sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Melhores Filmes de 2016

O fatídico 2016 enfim está acabando. Portanto, fiz minha lista dos melhores filmes do ano. Ainda sairá também um post relatando todos os filmes de 2016 que assisti (com respectivas notas e breves comentários), porém selecionei esses 15 filmes abaixo como as melhores coisas que pude conferir dos lançamentos de 2016. Alguns são decisões unânimes, enquanto outros gerarão polêmica. Nenhuma lista é perfeita, essa não é exceção.

Eu queria aproveitar e agradecer a todos vocês que acompanharam o blog no ano de 2016 (nem que tenha lido só uma crítica, já fico feliz pela sua visita). Minha escrita não é refinada como a de tantos sites de cinema por aí, o blog não tem tantos views assim mas esse nunca foi o objetivo. O que quero com o blog, é tornar este um espaço de discussão. E fico muito feliz em dizer, que isso tem ocorrido (entre amigos, entre colegas de faculdade, entre parentes e até entre pessoas que não conheço pessoalmente), e isso é muito gratificante. Muito obrigado por fazerem meu 2016 muito bacana, um feliz 2017 pra vocês e que seja um ano maravilhoso para todos nós cinéfilos (nerds ou não).

Free State of Jones- Dirigido por Gary Ross
Contando a história de luta de Newton Knight (Matthew McConaughey), "Free State of Jones" é mais um filme que trata sobre a escravidão nos Estados Unidos e a Guerra Civil do país. Porém, há um diferencial entre ele e todos os outros filmes sobre o tema. O protagonista interpretado por Matthew McConaughey não foi apenas um defensor dos direitos civis dos negros, mas sim alguém que lutou por todos aqueles que não eram livres no período. Nisso incluem-se: viúvas, negros, pacifistas, pobres, desertores da guerra etc. Até mesmo a profissão dele refletia isso: um enfermeiro (alguém que faria de tudo para libertar um ferido da escravidão da dor e da morte). Nisso reside a beleza na história: não se sentir livre, enquanto outros também não fossem.




Sing Street-Dirigido por John Carney
O mais novo filme de John Carney é um presente pros fãs de pop rock anos 70 e 80, e consegue ser tão catártico seus seus filmes mais famosos (os ótimos "Once" e "Begin Again", ambos musicais). Contando a história de um adolescente irlandês que cria uma banda (para escapar da realidade do divórcio de seus pais, conquistar uma jovem mais velha e simplesmente não precisar aturar sua escola opressora). O humor, as músicas (tanto as escritas para o filme, quanto as escolhidas de bandas como The Cure e Duran Duran), as atuações, tudo brilha. Mas o verdadeiro enfoque, sem dúvida alguma são seus personagens. Seja o protagonista, seus pais (que meramente convivem, deixaram de se amar há muito tempo), seu irmão mais velho (que era uma promessa quando mais novo, mas se acomodou), todos tem uma história por trás e não se limitam ao que aparentam. O que combina perfeitamente com o que o protagonista descobre ao longo da história: todos são mais do que parecem.



A Chegada (Arrival)-Dirigido por Dennis Villeneuve
Deixando claro: não acho que "A Chegada" seja um novo "2001: Uma Odisseia no Espaço" ou um "Blade Runner". Dito isso: é um grande sci-fi. Assim como 2013 presenteou os cinéfilos com "Gravidade" e 2014 com "Interestelar", o ano de 2016 mostrou um filme que consegue misturar tanto conceitos fascinantes de ficção científica quanto uma metáfora para a maneira inconsciente de agirmos. Eu me surpreendi com o filme, pois esperava que ficaria fascinado pela faceta da história sobre o 1o contato extraterrestre. Mas a verdade, é que o que me cativou foram as perguntas chaves: por que insistimos com certos atos? O que faz uma experiência valer a pena? Eu poderia elaborar mais, porém não quero revelar mais sobre a trama. Cada um deve vivenciar a experiência de "A Chegada" da maneira correta. Não buscando respostas fáceis, mas fazendo as perguntas certas.



