quinta-feira, 19 de maio de 2016

Crítica: Peter Pan (2015)



O personagem Peter Pan já foi adaptado incontáveis vezes para o cinema, da animação Disney até o filme de Spielberg estrelado por Robin Williams. O filme de Joe Wright, adotou uma perspectiva diferente das outras adaptações: contar como o personagem título chegou a Terra do Nunca, muito antes de conhecer Wendy e seus irmãos. Chegando aos cinemas em setembro de 2015, "Peter Pan" foi um fracasso de bilheteria (um dos três prejuízos cinematográficos que a Warner teve no ano, tendo como outros dois: "No Coração do Mar" e "O Destino de Júpiter"). Além de receber críticas de medianas para negativas.

Agora, após o calor do momento (é notório o efeito manada de opiniões, oriundas de críticas negativas) resolvi assistir o filme. Consegui enxergar o que gerou o desprezo da crítica, e a ignorância do público. Mas também, inúmeros méritos ignorados. Tanto estes, quanto os deméritos passarei a discutir abaixo.

Pra quem não sabe, o filme é um prequel da história clássica de Peter Pan. Assim, vemos o garoto (Levi Miller) enquanto ainda era residente de um orfanato (cuidado por freiras más), que passa os dias se indagando sobre o paradeiro de sua mãe (Amanda Seyfried). Até que um dia, ele e alguns amigos são sequestrados por piratas que vieram ao orfanato em um navio voador. Levando-os para um lugar além do espaço tempo, chamado Terra do Nunca. Lá, Peter terá que lidar com a maldade do pirata Barba Negra (Hugh Jackman).




Apesar de ser um prequel (uma das maneiras mais batidas de fazer um filme, a famigerada "história de origem"), é preciso dizer que o filme é extremamente criativo visualmente. Cada set e figurino apresentados exibem um número infindável de detalhes, capazes de dizer muito sobre a natureza dos personagens e suas intenções. Como por exemplo, o gabinete e as vestes de Barba Negra. Escuro, mofado, repleto de objetos com características mercantis. Além claro, da própria armadura portada por ele, fazendo-o parecer um conquistador espanhol. O que faz bastante sentido, visto que a história conta que o pirata viajou no tempo, sequestrando crianças (que depois cresceriam, e se tornariam seus comparsas) e recrutando bandidos de todas as eras possíveis.

Se nos aspectos técnicos, o filme fala muito sem de fato inserir uma fala redundante dos personagens, infelizmente o roteiro não compartilha do mesmo mérito. Repare por exemplo a cena da chave mágica (curiosamente, até mesmo os personagens parecem compreender a obviedade da situação). Além de um número ímpar de cenas que não levam a nada. O maior exemplo que posso dar, é a cena das sereias. Que parece estar presente pra justificar o casting da musa teen, Cara Delevigne.

Apesar de em certos momentos, o roteiro se mostrar redundante, é preciso dizer que Joe Wright sabe usufruir bem do talento de seus atores nos personagens.Rooney Mara e Garret Hedlund mais uma vez demonstram seu talento usual, e o iniciante Levi Miller consegue ser um protagonista que o espectador se interessa.




Mas o grande destaque é Hugh Jackman, que faz o personagem mais inusitado de sua filmografia. Sem medo de parecer ridículo, seu Barba Negra é um líder carismático que em muitos momentos adquire um ar de ameaça por conta de sua frieza (além de dar a impressão de estar morto por dentro). Surgindo em cena pela 1a vez com figurino e apresentação capaz de de deixar qualquer astro do rock com inveja, ao som de um cover a capella de "Smells Like Teen Spirit".

A grande verdade, é que "Peter Pan" é um filme que tem muitos pontos positivos, e outros tantos negativos. Estes últimos, aliados a uma plateia que não gosta mais de filmes de fantasia (exceto se for uma franquia há muito estabelecida, como é o caso de "O Hobbit" que deve seu sucesso a "O Senhor dos Aneis"), fizeram do filme um fracasso. E é? Não. Passa longe de ser a afronta que tantos críticos diziam. Mas é um filme irregular, com momentos verdadeiramente fantásticos (o momento de gravidade zero, a apresentação de Barba Negra), reflexões interessantes (o governo quase fascista de Barba Negra, representado por um grupo de crianças e adultos que não cresceram) e momentos risíveis (a aparição das fadas). Um bom filme, que podia muito mais.

Nota: 7,5