domingo, 29 de maio de 2016

Crítica: X-Men-Apocalipse




Nada mais nada menos, que o 4o filme de super-herói a estrear em 2016, "X-Men-Apocalipse" é o 9o filme da franquia de mutantes (contando os dois Wolverine e Deadpool), que popularizou o gênero de personagens de quadrinhos no cinema dos anos 2000. Após tantos filmes, é chover no molhado dizer como que a franquia pode se saturar. Ainda mais, considerando a falta de coerência da série (como já falado aqui no blog). Com os primeiros materiais de divulgação, confesso que não fiquei empolgado com "X-Men-Apocalipse". Tive muitas ressalvas com algumas opções de "X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido", e ainda por cima o visual das primeiras fotos do novo longa parecia sofrível (inclusive, muitas pessoas compararam o personagem Apocalipse com um vilão dos Power Rangers).

Apesar disso tudo, dei um voto de confiança ao filme e admito que saí muito surpreso da sessão: o filme não toma nenhuma decisão estúpida em termos cronológicos, tem ótimas (e épicas) cenas de ação, tem ótimos atores interpretando seus personagens, e ainda insere fanservice de maneira não gratuita. Ainda assim, comete ressalvas ao abraçar o épico.

O filme se passa dez anos depois de "Dias de Um Futuro Esquecido", e mostra Mística (Jennifer Lawrence, com uma personagem ganhando uma injustificável importância a cada filme) salvando mutantes que se encontram em situação de risco. Enquanto isso, Professor Xavier (James Mcavoy) sente a presença de um mutante ancestral (Oscar Isaac) despertando e recrutando poderosos mutantes (Magneto, Psylocke, Tempestade e Arcanjo), que busca a destruição do mundo. Tanto para mutantes quanto para humanos.





Interessante perceber como Bryan Singer confere um visual ao filme que remete diretamente a estética dos quadrinhos. Assim, ao invés de predominantemente roupas de couro (herança direta da estética de filmes como "Matrix" e até de "Blade"), as vestimentas presentes aqui são extremamente coloridos. recheados de adereços (que não parecem ter qualquer função), muito brilho. Nada mais justo para um filme que se passa nos anos 80 (repare na roupa vestida por Noturno). Um filme que não se propõe a escola de heróis "sombrios e realistas" sempre é bem vindo, lembrando ao espectador que o que se vê em tela é uma diversão. Além é claro, da fidelidade aos quadrinhos. Basta ver a Psylocke (Olivia Munn), personagem que tem uniforme e poderes extremamente exagerados e coloridos, mas que ganha seu espaço neste e filme e (sem piadinhas com seus poderes) brilha em tela.

Outro acerto do filme, encontra-se no seu elenco. Que como em todos os outros filmes da franquia, é excelente. É muito bom ver como que os atores veteranos compreendem e permitem o crescimento de seus personagens (basta comparar o Xavier de "X-Men-Primeira Classe" com deste filme). Assim, a dupla Xavier/Magneto brilha todas as vezes que encontra-se em tela. Até mesmo a odiada por mim, Jennifer Lawrence, consegue adicionar mais camadas a sua personagem (repito: a importância que ela ganha em tela, deve-se única e exclusivamente a popularidade da atriz. A Mística nunca teve esse grau de importânia nos quadrinhos. Além de ser ridículo ver como que ela aparece com maquiagem de mutante em pouquíssimas cenas).

O filme é perfeito? Claro que não. Ao abraçar pelo épico, Bryan Singer acabou deixando seu filme muito extenso. Assim, além do filme se alongar bastante, uma série de personagens tiveram suas cenas cortadas no intuito de remover gorduras narrativas e valorizar o confronto com Apocalipse. Sequências inteiras que valorizavam o relacionamento entre os personagens foram removidas, o que se tratando de X-Men é um verdadeiro pecado. A exacerbação do épico se sobrepôs ao desenvolvimento narrativo de muitos personagens. Ou então, reduziu as cenas de personagens (presentes com destaque nos materiais de divulgação) a míseras falas monossilábicas (como é o caso da Jubileu).



Apesar dos problemas apontados até então, nada frustra mais do que o visual de Apocalipse. Vejam bem: gostei da maneira com a qual ele foi retratado em tela (um megalomaníaco que pensa ser deus), acho extremamente interessante a seleção de cada um de seus cavaleiros (destaque para Arcanjo, que ganha um build up com visual e trilha sonora metal). Porém, a produção errou feio no seu visual. Entendo que a intenção era de criar um personagem que remetesse a um sacerdote, mas o que fizeram retira muito da ameaça que o personagem representa. Se sentimos a ameaça pelas falas ou pelos poderes do vilão, jamais a sentimos por conta de seu visual: parece um pobre coitado roxo.

Entretanto, a narrativa de "X-Men-Apocalipse" não exibe problemas funcionais. O plano do vilão título não mirabolante, ou cheio de plot twists como tantos outros vilões do gênero tem feito. Além disso, o arco narrativo dos personagens ganha novos contornos (destaque para Jean Grey) de maneira límpida. E melhor: sem estragar a cronologia. Nesse ponto, o filme já merece muitos pontos afinal até então, o restante da franquia parecia incapaz de cagar em cima das narrativas.

Confesso: me surpreendi horrores com "X-Men: Apocalipse". Esperava um filme medíocre, e me deparei com uma aventura sem excessos narrativos, com sua dose de megalomania típica de filmes do gênero (que particularmente, já está cansando) mas sem deixar de lado o espírito do quadrinho. Uma grata surpresa, para um filme que não parecia surpreender ninguém.

Nota: 7,5