A Bruxa (The Witch)- Dirigido por Robert Eggers
Digam o que quiserem de 2016, mas a verdade é que em termos cinematográficos o ano chegou com o pé na porta. Pois em março, "A Bruxa" chegava aos cinemas de todo país. Para aqueles que esperavam sustos fáceis ou tramas previsíveis, o filme foi uma decepção. Mas pra quem gosta do terror que busca mostrar uma ideia do que é o mal e como ele existe dentro de nós (como "O Bebê de Rosemary", "Coração Satânico", "O Iluminado", "A Hora do Lobo"), o filme é um tesouro. Um dos melhores filmes de terror dos últimos 10 anos, com uma direção espetacular (ainda não consigo crer que seja o 1o trabalho de direção de Robert Eggers), uma atmosfera aterrorizante (aliadas a uma fotografia magistral e uma trilha sonora intimidadora) e um final que confirma: se algum filme chegou perto de mostrar o que era o profano/satânico, este é "A Bruxa".



Steve Jobs- Dirigido por Danny Boyle
Nunca fui um fã do personagem título do novo filme de Danny Boyle. Nunca fui um consumidor da Apple, até conheço a história do criador da mesma mas jamais fiquei fascinado por ela. Isso só piorou após assistir a péssima cinebiografia "Jobs" (Ashton Kutcher fazendo Steve Jobs, alguém realmente achou que era uma boa?). A sorte é que contando com um roteirista competente (o ótimo Aaron Sorkin, que também escreveu "A Rede Social") e um diretor de talento múltiplas vezes comprovado (Danny Boyle, que dirigiu um dos meus filmes favoritos: "Trainspotting"), podemos visualizar a persona difícil e genial do falecido Steve Jobs. Mostrando três momentos na vida de Jobs (Michael Fassbender), e destrinchando sua personalidade a partir dali. Sua ambição, arrogância, medos, sua relação com a filha e com Steve Wozniak (Seth Rogen). É como ver uma peça de teatro, com um ritmo e roteiro tão magnéticos que as duas horas de duração parecem ser meros 15 minutos. Não hesitem, assistam.



Bone Tomahawk- Dirigido por S. Craig Zahler
O ano de 2016 teve como western mais popular o novo filme de Quentin Tarantino, "Os Oito Odiados". No entanto, apesar de ser um bom filme não chega aos pés de "Bone Tomahawk". Mais um faroeste estrelado por Kurt Russell, que chegou ao Brasil diretamente em dvd mas que é espetacular. Pegando o mote do clássico "Rastros de Ódio" e o subvertendo: um xerife (Kurt Russell) vê sua cidade ser invadida por uma tribo canibal, e sequestrarem alguns reféns. Nisso, é organizado um time de resgate. Que se constitui no assistente idoso do xerife (Richard Jenkins), um pistoleiro fanfarrão (Matthew Fox) e o marido (Patrick Wilson) de uma das sequestradas. No início da jornada, o time julga ser tranquila a tarefa. Eles estão armados, são mais "civilizados" e mais "espertos" que os selvagens. Logo eles perceberão que estão entrando no inferno. O filme de S. Craig Zahler mistura western e terror de maneira brilhante, se inicialmente o espectador estranha a mescla dos dois gêneros logo entende: ambos explicitam a selvageria do homem. Coisa que "Bone Tomahawk" exibe em generosos jatos de sangue.




Capitão Fantástico (Captain Fantastic) - Dirigido por Matt Ross
Tendo estreado no festival de Cannes, "Capitão Fantástico" é um filme único. Contando a história de um pai (Viggo Mortensen) que tendo ensinado seus 5 filhos de maneira pouco ortodoxa (eles leem livros como "Crime e Castigo", sabem caçar, tem como ídolos pensadores como Noam Chomsky, escalam montanhas altíssimas, treinam com facas para se defender), se vê em confusão com o falecimento de sua esposa. Desde já, o filme se assume como road movie. O que dá espaço para que o espectador estranhe e depois se afeiçoe aos personagens, mas o brilhantismo em "Capitão Fantástico" encontra-se no fato de que a história é uma fábula sobre paternidade. Ser pai ou mãe não implica em ensinar aos seus filhos apenas o que você acredita, mas deixa-los ter o espaço para que criem suas próprias ideias. Não se trata de ser libertário ou protetor demais, mas oferecer o necessário para que eles caminhem com suas próprias pernas. Aos poucos, o protagonista percebe isso. E o espectador não fica por baixo, rimos, admiramos, choramos e nos afeiçoamos a família. Pois mesmo com toda sua estranheza, é uma família com tantos altos e baixos quanto a nossa.



