quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Top 10-Piores Filmes de 2016

Com o fim do ano, refletimos sobre tudo que passamos neste 2016. No cinema, não é diferente. Apesar de 2016 ter presenteado os cinéfilos com filmes sensacionais, ele também castigou com filmes que honestamente fazem-nos questionar o bom senso e a sanidade dos realizadores. E acreditem: são muitos filmes. Por conta disso, resolvi criar a lista com o meu top 10 piores filmes de 2016. Essa é uma lista que grita: NÃO ASSISTA ESTES FILMES. Mas o risco é todo seu

Porta dos Fundos- Contrato Vitalício:
Eu não sou um fã dos vídeos do canal do Youtube, porém reconheço que existe uma penca de vídeos nos quais eles acertaram em cheio. Isso foi o suficiente para despertar a minha curiosidade e assistir a "Contrato Vitalício". Mas espera um minuto, o filme ficou apenas duas semanas em cartaz. Pensem bem, mesmo um filme do Leandro Hassum fica ao menos um mês, o que aconteceu? A bilheteria do filme foi tão abaixo do esperado, que os produtores optaram por retirar subitamente o longa dos cinemas. Sei que bilheteria não reflete qualidade, mas pelo amor de Deus: é um filme horrendo. E sério, a palavra é horrendo. Não apenas o filme não exibe 10% do humor presente nos vídeos, mas também a trama apresentada é no mínimo desagradável (piadas com jatos de merda e viciados em crack). Além disso, o filme insere elipses forçadíssimas (a edição visivelmente tem problemas) e a impressão que se tem é que os envolvidos se divertiram muito mais do que a platéia. Para uma comédia, um pecado imperdoável.





Festa da Salsicha:
Reconheço, sou fã dos filmes de Seth Rogen. Me diverti muito com "Pineapple Express", "Superbad" e até "Vizinhos". Mas a verdade é que seus dois trabalhos no posto de direção me dividiram bastante, "É o Fim" e "A Entrevista" são filmes com piadas extremamente tolas e que se salvam pelo talento dos envolvidos e pela criatividade de certas cenas. Mas já demonstravam um certo desgaste das habilidades de Seth Rogen e Evan Goldberg na criação de um roteiro. Olhando em retrospecto, eram meras prévias para "Festa da Salsicha". Um dos filmes mais odiosos e estúpidos dos últimos anos. Se você procura por um filme com apenas piadas de sexo (sério, é só isso. Peito, bunda, pinto, é disso que o roteiro busca "humor"), piadas xenofóbicas e racistas (sério? Dividir as comidas pela sua etnia? Botar arroz falando trocando o R por L e com olho puxado, tacos com sotaque latino e preguiçosos, e falafel dizendo "Um dia morrerei, e encontrarei Alá. Onde terei 50 latas de azeite virgem) e uma animação horrenda, então "Festa da Salsicha" é um filme pra você. Sério candidato para o pior filme do ano ao meu ver.



Caça-Fantasmas:
Antes que cogitem, não: eu não sou um dos babacas que queria boicotar o filme por apresentar caça-fantasmas mulheres. Dito isso, eu estava descrente pois ao meu ver o conceito do filme original era algo que pertencia a década de 80. Um conceito tolo, mas recheado de cultura pop e um misto de realidade (os caça-fantasmas sendo uma espécie de dedetizadores ou bombeiros). Pra vocês entenderem o que estou falando, vocês conseguem imaginar um remake de "De Volta Para o Futuro" ou "Curtindo a Vida Adoidado"? Além de serem ótimos filmes, as suas ideias são incrivelmente datadas. Fazem sentido no contexto da época nas quais foram inventadas, mas só isso. Infelizmente, eu estava correto. O remake "Caça-Fantasmas" é uma verdadeira bagunça. Além do roteiro ter a habilidade de errar o timing de TODAS as piadas (sério, todas se precipitam ou se estendem demais, nenhuma sai naturalmente), ainda consegue ter um dos vilões mais patéticos do cinema. Ele é uma entidade antiga que despertou? Alguém com um pé no místico? Não! Ele é um nerd que odeia pessoas, e que por um acaso consegue inventar uma máquina que solta fantasmas (é isso mesmo, pensem bem nisso). Pra piorar a situação, as caça-fantasmas são muito mal desenvolvidas (é literalmente assim: nerd sem trauma, nerd com trauma, maluquinha que fará todos rirem, e a que vem das ruas que também é negra reforçando um estereótipo) e a edição é uma loucura (tem personagem que aparece dando uma punchline que não foi apresentada antes, gente que some, trechos que são cortados bruscamente, este filme faz "Esquadrão Suicida" parecer bem editado). Não nego, visualmente falando o filme é interessante. Mas infelizmente, não salva. Eu realmente queria gostar, mas não deu.





The Rocky Horror Picture Show-Let's Do The Time Warp Again:
Pra quem não conhece, "The Rocky Horror Picture Show" original é um grande musical. Uma grande homenagem aos gêneros de sci-fi e terror, adicionando-se o rock dos anos 50 até o início de 70, além de mostrar a evolução sexual nos Estados Unidos. É um grande musical, uma ótima comédia e um do melhores produtos kitsch do cinema. Sondava-se fazer um remake havia muito tempo, porém após a homenagem de "Glee" a musical, pareceu-se desnecessário continuar com a ideia. Até que em 2016, para "nossa alegria" eis que surge. E por Deus, é pavoroso. Essa mini-resenha será fácil: os atores são péssimos (NENHUM convence no papel que interpreta, comparem o FranknFurter do original e a desse, é gritante), a direção é inacreditavelmente ruim (por vezes parece que o diretor tropeçou, ou simplesmente resolveu fazer parkour enquanto filmava) e o design de produção é ridículo (até escolas de samba de cidade pequena conseguem fazer um melhor). Não vou gastar muito mais tempo com este filme, faça como um vampiro foge da cruz e evite essa atrocidade.




