sábado, 13 de fevereiro de 2016

Crítica: Deadpool



Após os fãs pedirem muito, Ryan Reynolds gravar um clipe teste pra mostrar pros executivos da Fox que o filme era rentável, eis que em 2016 estréia Deadpool. Longa-metragem que adapta o quadrinho mais escrachado da Marvel, de maneira bastante fidedigna. De verdade, pouquíssimas vezes você viu um personagem de quadrinhos tão bem transposto para os cinemas. O espírito permanece, das piadas metalinguísticas até a maneira com a qual os olhos da fantasia do anti-herói mudam conforme o humor deste se altera.

A grande pergunta é: o personagem é só aquilo que mostram em tela? Piadas, violência cartunesca, ironias e metalinguagem? Após a sessão do filme, a resposta é sim. E funciona? Sim. Porém, por vezes o filme perde sua força. E eu explicarei o porquê nas linhas abaixo.

Pra quem está perdido, Deadpool é um personagem dos quadrinhos da Marvel criado por Rob Liefeld (o pior desenhista de quadrinhos da história, quero dizer sério. Olhem este tumblr criado para "glorificar" o traço desse monet moderno), que é uma mistura de Pernalonga, O Máscara, Lobo, Howard O Pato. Assim sendo, ler uma história dele é mais ou menos como ver um desenho do Pica-Pau. Pode acontecer qualquer coisa, do personagem soltar uma piada sobre o tamanho do seu pinto até um piano cair na cabeça do vilão. Além de uma boa dose de metalinguagem, afinal: quantas vezes você já leu uma história na qual um personagem para antes de iniciar uma carnificina, e aconselha o leitor a escutar uma música do Pantera enquanto lê a cena?


Portanto, uma adaptação cinematográfica deveria  ser satírica e escrachada. E eles conseguiram.
O filme todo é uma grande brincadeira, não há nada que escape da língua afiada de Deadpool. Da sua escrota aparência (literalmente), até a confusa linha do tempo dos filmes de X-Men. Curioso ver como que o personagem ainda assim está presente no cânone cinematográfico dos mutantes, pois em diversas cenas o mercenário quebra a quarta parede e comenta dos envolvidos na produção. Incluindo, da ridícula participação de Deadpool no horrível "X-Men Origens: Wolverine".

Enquanto sátira, o filme funciona muito bem. Porém, devo dizer que por vezes tentam inserir uma certa dose de dramaticidade. Pra quem não sabe, Deadpool tinha câncer antes de se tornar o herói e o filme insiste em mostrar um flashback sobre o momento obscuro. Assim, temos todos os clichês que já vimos milhões de vezes em filmes do gênero ("a parte mais dolorosa do câncer não é em você, mas em quem você ama". Fala sério...).

Ou então, quando outra sequência de flashback mostra o processo violento que o transformou em um anti-herói. Além da cena não funcionar, serve apenas para tentar dar um lado sádico ao vilão. Que demonstra ser mais inexpressivo e tolo do que todos os vilões da Marvel mostrados no cinema. Ele é mal por ser mal, como um pica-pau (reclamem de novo do Ultron, nerds. Eu desafio vocês). E é isso (além do filme jamais responder por que ele, alguém que só tem o poder de não sentir dor, sobreviver a tantos ferimentos que matariam qualquer ser humano-até os que não sentem dor-).


Alguns podem falar que isso tudo serviu pro filme se mostrar fiel aos quadrinhos, e beleza. Pode ser. Porém permanece muito simplório. E francamente, são problemas que não comprometem o filme ao todo. Impressionante que mesmo sem tantas sequências de ação (e as poucas que tem, não muito elaboradas), o filme jamais se torna chato de se assistir. A atenção do espectador jamais se perde, mesmo em momentos nos quais nada de relevante está se mostrando (nisso pode-se incluir todas as cenas da parceira cega de Deadpool).

No fim das contas, Deadpool é um bom filme. É recheado de boas piadas, tem um protagonista carismático que sabe rir de si mesmo (existem milhões de avacalhações com Ryan Reynolds ao longo do filme), e possui ritmo excelente (você nunca ficará entediado assistindo). É um filme estúpido, mas feito de maneira competente. Que falha por tentar se levar a sério em algumas cenas, por criar um vilão medíocre (sério, quem pensou que esse personagem renderia alguma coisa? Reparem como o mote de vender super soldados é abandonado na 1a aparição do personagem) e pela falta de cenas de ação mais elaboradas (o orçamento do filme não permitiu). Ainda assim, é a prova que o cinema tem espaço para personagens de quadrinhos não tão conhecidos. Dada a bilheteria do filme, lição aprendida pelos produtores.

Nota: 7,0