quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Crítica: Assassin's Creed



Oi pessoal meu nome é Fábio (também conhecido como irmão do Lauro), e recebi o convite do Lauro de fazer a crítica deste filme.

Assassin's Creed é a franquia de games mais amada da Ubisoft (na qual eu mesmo sou grande fã), contando a história da luta entre duas ordens: a ordem dos cavaleiros templários, e a ordem dos assassinos. Ambas desejando a paz, porém com visões distintas: enquanto os assassinos acreditam no livre arbítrio e na liberdade da raça humana, os templários acreditam na ordem e no controle.

Essa luta durou até os dias atuais, onde ambas as facções tentam conseguir as peças do Éden (artefatos como a maçã de Adão e Eva, o sudário de Jesus Cristo ou até mesmo o cetro papal, que possuem o poder de controlar mentes, seja manipulando ou destruindo-as), utilizando de uma máquina chamada Animus. Nela, qualquer pessoa consegue reviver as memorias e os feitos de seus antepassados. Normalmente no jogo, as pessoas que utilizam da máquina são aquelas cujos antepassados já tiveram contato com alguma das peças do Éden. E progressivamente, o uso excessivo do Animus gera algo que o jogo nomeia como o efeito de sangramento. Fazendo com que o usuário da máquina aprenda de maneira rápida as habilidades de seu antepassado ( no melhor estilo "i know kung fu" de "Matrix"). Além é claro, de famigerados efeitos colaterais (alucinações constantes e a sempre presente chance de ficar louco). Os jogos sempre foram conhecidos por 3 coisas: personagens carismáticos e bem desenvolvidos, contexto histórico fascinante (sempre investindo muito para transpor o jogador para a época em que a história se passa, seja pelas vestes dos personagens ou pela arquitetura e reconstituição de cidades como Veneza e Londres) e história intrigante.

Quando foi anunciado um filme de Assassin's Creed, admito que como fã da franquia fiquei bem animado e com pensamento positivo. Essa animação aumentou ainda mais quando soube que Michael Fassbender estaria no elenco possivelmente como protagonista. O tempo passou e finalmente em 2016, o filme foi lançado nos Estados Unidos e apenas em janeiro de 2017 em terras tupiniquins.
Quando o filme enfim estreou, foi alvo de inúmeras críticas negativas (sejam elas no Brasil ou no exterior). Porém eu sempre tento ser positivo com filmes e fui assistir.




O filme inicia mostrando um pouco da ordem dos assassinos e do seu credo, mostrando a cerimonia de graduação do assassino Aguilar (Michael Fassbender) para a ordem. Até aí bem legal e fiel ao que os jogos mostram: a música é boa, assim como a ambientação e as vestes dos personagens, tudo emulando o estabelecido no jogo. Porém apenas isso vale a pena no filme. Dificilmente um jogo é bem adaptado pro cinema, "Assassin's Creed não é exceção. Eu entendo que de fato, é difícil adaptar uma história que um jogo leva de 10 a 15 horas pra ser contada, enquanto um filme em geral apenas utilizará 2 horas. O que faz com que os 3 pontos que tornam os jogos da franquia memoráveis, o filme peca e erra. .

Mesmo com um elenco de bons atores, não só Michael Fassbender, mas também Jeremy Irons (sei que ele é overactor, vide "Dungeons and Dragon"s, mas eu realmente acho esse ator foda) e Marion Cotillard, todos eles fazendo o seu melhor , o roteiro não consegue fazer com que criemos empatia por nenhum dos personagens. E não, nem o protagonista

Os momentos em que o animus é usado não dão tempo algum de entender as motivações dos personagens que vivenciam a Espanha de 1492, assim também como os personagens no mundo moderno. Exemplo: é mencionado no filme que o personagem de Michael Fassbender matou um homem, porém em momento nenhum é dito quem era esse cara ou o que ele fez pro personagem (tudo o que temos é que ele morreu porque o protagonista não gostava dele). Os assassinos coadjuvantes não ficam por menos, estão ali só pra mostrar suas armas, habilidades e roupas. Não tendo qualquer propósito narrativo.




Uma reclamação que eu tenho dos jogos (e aparentemente muita gente concorda comigo nisso), são as partes que envolvem sair do animus, e ficar apenas ouvindo diálogos nos tempos atuais. Apesar de ser um método pra contar a história, é muito chato e os personagens não possuem o carisma dos personagens da simulação, O filme parece não ter se dado conta disso, e se passa 70% fora da máquina, fazendo com que a história em si seja incrivelmente desinteressante e se tornando um sacrifício de assistir. Assim também, ocorrem alguns momentos em que o filme trata o espectador como idiota (exemplo: a grande prisão super tecnológica dos templários no mundo atual, feita pra prender vários membros da ordem dos assassinos do mundo todo, não possui NENHUMA arma de fogo), O que dizer então da cena que emula um reencontro entre o protagonista e seu pai (Brendan Gleeson)? Não adiciona nada a narrativa (e ainda dá vergonha alheia).

Como deu para notar eu não gostei do filme, e de fato não recomendo em momento nenhum gastar seu tempo com ele. Se tiver interesse de conhecer uma história boa envolvendo o tema do embate entre assassinos e templários, pegue os jogos, leia os livros ou assista dois curta metragens que superam o filme: "Assassins Creed Lineage" e "AssassinsCreed Embers".

Assassins Creed é um filme que tenta dar um salto de fé. No entanto, por mais bonito que seja de assistir, cai de cara no chão e sangra até morrer.  Fazendo com que a frase clássica do jogo "nothing is true everything is permited" tenha como substituta mais adequada: nothing is true, everything is bullshit.


Nota: 3,5/10