiu e criar sua própria versão do herói (recontando a origem, estabelecendo os primeiros contatos com os vilões, etc), eles simplesmente aproveitaram tudo que já foi feito antes. "Como assim tudo?", você deve estar se perguntando. Mas sim, praticamente tudo que já foi produzido do herói é aproveitado aqui.

A trama é bastante simples, porém digna de nota. Após salvar Gotham mais uma vez, Batman (Will Arnett) começa a entender o que Alfred (Ralph Fiennes) tem lhe falado há anos: ele precisa ter coragem para formar uma nova família, e ser menos egoísta. Enquanto isso, Gotham recebe uma nova comissária (Rosario Dawson), o Coringa (Zach Galifianakis) elabora um plano para derrotar de vez o herói e o jovem Robin (Michael Cera) é adotado.

É preciso dizer que apesar de ser um filme infantil,, "Lego Batman" é um filme que consegue agradar o público mais velho. Assim como "Uma Aventura Lego", o filme é recheado de gags que só os adultos entenderão. Por vezes, até lembra o que "Deadpool" fez ano passado. Portanto, por mais que a sessão que você vá esteja recheada de crianças (a minha tinha), não se preocupe: o filme será agradável pra você também. Pois o filme é repleto de piadas com a cultura pop, e em como Batman se tornou um integrante permanente nessa.

O maior achado do filme, no entanto, é ser um grande presente a todos os fãs de Batman. Como falei no início da crítica, quase tudo que já foi produzido sobre o personagem é referenciado aqui. Todos os filmes (sim, os filmes de Tim Burton, de Joel Schumacher, de Christopher Nolan, e até "Batman vs Superman"), as grandes sagas dos quadrinhos (com direito a "The Dark Knight Returns" de Frank Miller, e até com aparição do vilão Líder Mutante), a série de tv dos anos 60, os desenhos animados, todos os produtos licenciados, entre inúmeras outras referências que farão os fãs ficarem com um sorriso de orelha a orelha. É um daqueles filmes em que tudo é tão frenético e com tantas referências, que só quando o filme sair em dvd que poderá ter-se uma noção de tudo que eles referenciam. Mas pra vocês terem uma noção, após o Coringa revelar seu plano a um policial, este não consegue deixar de dizer "Não é tão bom quanto o plano das duas barcas, né?" (em clara referência ao plano do Coringa de Heath Ledger, em "O Cavaleiro das Trevas"). Ou então, uma breve referência ao fracasso de "Esquadrão Suicida", ao tom de voz que Tom Hardy adotou ao interpretar Bane em "O Cavaleiro das Trevas Ressurge", aos mamilos da roupa de "Batman e Robin", a futura encarnação de Robin como Asa Noturna, a relação estranha de dependência entre Batman e Coringa.
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A produção é extremamente competente: o trabalho dos dubladores é impecável (tanto na versão americana, quanto na brasileira), a animação é espetacular (são tantos detalhes acontecendo ao mesmo tempo, que não são poucas as vezes que o espectador fica perdido em meio a tanta ação), e as piadas tem um timing incrível. A melhor comparação além do filme anterior da franquia Lego, são os filmes "Anjos da Lei".

O único problema que enxergo em "Lego Batman", é que a mensagem que o filme tenta passar as crianças apesar de relevante, por vezes fica um tanto sentimental demais. O que honestamente, não combina muito com o tom bem humorado que o filme havia passado até então. Fica difícil de acreditar que aqueles personagens até então satíricos, de repente ligam pra alguma mensagem que vá ser relevante pra crianças.

Isso não diminui o filme, que prova como Batman é um símbolo forte da cultura pop e que demonstra imenso carinho pelo personagem e a mitologia do herói criado por Bob Kane e Bill Finger. Uma pena que o universo cinematográfico da Dc não seja tão bem resolvido quanto o de Lego, mas um dia ainda chegam lá.

Nota: 8