segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Top 10 Especial Halloween

Aproveitando o Halloween e o dia de Finados, uma lista modesta com 10 filmes pra se ter diferentes perspectivas sobre o gênero do terror. Alguns mais conhecidos, outros não. Mas todos sem exceção, obrigatórios. Sem mais delongas, começando:

Halloween (1978):

Impossível não falar da data sem mencionar o filme de John Carpenter, longa independente que se tornou uma influência pra todo um gênero (não existiriam os filmes slasher-Sexta-Feira 13, Pânico- sem o filme de Carpenter e Banho de Sangue de Mario Bava), Claro, hoje o filme pode até soar minimamente light (pouquíssimo sangue é devidamente mostrado), porém afirmo que apenas sugerindo, Halloween ainda é um dos filmes mais assustadores já feitos. Como diz o diálogo final do final: "Era o bicho papão?" "Sim, era...".



Inverno de Sangue em Veneza (1976):

Dirigido por Nicolas Roeg, Inverno de Sangue em Veneza (ou o título original, Don't Look Now) é um filme de horror diferente: sobre superar o luto. No caso do casal protagonista (Donald Sutherland e Julie Christie), a perda de sua filha de 6 anos. Adicione aí uma das cidades mais bonitas da Europa, uma série de assassinatos estranhos, e duas irmãs gêmeas com poderes paranormais, e você tem Inverno de Sangue em Veneza. Um filme que não aposta em sustos ou em violência explícita, mas no medo de seguir em frente. Além de possuir uma das edições mais fantásticas já vistas no cinema (mostrando todas as peças do quebra-cabeças desde o início, sem que nós consigamos enxergar o todo), ainda é um dos melhores filmes britânicos de todos os tempos.




Carnaval de Almas (1962):

Carnaval de Almas é um filme desconhecido tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, porém é obrigatório pra quem quer estudar o terror fantasmagórico (que se tornaria cada vez mais frequente nos anos 2000, após O Sexto Sentido e Os Outros). Na trama, uma jovem organista se vê perseguida por um estranho homem pálido trajado por um terno preto. Sim, apenas esse fiapo de trama. Mas acredite: é um dos filmes mais arrepiantes já feitos. Isso sem apelar pra jump scares, ou trapaças de montagem. Apenas explorando a atmosfera e sugerindo muito. Um clássico que dificilmente o espectador esquecerá. E que ainda influenciou o cinema de muitos diretores consagrados, como David Lynch.



A Noiva de Frankenstein (1935):

Sim, eu escolhi a continuação de Frankenstein (1931), ao invés do próprio. Por que é melhor? Não necessariamente (tem muitas coisas que prefiro no 1o). Simplesmente porque dos filmes dos Monstros da Universal, este é o melhor dirigido. James Whale foi o responsável por inúmeras cenas que se tornaram clássicas pro cinema de terror, o momento que Frankenstein é acolhido por um cego, o prólogo mostrando Mary Shelley relatando a Lorde Byron o que houve após o final do livro Frankenstein. Até claro, o nascimento da Noiva que dá título ao filme.
Sim, há um ou outro elemento estranho na obra (o humor do filme tornou-se datado), Mas pode ter certeza que por conta da atmosfera criada pelo diretor, o elenco fantástico (poucos monstros do cinema se conectam tanto com a platéia, quanto o Frankenstein de Boris Harloff), e a impecável direção de arte, fazem deste um filme obrigatório pros fãs do terror gótico.






Cronos (1993):

O 1o filme de Guillermo Del Toro é uma amostra do talento do diretor mexicano, Cronos é um filme de terror simples mas recheado de boas ideias (alquimistas, insetos, religiosidade). Além de extremamente bem executado para a estréia de um diretor. Na trama, um idoso proprietário de um antiquário encontra dentro de uma estátua de anjo um objeto no formato de besouro. Ao dar corda neste, é violentamente ferido. Com o passar do tempo percebe que está se tornando mais forte, parecendo mais jovem, e com mais vigor. Porém, como nada é de graça nessa vida, o presente vem com um ônus: um desejo incontrolável por sangue. Cronos não é apenas um dos filmes de vampiros mais originais já feitos, mas uma amostra do talento de Del Toro e a prova que com pouco dinheiro e criatividade, é possível criar um filme fantástico.




