sábado, 9 de maio de 2015

Top 5 Filmes Pra Se Assistir no Dia das Mães (ou Não)

O dia das mães é neste domingo (10/05), e seguindo a tradição do blog escreverei um top 5. Como vocês sabem, um top 5 pouco usual diga-se de passagem. Sem dúvida alguma, a lista possui filmes extremamente edificantes que você deve assistir no dia das mães. E outros que simplesmente, não. Acho que não preciso informar quais Feliz dia das mães!

Psicose:

Dotado de extraordinária linguagem cinematográfica (por exemplo, Marion rouba o dinheiro e suas vestes passam a se tornar escuras, ressaltando a maldade agora presente em seu corpo), e com um roteiro assustador, Psicose dispensa apresentações. Não é todo filme que consegue ser eternizado na história do cinema por conta de uma única cena, e o melhor: não é apenas por conta desta que o filme é fantástico. A cena do esfaqueamento é genial? Sim. Mas o filme fala por si. É um dos melhores filmes de todos os tempos. Por que está nesta lista? Simplesmente porque apresenta uma das mais digamos, particulares histórias de mãe e filho do cinema. Não querendo entrar em detalhes que resultem em spoilers, mas válido dizer que após Psicose até mesmo o espectador com a mais conturbada relação materna, começará a enxergar sua mãe como uma pessoa bastante sã.





Contos de Nova York:

Dividido em três segmentos dirigidos por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen, Contos de Nova York é um filme que poderia ser muito melhor. Há momentos claramente destoantes na obra, tornando-a irregular (especialmente no segmento de Coppola, que teve ajuda de sua filha Sofia na escrita do roteiro). Porém, vale a pena conferir. Especialmente por conta do último segmento, dirigido por Woody Allen. No qual o neurótico diretor exorciza seus demônios maternos, mostrando um personagem (interpretado por ele mesmo) que tem uma mãe opressiva e insuportável (como todos os filmes do diretor, este longa tem pinceladas auto-biográficas). Mas de repente, a megera desaparece. Apenas para ressurgir no céu nova-iorquino. Como um monstro gigante. Que agora pode perseguir seu filho por toda parte.



A Troca (Changeling):

Dirigido por Clint Eastwood, A Troca conta a história real de uma mãe (Angelina Jolie) que perde seu filho. Isso será o que revelarei sobre a trama, pois este é um daqueles filmes nos quais deve-se saber pouco e ser guiado pela história. O que falarei deste longa: como Menina de Ouro, Gran Torino, Sobre Meninos e Lobos este é mais um dos filmes duros de Eastwood. Um cinema inegavelmente excelente, mas extremamente melancólico. Além das interessantes marcas de autor (o tema da perda-literal ou psicológica- de um filho já havia sido debatida em Sobre Meninos e Lobos), A Troca ainda exibe a melhor atuação de Angelina Jolie (nem comecem a dizer que este posto pertence à Garota Interrompida). Que sempre olhando pra baixo (como se buscasse não chamar atenção), mais magra que o normal (comparem o físico da atriz nos filmes de Lara Croft e aqui), observa toda a investigação feita sobre o desaparecimento de seu filho, os discursos motivadores dos policiais com franca  melancolia: não importam os meios utlizados pra achar seu filho, contanto que o achem.




Dançando no Escuro (Dancer in the Dark):

Lars Von Trier é um dos autores mais sádicos da história do cinema, dirigindo filmes que deixam os espectadores em estados de espírito que vão do desagradável (Dogville) ao horrorizados (Anticristo). Com Dançando no Escuro, não é diferente. Aqui o objetivo do dinamarquês era realizar um musical (tarefa que hoje assume ter falhado), contando a história de uma operária (interpretada pela cantora Björk) que perdendo a visão trabalha como uma escrava para conseguir dinheiro o suficiente que paguem os estudos de seu filho. A direção de Von Trier, aliados à escolha de trilha sonora e à visceral atuação de Björk tornam este triste filme nada menos que inesquecível.




Forrest Gump:

Por mais clichê, Oscarizado e repetitivo que seja, Forrest Gump é um belo filme. Dirigido por Robert Zemeckis (diretor da trilogia De Volta Para o Futuro), a história é um conto sensível sobre um homem que tem um q.i muito abaixo da média (Tom Hanks), que sem saber acaba tendo uma vida extraordinária. Lutando no Vietnã, entregando o caso Watergate, impedindo ataques à Martin Luther King, inspirando John Lennon a compor "Imagine". Tudo isso só é possível por conta do amor de sua mãe (Sally Fields), que desde cedo acreditou no potencial de seu filho e lutou para que tivesse os mesmos estudos que as outras crianças. É dela que vem a fala "A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que irá encontrar". Forrest Gump é como uma dessas surpresas, surgindo em um ano no qual o cinema teve diversos novos clássicos (Pulp Fiction, um Sonho de Liberdade).



Carrie A Estranha:

Baseado no livro de Stephen King, Carrie é um filme de terror incrível. Contando a história de uma adolescente retraída (Sissy Spacek), que sofre nas mãos dos colegas. Logo, a moça descobre ter poderes telecinéticos. O problema é que a pobre menina também sofre por conta de sua mãe (Piper Laurie). Uma religiosa fundamentalista que pensa que qualquer sinal de sexualidade é uma evidência do diabo, assim faz cair o inferno sobre a sua filha. Que se encontra no auge do despertar da sexualidade. Além de ter uma das mais clássicas cenas de terror de todos os tempos, Carrie ainda consegue traçar uma reflexão interessante sobre a pressão adolescente. Não é a toa, que em duas das cenas mais temáticas do filme sangue pinta o corpo de Carrie (no vestiária quando ocorre sua primeira menstruação, e no icônico baile de formatura no qual jogam sangue de porco sobre sua cabeça). Uma das alterações do livro pra tela, feitas pelo diretor Brian De Palma. Que além de aterrorizar a todos com os poderes de Carrie, ainda consegue filmar a personagem da mãe como um monstro. Dando calafrios no espectador, todas as vezes que surge em cena.