sábado, 2 de maio de 2015

Crítica: Vingadores-A Era de Ultron

critica os vingadores

O 1º Vingadores é marcado pela sua despretensão, algo que é presente em todos os filmes da Marvel Studios. Portanto, era de se esperar que A Era de Ultron apostaria na marca registrada de seu estúdio. Após assistir o filme, é visível que as (ótimas) piadas continuam em pleno vigor. Mas estas não são a assinatura do longa. Se essa pode ser definida por uma palavra,  seria gravidade.
Que com uma ação mais ágil (e menos Michael Bay que o último filme), um roteiro mais ambicioso e com personagens mais ricos, consegue superar em gênero, número e grau seu antecessor.

Já adiantando: se você não gosta dos filmes da Marvel, ou não gosta de filmes de super-heróis não assista A Era de Ultron. Se não foi com os filmes anteriores que você se descobriu fã, não será com este. Dito isso:

O filme fala de uma frustrada tentativa de Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr) em proteger o mundo de maneira mais eficiente, que culmina em Ultron (James Spader). Uma inteligência artificial que com uma diretriz distorcida de proteger o mundo, pretende destruir os vingadores. Assim, o grupo de heróis terá que lutar contra um inimigo que por mais que se manifeste de maneira física inúmeras vezes, é praticamente invisível. Podendo manifestar-se em diversas máquinas, e estar em vários lugares ao mesmo tempo.

O 1º mérito do longa pode ser visto na 1ª cena: o time de heróis lutando juntos. Sem as amarras de introdução de personagens do 1º filme (de mostrar os heróis se encontrando, pra depois lutarem, pra depois se unirem contra um inimigo comum), A Era de Ultron é um filme muito mais dinâmico do que o último Vingadores. Isso se mostra claro nas cenas de ação (veja o travelling do início do filme, que culmina numa cena que poderia muito bem ser a capa de um quadrinho), quanto no roteiro do filme. Que não perde tempo, e jamais cria diálogos redundantes. Portanto, se o personagem de Tony Stark ainda se vê traumatizado por conta do que viu ao final do 1º Vingadores não temos os diálogos expositivos de "Depois do que houve em Ny, Ny mudou tudo, o que vi na fenda temporal de Ny" (que eram presentes de 5 em 5 minutos no péssimo Homem de Ferro 3).




Esse trauma do Homem de Ferro cria uma das reflexões mais interessantes do filme: até quando a proteção bate com a privacidade? O personagem só cria a inteligência artificial Ultron, por ter visto na fenda espacial quão frágil é o seu planeta. Portanto, em diversos momentos da narrativa Tony Stark menciona "Construir uma armadura ao redor da Terra". Isso não apenas mostra os rumos futuros da Marvel no cinema (a Guerra Civil, entre Capitão América e Homem de Ferro), como também lembra muito a política de proteção dos Estados Unidos pós 11 de setembro.

Não é só na reflexão que o atentado do World Trade Center se mostra uma das referências do filme, em um dos ataques de descontroles do Hulk (Mark Ruffalo) é mostrado o desabamento de um prédio que levanta uma colossal nuvem de poeira. E após esta abaixar, são mostrados civis sangrando cobertos de pó. Essa cena poderia soar gratuita, e um apelo ao emocional do público norte-americano. Mas as intenções do roteirista e diretor Joss Whedon são bem diferentes.

Este é o 1º filme da Marvel no qual as ações dos personagens são mostradas de maneira clara como prejudiciais aos civis (como fica uma cidade após uma luta deles?), de maneira que o discurso de Ultron de exterminar os Vingadores soa legítimo. Isso se o robô não fosse insano.

E isso que torna Ultron a melhor novidade do 2º Vingadores, a presença de um vilão realmente ameaçador. Nunca antes em um filme da Marvel um vilão assustador havia sido mostrado, sim: eu gosto muito do Loki (Tom Hiddleston). Mas há de se convir que o personagem jamais soa perigoso. Isso não pode ser dito de Ultron (interpretado magistralmente por James Spader), uma inteligência artificial completamente louca. De maneira que por mais lógica que tente agir, se vê acometido em surtos de insanidade (o que dizer da cena na qual o vilão arranca o braço de um personagem, e segundos depois começa a se desculpar compulsivamente?). Outro aspecto sensacional de Ultron, é o fato de não possuir um corpo permanente. Podendo se materializar em diversos corpos ao mesmo tempo, ou podendo se esconder na Internet o robô é praticamente invencível. Além do seu desapego material, podendo destruir seu corpo atual apenas para se materializar num corpo mais evoluído e mais forte.



Um desafio à altura dos Vingadores, que aqui surge em cena de maneira muito mais harmoniosa que no filme anterior. De maneira que o roteiro não se limita a mostrá-los em cena apenas em situações de batalha, mas também em um momento de descontração (a festa de Tony Stark, cena que já foi mostrada nos trailers). Mostrando que o grupo não se une apenas para resolver um problema, mas como um time de amigos como nos quadrinhos.

Falo dos méritos do filme, mas afirmo que também existem alguns problemas. Descontando-se as exageradas cenas de ação (afinal, este é um filme de quadrinhos), o filme tem algumas arestas que poderiam ter sido removidas se certas coisas tivessem sido melhor desenvolvidas. Como os gêmeos Mercúrio e Feiticeira Escalarte (Aaron Taylor Johnson e Elizabeth Olsen), que por mais que tenham poderes interessantes jamais podem ser vistos como figuras tridimensionais. Há um pouco mais de desenvolvimento na Feiticeira (muito por conta das consequências que seus poderes tem sobre as pessoas), mas não é o suficiente. Mercúrio então, surge como o personagem mais desinteressante da narrativa inteira. De maneira que nem mesmo seus poderes podem ser vistos como um atrativo a parte, pois em X-Men Dias de um Futuro Esquecido o mesmo personagem foi mostrado de maneira melhor.

Outro problema do filme se encontra mais ao final de projeção, quando um elemento deus ex machina surge em cena. Mais um filme de super-heróis no quais esse recurso é utilizado, e mais uma vez é visto de maneira incrédula pelo público. Não entrarei em detalhes do que se trata, mas sei que vocês entenderão.
os vingadores a era de ultron


Agora, falarei um spoiler do filme. Se você ainda não o assistiu, pule para o próximo parágrafo (ALERTA DE SPOILER): o personagem de Visão é outro bônus fantástico. Interpretado por Paul Bettany (que fazia a voz de Jarvis), é maravilhoso ver como o personagem foi tão bem transposto dos quadrinhos para o cinema. De maneira que mesmo os detalhes mais cafonas do personagem, tenham uma explicação de existir (exemplo: a sua capa. O 1º "humano" que Visão enxerga ao nascer é Thor, que exibe uma capa. Assim, o robô julga ser comum naquele mundo a vestimenta). Outro detalhe fantástico do personagem, é o fato dele ser totalmente oposto à Ultron. Enquanto um é destrutivo e descontrolado, o outro é lógico e sem emoção. Contrastando até mesmo nas cores de seus corpos (prateado e vermelho, contra verde e amarelo). (FIM DO SPOILER)

Ao final, o saldo de Vingadores-A Era de Ultron é extremamente positivo. Superando seu filme antecessor, e com uma visão do universo Marvel não vista antes o longa se confirma como um dos melhores blockbusters do ano.

Nota: 8,5/10