Tartarugas Ninja-Fora das Sombras:
Eu sei, não há nenhuma surpresa com a presença deste filme na lista. Porém, o incluí da mesma maneira pois consegue ser ainda mais imbecil do que qualquer um dos filmes anteriores da série. O diretor filma Megan Fox de todas as maneiras sexuais possíveis (herança direta de Michael Bay e sua série de filmes "Transformers"), insere piadas de pinto (logo após os vilões se transformarem em seres maiores e fortes, eles rapidamente conferem se seus atributos aumentaram), tem um roteiro que tenta emplacar inúmeras catchphrases e ainda enterra de vez a franquia das personagens répteis. É o que todos pensavam, um desastre com cobertura de caos e cheiro de lixo.



Swiss Army Man:
A ideia é absurda: um homem se vê perdido numa ilha e encontra um cadáver. Ele se surpreende porque aquele pedaço putrefato de carne peida. A ponto de conseguir dar grandes saltos, servir como lancha para sair da ilha e até voar. Como vocês perceberam, "Swiss Army Man" é um filme tolo. É inacreditável pensar que tantas pessoas gostam do filme e até enxergam uma história de superação ali. Eu não sei se sou muito insensível, mas realmente só consigo enxergar um filme sobre um cadáver que peida. Não nego, Paul Dano é um ótimo ator e Daniel Radcliffe como morto convence. Mas mesmo assim, a ideia dos diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert me parece muito mais algo que surgiu após tomarem um ácido. Eles podem achar engraçado, mas eu não. Fora que ainda vai demorar muito pra alguém me convencer que piada de peide é humor digno.



Deuses do Egito:
Esse filme é uma das maiores incógnitas do ano: como tantos atores talentosos toparam fazer tamanha atrocidade? Gerard Butler, Geoffrey Rush, Rufus Sewell, Nikolaj Coster Waldau, todos atores com excelentes filmes. Eu até entendo que eles tivessem alguma esperança em trabalhar com Alex Proyas, porque afinal ele é o diretor de "Dark City". Porém a verdade, é que ele não faz um filme decente faz algum tempo. E "Deuses do Egito" não é diferente, o design de produção é grotesco, a história faz "Fúria de Titãs" parecer crível, os atores estão exagerados. Uma grande bagunça que tenho certeza que todos os atores ainda estão lamentando ter contribuído. Deveriam pelo menos.




Yoga Hosers:
Juro que não sei o que houve com Kevin Smith. Ele já foi um grande diretor? Não. Mas a verdade é que por mais que seus filmes fossem simplórios em termos de direção e fotografia, seus roteiros eram pequenas pérolas. Bem escritos, engraçados e que até certo grau correspondiam com os dilemas da geração x. O problema é que de uns tempos pra cá, ele começou a fazer certos filmes que são oriundos de conversas chapadas do seu podcast. Ano passado ele lançou o horrendo "Tusk" (que era sobre um doido que aprisiona um cara, e o transforma numa morsa. Isso mesmo), e neste fez "Yoga Hosers". Que é um filme para lançar sua filha e a de Johnny Depp como atrizes. A história também não foge do absurdo, as duas trabalham numa loja de conveniências e tem que enfrentar SALSICHAS NAZISTAS (interpretadas pelo próprio diretor). A verdade é que acho que Smith realmente cansou de tentar, agora só quer fazer qualquer bobagem. Apesar de que mesmo seus fãs mais fieis, estão se cansando dele. Isso não se reflete apenas nas críticas, mas também na bilheteria de seus últimos filmes. Tomara que ele consiga voltar a fazer filmes bons, porque "Yoga Hosers" pode muito bem ter sido o último prego no caixão.




O Boneco do Mal:
Com a aparição da boneca Annabelle em "Invocação do Mal", os produtores se lembraram que bonecos e terror combinam. De "Na Solidão da Noite" (filme de 1945 que apresentava um ventríloquo que perde o controle pro seu boneco), até "Chucky" (que convenhamos, envelheceu muito mal). Lançado logo no início do ano, "Boneco do Mal" até tentou remeter a Annabelle. Porém, conforme o espectador assiste ao filme, percebe que não é nada daquilo. Mais um caso de filme que tem um trailer que não tem absolutamente nada a ver com o conteúdo final, que ainda tenta disfarçar um filme medíocre. Não adianta botar perfume em bosta, "Boneco do Mal" é tudo que há de errado no cinema de horror do século 21. Jump scares gratuitos, uma reviravolta que não faz o menor sentido, uma protagonista tonta como uma porta (se o espectador fizer um drink game contando todas as vezes que ela faz algo estúpido dentro de um filme de terror, entrará em coma alcoólico com 10 minutos de projeção) e ainda uma liçãozinha de moral. É pra escarrar e cuspir em cima.




Virei um Gato:
A prova viva de que até atores consagrados tem que pagar contas. Kevin Spacey faz aqui um executivo, que não tem tempo pra sua família e para que possa reconhecer o valor de sua vida é transformado num gato. Agora: quantas vezes você já viu essa trama enfadonha? É inacreditável que em pleno ano de 2016 os roteiristas ainda tentem empurrar essa fórmula patética. E pior, por que há tanta gente talentosa envolvida? Kevin Spacey, Jennifer Garner, Christopher Walken (se bem que ele participou de "Click", já tava perdido mesmo) e até o diretor Barry Sonnenfeld. Gatos podem ter 7 vidas, mas esse filme não possui nenhuma ou qualquer alma. É um filme asqueroso.