segunda-feira, 11 de abril de 2016

Crítica: Rua Cloverfield, 10




Em 2007, "Cloverfield" foi lançado. Um found footage que acompanha um grupo de jovens, que registram com uma câmera o ataque de um monstro gigante em Nova York. Eficaz em assustar, e impressionante pela tensão presente nas cenas de destruição causadas pela criatura, "Cloverfield" foi um sucesso. Outro detalhe que surpreendeu os espectadores, foi o fato da produção de J.J Abramms surgir em cartaz sem aviso. A campanha de marketing jamais revelava totalmente do que se tratava a história, e conquistava o espectador pela curiosidade.

Em 2016, surge o 1o trailer de "Rua Cloverfield, 10" que também pegou os espectadores de surpresa pelo sigilo da produção, mas com um detalhe diferente ao 1o filme: agora um grande número de fãs pagaria pra ver a nova incursão cinematográfica do ataque da criatura. O filme sacia as expectativas dos fãs? Não, sim e talvez. Falarei mais adiante.

A trama acompanha uma jovem chamada Michelle (Mary Elizabeth Winstead, a eterna Ramona de "Scott Pilgrim"), que após sofrer um acidente de carro se vê amarrada a uma parede de um quarto. Logo, surge Howard (John Goodman), que afirma que a resgatou do acidente e colocando-a pra dentro de seu bunker por conta de um ataque do lado de fora que causou a poluição tóxica do ar. Assim, ela terá que conviver com Howard e Emmet (John Gallagher), enquanto sons hostis atravessam as paredes reforçadas de aço do Bunker.




Pra começar, é preciso dizer que mesmo sendo um diretor estreante, Dan Trachtenberg filma como um veterano. Aproximadamente 90% do filme se passa dentro do bunker, e Trachtenberg jamais torna a experiência menos que fascinante. O diretor consegue passar inúmeros aspectos sobre a natureza de seus personagens, apenas mudando a posição da câmera ou ressaltando algum gesto/expressão (sutileza e elegância que a grande maioria dos blockbusters não exibem). Diferente de inúmeros filmes recentes que se passam em apenas um só espaço, o longa jamais torna-se chato. Cada ambiente do bunker possui um som próprio (o mais evidente, o aquário da sala que alterna-se com os sons estranhos vindos do lado de fora), o que só ressalta a excelência do design de produção. Que cria ambientes as vezes parecem aconchegantes (a sala), e outros desesperadamente hostis (o quarto de Michelle).

Claro que muito do mérito do filme, também se deve aos atores. Mary Elizabeth Winstead não é uma atriz que chama muita atenção (sendo bem sincero, ela parece estar fazendo o mesmo papel que fez em "O Enigma de Outro Mundo") mas consegue convencer com o papel de mocinha/olhos da platéia. John Gallagher por sua vez, consegue se sair melhor com seu Emmet. Um personagem ingênuo e levemente tolo, que por mais falho que seja não consegue deixar de ser carismático. Um estilo de personagem que todos conhecemos na vida real.

Mas quem rouba cena é John Goodman. O ator (mais conhecido por interpretar personagens bonachões), faz um retrato assustador sobre um homem que não mede esforços pra sustentar o que acredita (não se detendo nem para questões morais). Trazendo consigo a paranoia e a violência interna necessárias para que a platéia tema um mero olhar de desconfiança do personagem. Além dos inúmeros gestos que indicam uma natureza violenta (repare nas sua mãos na hora do 1o jantar). A cereja do bolo de sua participação, encontra-se quando se compara a Noé.




Enquanto pauta-se nesse microcosmo criado dentro do bunker, o filme é irretocável. Como já havia falado antes, a elegância presente em certos detalhes que surgem inserindo informações novas sobre os atos dos personagens, é capaz de fazer o mais cínico cinéfilo sorrir (repare no momento em que Howard surge de barba feita). Entretanto, quando a ação deixa o bunker, é preciso dizer que não consegui deixar de sentir desapontamento.

Não irei revelar qual o segredo por trás do filme, porém direi que ele é bastante comum. Não sei dizer se foi uma solução fácil, e quais os planos dos realizadores por trás da ideia (estão dizendo que envolve uma antologia, mas enfim). A verdade é que talvez a produção não deveria ter utilizado o nome Cloverfield no título. E sim, fazer um longa no qual o espectador não soubesse ter ligação alguma com o filme de 2007 para surpreende-lo ao final. Deixando bastante claro que isso não compromete o filme, um belo exemplar de suspense com tensão belissimamente construída. Mas que não soube aproveitar o material que o originou.

Nota: 8,0

Extra: Se você quiser saber o que especificamente eu não gostei no final do filme, sublinhe abaixo:
Confesso que fiquei frustrado com o fato do filme revelar que o elemento sobre-humano, eram alienígenas e não o monstro do 1o filme. E mesmo as criaturas mostradas aqui, nada lembram a do filme anterior. O que me faz questionar: por que botar o nome Cloverfield? E sério, antes não mostrar as criaturas do que mostrar aquelas naves de computação gráfica porca.