A Lagosta (The Lobster)-Dirigido por Yorgos Lanthimos
Facilmente o filme mais obscuro desta lista, "A Lagosta" é um filme bizarro. A trama fala sobre um local, onde pessoas que estão solteiras vão para ficar e acharem um novo par. Se dentro de um determinado período de tempo, elas não encontrarem sua cara metade elas tem a seguinte solução: serão transformadas em um animal de sua escolha e depois soltas na natureza. É, eu avisei. Porém, não se engane. O filme é ótimo, contando com um roteiro afiado e incômodo, um elenco excepcional (Colin Farrell cada vez mais demonstra ser um ator subestimado) e uma metáfora social reflexiva. Se o diretor Yorgos Lanthimos será visto como um novo Terry Gilliam, só o tempo dirá. Mas por hora, ele fez um dos filmes mais intrigantes do ano. Que infelizmente, ainda não estreou no circuito comercial brasileiro. Mas que aos poucos, está conquistando seu espaço nos festivais.



A Criada (The Handmaiden)-Dirigido por Park Chan Wook
Mais um filme muito elogiado em Cannes, "A Criada" é uma nova obra-prima do coreano Park Chan Wook. Tão incômodo quanto "Oldboy", tão fetichista quanto "Sede de Sangue" e tão intrigante quanto "Stoker", o filme demonstra o já comprovado talento do diretor. Perceba a carpintaria cinematográfica das cenas, a maneira com a qual a câmera se movimenta e como ao final de cada um dos seus atos (três no total) o espectador sempre se surpreende. Fato: a narração por vezes é um tanto tola (e o incêndio presente mais ao final, é um deus ex machina estúpido). Mas isso não diminuí o impacto de "A Criada". Um filme que não é pra todos, mas que exibe alguns dos momentos mais belos (e estranhos) do cinema de 2016.



A Grande Aposta (The Big Short)- Dirigido por Adam McKay
Eu nunca imaginaria que o diretor de"O Âncora" e "Quase Irmãos" conseguiria fazer um filme sobre a crise financeira de 2008. Não que as comédias protagonizadas por Will Ferrell sejam ruins (eu adoro todas), mas nunca pensei que um tema tão sério interessaria ao diretor Adam Mckay. Não só ele demonstra um profundo interesse em explicar ao espectador de maneira didática o que ocorreu, mas também em mostrar como todos nós colheremos os frutos dessa crise por um longo tempo. Além de apresentar personagens muito bem desenvolvidos (e interpretados por atores excelentes: Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale, Brad Pitt), aliados com um roteiro afiado e uma montagem espetacular, o filme é um prato cheio tanto para os leigos do tema (eu) quanto para os especialistas. Se tem um filme do Oscar 2016 que você deve assistir, é esse.




Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2)- Dirigido por James Wan
O mais novo filme de James Wan confirma que é possível fazer um bom filme de terror utilizando a linguagem cinematográfica usual do gênero do o século XXI. Jump scares, efeitos de cgi, efeitos sonoros súbitos, todos elementos que geralmente indicam apelação por parte dos envolvidos, em "Invocação do Mal 2" são apenas acessórios. James Wan sabe que uma boa ideia é atemporal, e emprega com eficácia na continuação do filme de 2013. Aqui, retornamos ao casal Warren (interpretados por Vera Farmiga e Patrick Wilson) enquanto eles visitam um caso de poltergeist na Inglaterra. Além do país de origem nos remeter diretamente aos clássicos de horror dos anos 70 ("Inverno de Sangue em Veneza", "The Wicker Man" além de todos os filmes da Hammer), ainda atribui uma carga político-social interessante. O filme se passa no período em que Margaret Thatcher deixava sua marca, e os horrores para as classes mais pobres eram mais assustadores que fantasmas. Não que as entidades presentes aqui não sejam apavorantes: a freira negra, o fantasma de Bill Winkins e o Crooked Man são todos criaturas excepcionais. Mas felizmente, o roteiro não os utiliza como a força motriz. Pois "Invocação do Mal 2" acima de tudo, constrói muito bem seus personagens. Quantos filmes de terror recentes podemos dizer o mesmo?



