quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Crítica: Esquadrão Suicida (Versão Estendida)



Assim como “Batman vs Superman”, o filme de vilões “Esquadrão Suicida” mostrou-se polarizador. Enquanto críticos sentiam-se enojados pelo que viam em tela, a bilheteria do longa-metragem de David Ayer fazia muito sucesso e os personagens caíam no gosto do público (basta ir em qualquer loja de roupas popular, é possível encontrar facilmente camisetas idênticas a que Arlequina usa ao longo do filme). Porém, tanto críticos quanto público entraram em consenso sobre um detalhe: o filme foi retalhado. Basta dar uma olhada nas cenas presentes nos trailers exibidos, para se constatar que muita coisa ficou na sala de edição. Cenas mais pesadas, desenvolvimento de personagens e claro: mais Coringa interpretado de Jared Leto (que deixou claro nas entrevistas, que existe muito mais material gravado do palhaço do crime do que o mostrado nas telas).

Portanto, seguindo novamente os passos de “Batman vs Superman”, a Warner anunciou que uma versão estendida de “Esquadrão Suicida” seria lançada em blu-ray. Visto que muita gente detestou a versão de cinema de “Batman vs Superman”, e adorou a versão estendida, haviam motivos para crer que os 10 minutos a mais poderiam tornar “Esquadrão Suicida” um filme melhor. Eu mesmo me peguei pensando assim, visto que estranhei a ausência de muitas cenas no filme e particularmente não gostei do resultado final da versão de cinema. No início da semana, foi lançada digitalmente a versão estendida (o blu-ray será lançado em dezembro) então pude conferir o novo corte e relato a vocês o que achei.

A todos aqueles que ansiavam por ver uma versão mais pesada e sombria (como indicava o 1º trailer, antes da Warner solicitar uma pegada mais teen), sinto informar que a versão estendida não traz nada de significativamente diferente. Há um pouco mais da cena na qual o Coringa (Jared Leto) eletrocuta Arlequina (Margot Robbie). A cena de fato ficou melhor, porém não se torna pesada nem nada disso (você ganha mais detalhes da razão pela qual o Coringa está fazendo aquilo com ela, e há um pouco mais de interação entre os dois). O que a versão estendida se vale mesmo, é na interação entre o esquadrão. Há um senso de unidade maior, o grupo parece de fato mais integrado e mesmo as brigas existentes ganham mais peso. Além de deixar mais clara ainda, a relação de comando no grupo de Pistoleiro (Will Smith) e Rick Flagg (Joel Kinnamon). Os dois assumem o papel de líder, e vê-se claramente que os dois representam a ambiguidade das missões: caras maus com um propósito “bom”.

Além da cena da tortura de Arlequina, existe mais uma cena envolvendo ela e o Coringa que pode animar um pouco os fãs. Um momento prévio à sua transformação em criminosa, quando persegue enfurecida o Coringa, chegando a apontar uma arma para sua cabeça. Além de tornar mais nítida a relação sadomasoquista entre os dois, ainda apresenta um ponto não explorado na versão de cinema: o desprezo de Coringa por Arlequina (note como ele reage ao vê-la o perseguindo). Além de sugerir que o Coringa é mais do que um criminoso, um elemento de desastre maior que sua persona (algo sugerido em diversas hqs. Como na mais recente. “Batman: Endgame”).




Essas foram as inserções que mais me chamaram atenção, porém existe mais (Arlequina intimidando o grupo, mais da cena no bar, mais dos coadjuvantes). E não nego, elas tornam o filme mais coeso do que a versão de cinema. Prefiro a versão estendida, sem dúvida alguma. Mas ainda assim é um filme falho, ainda existem momentos que soam recortados e a vilã é pavorosa. É um filme bom de fato? Não. Mas não é insuportável (o que não necessariamente o torna bom).

O que não entendo é o raciocínio da Warner: eles entregaram um produto que exibe parte das coisas que os fãs queriam ver. Mas e o resto das cenas cortadas? Não se incorporavam bem ao filme? Não eram boas? Ainda vai demorar pra sabermos, mas a verdade é que existe realmente um caminhão de cenas não utilizadas no filme. A súbita aparição do Coringa após a queda do helicóptero (a cena no trailer que ele está soltando uma granada, essa mesma), o momento em que o Coringa esbofeteia Arlequina (parte da cena está na versão estendida, porém cortam antes da violência), os poderes de Katana, mais do relacionamento de Flagg e Enchantress.

Vale a pena assistir? Se você for fã. Pois por mais que esta versão seja melhor que a exibida no cinema, é o mesmo filme com os mesmos problemas.


Nota: 6,5