quinta-feira, 21 de abril de 2016

Crítica: Star Wars VII- O Despertar da Força



Após seis filmes, duas séries animadas, inúmeros jogos e uma porrada de produtos licenciados, ninguém imaginava que ao ser comprado pela Disney, Star Wars ganharia uma nova trilogia. Afinal, a última trilogia levada aos cinemas não agradou muito aos fãs, e já haviam se passado mais de 30 anos desde "O Retorno de Jedi". Ainda assim, a promessa de um novo capítulo da saga de Luke, Leia e Han animou os fãs.
 Se essa inovação de fato é uma novidade pro universo de Star Wars, só saberemos na continuação. Pois "O Despertar da Força" é um filme que traz tudo que os fãs amavam na trilogia clássica, insere uma série de personagens memoráveis e cativantes, e ainda estabelece uma série de novos mitos para o Universo (já absurdamente) Expandido.

O filme se passa 20 anos após "O Retorno de Jedi", mostrando a ascensão de simpatizantes do Império, que se intitulam First Order. Que comandados pelo sombrio mestre da força, Kylo Ren (Adam Driver), buscam encontrar todos os resquícios de Luke Skywalker (Mark Hamill). Assim como sua irmã, Leia (Carrie Fisher). No entanto, o jedi está desaparecido. Enquanto isso, um jovem stormtrooper rebelde (John Boyega), se alia a uma escavadora (Daisy Riley) do planeta Jakuu, para fugir da destruição causada pela First Order.

Desde já, não sei se todos sabem (apesar ser meio óbvio, pelo fato do nome do blog ter "Nerds") mas sou fã de Star Wars desde pequeno. Assisti em vhs alugados, já gostei da nova trilogia, passei a odiá-la com todas as minhas forças (apesar de ter comprado em dvd, não me julguem), revejo a trilogia clássica todo ano, e tenho milhões de produtos licenciados em casa. Se você está lendo isso, provavelmente também já fez tudo isso. Então sei que a expectativa pra "O Despertar da Força" tanto pra mim quanto pra você, era imensa.



 E felizmente, o filme é digno por uma série de razões. A começar pela inserção dos novos protagonistas. Eu não acreditava que Rey (Daisy Riley), Finn (John Boyega) ou Kylo Ren (Adam Driver) assumiriam dignamente o bastão dos personagens clássicos, mas é tão bem feita a apresentação de cada um naquele universo, que é como se sempre estivessem ali.

A começar por Rey, que é desde já uma das melhores protagonistas do cinema de 2015. Sonhadora, inconformada, talentosa, a jovem é como uma nova visão de Luke. Seu arco narrativo no filme é belíssimo, a atriz é fenomenal (veja a cena na qual é interrogada por Kylo Ren), e a personagem já conquistou o coração dos fãs. Que podem se sentir representados na tela, com Finn. Interpretado por John Boyega, o personagem foi feito órfão pela First Order, e recrutado pela mesma. Assim, desde já sabe respeitar e principalmente temer a milícia. A sua redenção é representada em Rey, que apresenta um novo caminho a ele.

Um grande contraponto aos dois, é o principal antagonista. Kylo Ren é um lorde sith extremamente poderoso (a sua 1a demonstração de domínio da força, faz cair o queixo do fã mais fervoroso), extremamente instável emocionalmente (seus ataques de fúria são uma maneira excelente de distingui-lo de Darth Vader, sempre frio e impassível). Mas o mais interessante no personagem, é a sua tentação pelo lado da luz. Um ponto nunca antes abordado em Star Wars: os vilões cogitam se arrepender? Além de ser o protagonista da mais bela cena do filme.



Mas não só de personagens novos vive o filme, que ainda conta com os clássicos Han Solo, Chewbacca, Leia (notaram que botei o nome de Chewie antes da Princesa? Prioridades), R2-D2 (que neste filme, ganha um rival robótivo de carisma: BB-8), C3PO (além é claro, de Luke). Que mesmo mais velhos, possuem lugar de destaque no filme, fazendo com que nos sintamos de fato no mesmo universo da trilogia clássica (algo que nunca ocorria na trilogia nova). Principalmente, Han Solo (Harrison Ford), que se torna uma figura nos moldes de Obi Wan Kenobi de "Uma Nova Esperança", explicando aos personagens novos sobre a natureza da força (mas dessa vez, não como alguém que a domina: mas como alguém que viu o poder da mesma).

Além do longa metragem possuir grande parte do elenco da trilogia original, muitos dos efeitos foram feitos de maneira old-school. Quase todas as criaturas que surgem em tela são feitas por maquiadores, com muito latex e borracha. O que faz as criaturas ficarem muito mais críveis do que se fossem feitas por cgi (e infelizmente, algumas das criaturas que são de fato feitas por computação, não se saem tão bem. Como é o caso de Maz Kanata).

O problema mais digno de nota em "O Despertar da Força" se encontra na estrutura do filme, que emulando "Uma Nova Esperança" refaz o ataque a estrela da morte. E vejam bem, durante 2/3 do filme, funciona muito bem. Mas quando vemos que mais uma vez, os vilões não se deram conta (pela TERCEIRA vez) de um estúpido ponto fraco da maior arma criada, não dá pra levar muito a sério. Além de alguns personagens que não dizem a que vieram (caso da Capitã Phasma).

Ainda assim, o filme é fantástico. Este é o filme que os fãs queriam ver, e o Star Wars que o cinema merece. Que venham os episódios VIII e IX.

Nota: 9,0