quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Top 10- Decepções Cinematográficas de 2016

O ano está acabando, e as listas dos melhores e os piores filmes de 2016 começam a ser lançadas. No blog, não será diferente. Porém, eu resolvi criar uma lista bastante particular. As minhas maiores decepções cinematográficas de 2016. Aqueles filmes que prometiam muito, criaram muita expectativa, mas que desapontaram. Deixando claro: não necessariamente os filmes aqui presentes são ruins (e nem necessariamente bons). Porém, poderiam ter sido muito melhores. Sem mais delongas, as maiores decepções de 2016.

Warcraft:
Confesso,  não sou gamer. Apesar de ser nerd, nunca joguei ou conhecia a história de Warcraft. Portanto, quando foi anunciado o filme não me animei. Entretanto, ao saber que o longa-metragem seria dirigido por Duncan Jones (diretor este que tem um currículo impecável, assistam "Lunar" e entenderão o que estou falando), pensei que seria um novo começo pros filmes de games no cinema. Não foi bem isso, muito pelo contrário. Não é um filme muito didático para aqueles que não conhecem o cânone do jogo, tem muitos personagens rasos (com exceção de Durotan) e o não dá tempo suficiente para que nos afeiçoemos a eles. Porém, é inegavelmente um filme bem dirigido, com ótimos efeitos especiais, excelentes lutas e atores competentes. A verdade é que "Warcraft" não é um filme ruim. Mas quando pensamos em tudo que poderia ter sido, fica difícil não se desapontar. Talvez se eu fosse fã da série de jogos, teria gostado mais (o que também não é certeza, visto que meu amigo Guto-fã de Warcraft-assistiu e não gostou. Além de ter feito a crítica aqui pro blog).



Esquadrão Suicida:
Sem dúvida alguma, um dos filmes mais polarizadores do ano. Já falei sobre "Esquadrão Suicida" em duas críticas (a versão de cinema e a versão estendida), então não me alongarei muito. Mas a verdade, é que toda a expectativa criada pelos trailers era absurda. Eu mesmo que não havia me empolgado com o visual do Coringa de Jared Leto, fiquei contagiado pela energia pulsante no material de divulgação. Porém a esquizofrenia presente na montagem, a vilã combatida pelos "heróis" e uma falta de polimento nos diálogos tornaram este talvez o filme mais decepcionante do ano. Porém, não acho que seja um horror (como "Quarteto Fantástico" ou "Homem de Ferro 3"), pois mesmo com todos os problemas o filme tem coisas interessantes (Arlequina e Pistoleiro, o visual, as possibilidades no universo Dc). Um filme ruim? Sem dúvida. Mas não é horrendo.



Capitão América-Guerra Civil:
Calma, calma. Deixem-me explicar: eu gosto do filme. Fiz uma crítica, elogiei a direção dos Irmãos Russo, acho que explorou uma nova faceta do Homem de Ferro. É um bom filme, sem dúvida. Porém, é um filme incrivelmente decepcionante. Não só o filme não adiciona NADA ao universo Marvel (pensem bem, é só uma briga entre brothers. Até briga que você já teve com seu melhor amigo foi mais tensa), como ainda tem um dos piores vilões de quadrinhos já trazidos pro cinema. Creio que todos já viram o longa, portanto falarei spoilers: Zemo (Daniel Brühl) é mais um vilão que não é mal. Só é um cara que perdeu a família. Então ele cria um plano mirabolante (sério, tentem pensar em todas as variáveis na trajetória do plano), para culminar nos heróis irem até a Antártida pensando que irão combaterem vilões, quando HÁ: pegadinha do malandro. Ele só queria mostrar um vídeo. Ele seriamente não poderia ter economizado dinheiro, tempo de viagem e suor e ter mostrado o vídeo pro Homem de Ferro lá na América mesmo? Zemo, você fez eu ter saudade do Lex Luthor de "Batman vs Superman"



Lights Out:
O diretor James Wan é realmente um fenômeno. Conseguiu emplacar diversas franquias do terror ("Jogos Mortais", "Silêncio Mortal", "Invocação do Mal", "Sobrenatural"), e mesmo que nem todas elas sejam excelentes ainda são filmes com ideias interessantes. Assim, quando foi anunciado que ele produziria "Lights Out", fiquei empolgado. Afinal, Wan é um inegável talento e o curta original "Lights Out" é sensacional. Infelizmente, o filme é mais um daqueles produtos típicos do terror anos 2000. Muitos jump scares, pouca atmosfera e personagens desinteressantes. Fato: há uma direção inspirada. Porém, vendo o potencial presente na ideia original e todos os envolvidos, é impossível não pensar que talvez fosse melhor que só houvesse o curta.