Aquarius- Dirigido por Kleber Mendonça Filho
Apesar de particularmente preferir o trabalho anterior de Kleber Mendonça Filho (o excepcional, "O Som ao Redor"), "Aquarius" é inegavelmente um trabalho mais íntimo e humano. Mostrando a perspectiva de Clara (Sônia Braga, no papel mais importante de sua carreira), uma mulher que se recusa a sair de seu apartamento. O espectador não demora a perceber que a luta de Clara é muito mais profunda: não deixar de lado seu passado, pois foi vivendo-o que ela está presente ali. Confesso que acho a duração um tanto excessiva, porém é um brilhante estudo de personagem. Brilhantemente composto por Kleber Mendonça Filho e os envolvidos, e um marco no cinema de 2016.



Elle- Dirigido por Paul Verhoeven
O diretor Paul Verhoeven é um mestre. Dirigiu filmes excelentes e igualmente polêmicos: "Robocop", "Instinto Selvagem", "O Vingador do Futuro", "Tropas Estelares", todos lidando com a violência e a sexualidade de uma maneira menos glamourizada do que nos filmes Hollywoodianos. Abordando de uma maneira instintiva e animalesca, sempre fazendo a reflexão de que no fundo nós seres humanos não somos racionais. Seu filme mais recente segue a mesma linha, porém traça um novo olhar: a mulher conformada com a violência em sua vida. A personagem de Isabelle Huppert (parceira de Michael Haneke, outro diretor sem pudor em mostrar o lado nefasto do ser humano) é dona de uma empresa de jogos misóginos (com mulheres seminuas, sempre mostradas como um pedaço de carne e que ainda apanham dos homens no jogo), e que no início da projeção é mostrada sendo estuprada em sua casa. Para a surpresa do espectador, ela não presta queixa e meramente limpa sua casa após o crime. Como se a violência fosse tanta e tão rotineira, que a protagonista encara um estupro como um tombo ou um escorregão. É um filme bastante pesado, com ritmo lento para que possamos sentir cada uma das nuances da personagem. Uma crônica perturbadora sobre o conformismo da violência contra mulheres.




Invasão Zumbi (Train to Busan)- Dirigido por Yeon Sang-Ho
Os filmes de zumbi tem cada vez mais se tornado ordinários. Ao invés de competentes e originais como o filmes de George Romero ou "A Volta dos Mortos Vivos", recentemente têm-se apenas produções que querem ganhar uma grana em cima de "The Walking Dead" e com histórias pífias. Por isso, "Invasão Zumbi" chegou surpreendendo a todos. Pois além de dar um novo frescor ao gênero de zumbis, ainda mostrou que o cinema oriental por muitas vezes tem conseguido reciclar um gênero em tese batido, de maneira muito melhor do que o cinema ocidental. A trama acompanha um pai (Kim Chang Hwan) que deve levar sua filha pra visitar a mãe, por meio de um trem. Porém, como o título indica: zumbis atacam. Além de apresentar criaturas muito bem feitas (se contorcendo na hora de serem infectados, quase como se ocorresse uma possessão demoníaca), o filme traz uma metáfora social fascinante. Sem utilizar jargões ou frases batidas. Some isso ao polimento do roteiro em apresentar os personagens (sabemos pouco sobre eles, porém nos importamos e nos preocupamos) e uma direção inspirada, e têm-se uma das grandes surpresas do ano.



Batman vs Superman: a Origem da Justiça (Versão Estendida)- Dirigido por Zack Snyder
Alguns de vocês estão me xingando (dois amigos sei que estão, um beijo pra vocês). Porém mantenho minha posição: "Batman vs Superman" é um ótimo filme de super-herói. Que não teme em se arriscar, apresentando logo de cara inúmeras possibilidades para o Universo DC, desenvolvendo bem seus personagens (dou o braço a torcer com o Luthor, essa concordo com vocês que foi uma decisão terrível) e com uma produção excepcional. Reforço que é um filme extremamente corajoso, pois fazer um filme sombrio e dramático do gênero em tempos de piadas da Marvel, mostra que os envolvidos tinham culhões. No entanto, deixarei a dica para que vocês vejam a versão estendida. Pois é um filme muito mais coeso (entendemos melhor o plano para fazer os heróis se confrontarem, o Superman é melhor desenvolvido), mostrando melhor as motivações do personagens e sem apressar tanto a história. Não falarei muito mais, pois já abordei bastante meus pontos na crítica. Porém, reafirmo: é o melhor filme de super-herói de 2016.