Eraserhead (1977):

Mais uma estréia de um diretor que hoje é visto como um mestre, o surrealista David Lynch. Que começou sua carreira, dirigindo Eraserhead. Um filme obscuro que é uma das experiências mais próximas a um pesadelo que o cinema já pode exibir. Contando a história de um jovem que se vê diante de uma indesejada paternidade. Como sempre no cinema Lynchiano, as imagens não devem ser tomadas literalmente. Mas sim, o sentimento por trás daquilo. Assim, o que antes parecia apenas um filme insano de repente se torna um retrato onírico de uma mente perturbada. Isso não diminui a força do horror de Eraserhead, filme favorito de Stanley Kubrick que até hoje deixa muita gente sem dormir.



Um Lobisomem Americano em Londres (1981):

Misturando comédia e terror com bastante equilíbrio, Um Lobisomem Americano em Londres é um clássico. O grande diferencial da produção, foi escalar um diretor que conhecesse tão bem gêneros tão diferentes. John Landis assim como Joe Dante (que dirigiu outro grande filme de lobisomens, Grito de Horror), dirigiu muitas comédias de altíssimo nível (é dele os fantásticos Animal House e Blues Brothers), e assistiu muitos filmes de terror e sci-fi na sua juventude. Isso é bastante perceptível em tela, veja por exemplo a cena mais famosa do filme: a transformação de David (David Naughton) em lobisomem. Enquanto vemos o jovem se consumindo em dor ao ter seu corpo transformado em lobo, ouvimos a leve  música Blue Moon. Esse é apenas um exemplo da mistura agridoce em Um Lobisomem Americano em Londres, o melhor exemplar dos filmes de lobisomem e uma das 5 melhores maquiagens da história do cinema. Não, não estou exagerando.



Suspiria (1977):

Muita gente acha que o melhor filme de Dario Argento, é o giallo Profondo Rosso. E entendo perfeitamente o porque disso. Mas não consigo deixar de olhar com carinho para Suspiria, terror com toques de contos de fadas que quase 40 anos depois de seu lançamento, ainda assusta muita gente. O filme conta a história de uma bailarina (Jessica Harper, que como as protagonistas dos outros filmes de Argento, conta com olhos grandes e expressivos) que vai estudar numa escola de dança na Alemanha. Chegando por lá, começa perceber coisas estranhas. Acidentes sangrentos, sonhos assustadores, desaparecimentos. Até se dar conta, que a escola é um antro de bruxas. Suspiria é um filme genial, perceba a direção de arte da produção (que investe em um tom cada vez mais psicodélico, conforme a protagonista vai descobrindo a real faceta da escola) e a assustadora trilha-sonora composta por Goblin (criada a partir de uma cantiga infantil, que se torna cada vez mais arrepiante conforme é repetida).




Nosferatu (1922):

Um dos filmes mais importantes da história do cinema, o 1o grande filme de terror, a obra-máxima do cinema alemão, Nosferatu é um deleite pra qualquer fã de cinema. Tomando a trama de Drácula emprestada, a história fala sobre a soturna missão do Conde Orlok (Max Schreck). Vampiro que planeja viajar para o novo mundo, a fim de espalhar o medo, a peste e a fome. O que difere Nosferatu das milhares de outras adaptações de Drácula, é justamente o olhar sobre o vampiro. Se os Dráculas de Bela Lugosi e Gary Oldman eram seres sedutores, o Conde Orlok de Nosferatu é a epítome do horror. Com suas garras enormes, e cara de rato, o vampiro assusta sem nenhum efeito sonoro. O que já o torna a superior a 95% dos filmes de terror lançados recentemente.



A Hora do Lobo (1960):

Todo cinéfilo sabe que Ingmar Bergman foi um dos maiores diretores de todos os tempos, criando filmes que combinavam impecável técnica cinematográfica com emoção/sentimento. Assim, se em Fanny e Alexander o tema era a infância, em o Sétimo Selo é a morte. No caso de a Hora do Lobo, o tema é o medo. De que? Da mente. Na trama, um escritor que mora com sua mulher se vê cada vez mais aterrorizado por circunstâncias estranhar que concernem sua nova casa. Porém, seriam elas reais? É uma pena que este filme seja tão esquecido, até mesmo entre os fãs de Bergman. É importante ressaltar que é uma das principais influências a Anticristo (de Lars Von Trier) e Eraserhead (do já citado duas vezes neste post, David Lynch).