X-Men Apocalipse:
A franquia "X-Men" é irregular nos seus caminhos. Se por vezes, um exemplar excelente surge, outro incrivelmente estúpido surge em contrapartida. Assim, os fãs muitas vezes não sabem o que esperar de cada um dos novos capítulos da franquia. O filme "X-Men Apocalipse", tem bons ingredientes. O roteiro é redondo, as atuações são boas. Porém, tem um péssimo vilão. Não nego, Oscar Isaac se esforça e tenta fazer um papel digno. Porém seu Apocalipse é tão ameaçador quanto Barney o dinossauro. Ainda mais, quando vemos a ameaça que é o vilão nos quadrinhos e o peso que a Era do Apocalipse tem nos quadrinhos.



Águas Rasas:
Esse é um caso emblemático. Um filme que tinha tudo pra ser ótimo, mas que joga todas as suas qualidades no lixo quando apela pros clichês e fetiches do gênero. Enquanto desenvolve-se uma protagonista forte, com uma ameaça verdadeiramente assustadora (somado ao fato dos ataques serem muito bem dirigidos), por outro lado o diretor apela pra todos os clichês (jeito de derrotar a ameaça, a lição de moral, e os clipes que parecem ter saído do multishow). Um filme que pra cada acerto, tem duas derrapadas. A decepção só piorou após lermos as críticas gringas (que apontavam como um dos melhores filmes do ano, not).


Last Days in the Desert:
A ideia era boa: mostrar Cristo tendo que lidar com o Diabo que existe dentro de si (e de cada homem). O problema, é que diferente de tantas outras versões cinematográficas de Jesus, o apresentado aqui não tem espaço para se desenvolver. Há uma tentativa de humaniza-lo ao expor seu contato com uma família, mas analisando-se ao todo pode se perceber que foi mais encheção de linguiça do que um acréscimo narrativo. O que dizer então da súbita inserção da Crucificação? A impressão que se tem ao final, é que não houve de fato uma evolução do Cristo apresentado ao início da projeção, ao que surge no final. Só um filme chato com inspiração teatral.




Knight of Cups:
Sou fã incondicional da filmografia de Terrence Malick. De seus filmes mais amados ("Dias de Paraíso", "Além da Linha Vermelha"), até os mais polêmicos ("A Árvore da Vida", "Amor Pleno"). Assim, quando vi as primeiras reações a "Knight of Cups", não liguei muito. Após assistir o filme, senti pela 1a vez  o que tantos críticos diziam há algum tempo: o cineasta não sabe o filme que queria fazer. No seu longa mais recente, um ator (Christian Bale) tem que lidar com o vazio de sua vida. E é basicamente isso. Existem momentos interessantes (Malick filma de forma maravilhosamente sinestésica o desencanto de uma relação amorosa), mas ao final começamos a perceber que Malick não sabia muito bem o que queria alcançar. Existem odes a "La Dolce Vitta", e inegavelmente é um filme interessante. Mas perto do resto da obra do diretor, é um filme incrivelmente disléxico.









Café Society:
Quando falamos de Woody Allen, logo pensamos em filmes charmosos, com diálogos inteligentes e bem humorados. E de certa maneira, "Cafe Society" até traz isso. Porém, não demora muito pro espectador perceber que está vendo um dos trabalhos mais preguiçosos do diretor de "Annie Hall". Percebam como ele não faz questão de mostrar como os protagonistas se apaixonam, optando por colocar simplesmente uma narração dizendo "Então, conforme o tempo passava eles se apaixonaram". Ou então, as cenas sem qualquer propósito narrativo (o personagem que é gângster, o encontro com a prostituta). Inegavelmente, é um dos filmes mais visualmente ricos da carreira do diretor. Uma pena que seja tão estéril em termos de narrativa.



Reza a Lenda:
Algumas pessoas podem estranhar minha escolha aqui, muitos acharam que "Reza a Lenda" seria ruim a partir do 1o trailer. Eu fiquei curioso, e resolvi assistir. E infelizmente, é um filme fraquíssimo. Sem dúvida alguma, corajoso. Mas não é disso que um filme sobrevive. A minha decepção está no fato de que gostem ou não, era uma produção de  de nicho. E se olharmos bem para o cinema brasileiro mainstream, não veremos tantas produções que fujam do padrão filme de morro ou comédia besteirol. Isso é algo que falta no nosso cinema, produções que busquem gêneros novos com propostas diferentes do que temos visto. "Reza a Lenda" tentou isso, mas falhou por conta da falta de polidez de seu roteiro. Enterrando por mais alguns anos qualquer produção nacional que fuja do clichê.