sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Melhores Filmes de 2014

O ano está acabando, e chegou a hora de lançar a lista dos melhores filmes lançados no Brasil em 2014 sobre a opinião de cada autor do blog. Mais uma vez: o critério aqui eram os filmes lançados no Brasil em 2014, portanto sim: eu sei que vários filmes abaixo foram lançados nos Eua em 2013. Outra coisa: por conta dos estudos, acabei não assistindo muita coisa legal que creio eu poderia facilmente entrar na lista abaixo. Filmes como Boyhood , O Abutre, O Teorema Zero por exemplo (ainda hei de assisti-los). Outros como Birdman ou Vício Inerente, só estréiam no Brasil em janeiro de 2015. Portanto, ainda estou no lucro. Espero que gostem da lista. Feliz ano novo!

O Homem Duplicado:

Quando eu pensava que Dennis Villeneuve não conseguiria superar sua obra-prima Prisoners, vem o Homem Duplicado. Filme que não apenas traz Jake Gyllehall em mais um papel impressionante (de novo: achei que não tinha como superar Prisoners), mas que também oferece uma reflexão perturbadora sobre a atração sexual feminina. Em um filme recheado de metáforas visuais e carregado de sutileza. E que possui pelo menos, o melhor final de um filme em 2014.



O Grande Hotel Budapeste:

Falar bem de Wes Anderson é chover no molhado, quando sou eu fazendo-o então a ação se torna ainda mais suspeita. O texano parece apenas melhorar conforme os anos passam, e O Grande Hotel Budapeste apenas confirma isso. Podendo ganhar o título de longa mais cinéfilo de sua filmografia por uma série de razões: brincar com os formatos de tela, inserir humor pastelão dos filmes dos Irmãos Marx (a cena em que o personagem de Ralph Fiennes sai correndo na frente dos policiais, me faz gargalhar sempre), e com um dos mais vastos elencos já vistos num filme. E pelo menos, o mais sensacional casting de sua filmografia.



Babadook:

As melhores histórias de terror não são aquelas que criam um monstro assustador, mas sim aquelas que trazem vida ao monstro que existe dentro do espectador. Babadook consegue fazer os dois, cria um dos monstros mais interessantes dos últimos anos e ainda consegue criar uma metáfora fantástica para a depressão de uma mulher. Mas pra aqueles que pensam que o fato de haver uma metáfora muito clara torna o filme menos assustador, que esteja claro: não assista o filme de noite. Quem avisa amigo é, coisa que o Babadook com certeza não é.



Guardiões da Galáxia:

Baseado em uma hq da Marvel (que nunca cheguei a ler), Guardiões da Galáxia foi a surpresa do ano. Um filme que traz de volta todo clima das aventuras bem humoradas dos anos 80 (se você pensou em filmes como Aventureiros do Bairro Proibido, acertou), adicionando na mistura ingredientes deliciosos. Como cultura pop, ficção científica, despretensão e ação. Muito desses méritos se devem por conta do diretor, James Gunn. Que por ser nerd como Edgar Wright (Scott Pilgrim) e Guillermo Del Toro (Hellboy), tem muito zelo ao transpor pra tela universos cinematográficos fantásticos.






O Teorema Zero:

Lançado no Brasil com um ano de atraso, O Teorema Zero é a nova obra-prima de Terry Gilliam. Um dos membros do Monty Python, e diretor de uma penca de filmes fantásticos. Da sua obra-prima Brazil, até o imaginativo Barão Munchausen, O Teorema Zero revisita os temas mais clássicos da filmografia do diretor. Aqui,a busca do protagonista (Christoph Waltz) é o sentido da vida. Para os mais atentos, vale dizer que o objetivo de Gilliam nada mais era do que mostrar uma caricatura da nossa sociedade atual (repare a festa na qual cada um ouve sua música, no seu headphone). 


12 Anos de Escravidão:

Steve Mcqueen faz seu melhor trabalho com este intimista drama, explorando temas já abordados antes em seus filmes (extremos humanos, sadismo) mas nunca antes vistos sobre ótica tão sensível. Em alguns momentos belo, outros extremamente intenso e violento. E com ao menos uma cena memorável: o açoitamento que dura 8 minutos sem cortes. Pra fazer muita gente virar o rosto no cinema.



O Lobo de Wall Street:

Martin Scorsese faz os melhores filmes sobre seres humanos dissimulados, basta dar uma olhada na sua filmografia (do boxeador violento de Touro Indomável, ao gangster que quer ter uma vida confortável em Os Bons Companheiros). Mas nenhum dos personagens antes abordados é tão nojento quanto Jordan Belfort (Leonardo Di Caprio). E nenhum filme de Scorsese é tão surtado quanto O Lobo de Wall Street, filme que confirma o diretor como o realizador da geração Easy Rider que mais se reinventa. Tendo abordado em sua filmografia todos os gêneros possiveis (filme de época em A Época da Inocência, horror psicológico em Ilha do Medo, thriller em Cabo do Medo, drama religioso em a Última Tentação de Cristo), o  italo-americano baixinho ainda tem muito que nos mostrar.



Ela:

Spike Jonze dirigiu um dos melhores filmes já feitos sobre identidade, com Quero Ser John Malkovich. Levou as telas um dos melhores filmes sobre a solidão da infância, com Onde Vivem os Monstros. Mas nada podia preparar os seus fãs para Ela. Não apenas um dos melhores filmes do diretor, mas um dos melhores filmes já feitos sobre relacionamentos amorosos. Com uma trilha sonora extremamente sutil (mas não menos bela), um ator protagonista extremamente competente (Joaquin Phoenix conseguiria emocionar atuando até mesmo em comercial de fralda), e uma fotografia maravilhosa, é revoltante pensar que o único Oscar que Ela ganhou foi o de melhor roteiro original. Que certamente merece, mas que merecia muito mais.



Only Lovers Left Alive:

O mais recente filme de Jim Jarmusch segue a linha de filmes existencialistas sobre vampiros: mais Fome de Viver (filme gótico de Tony Scott, com o casal vampiro Catherine Denevue e David Bowie), do que Entrevista com o Vampiro. Aqui, o diretor de Down By Law fala do tédio e da falta de esperança que a falta de obstáculos na vida desses seres. Afinal, quando se pode fazer o que quiser (quando se é jovem para sempre) a vida se torna mais chata. Intencional ou não, são as semelhanças do filme com o quadrinho de Neil Gaiman, Sandman. O que para um nerd/leitor de quadrinhos como eu, já é motivo suficiente pra se assistir Only Lovers Left Alive. Um dos melhores filmes de 2014.



Virgínia (Twixt):

Francis Ford Coppola é o diretor por trás de uma série de obras-primas do cinema. A trilogia O Poderoso Chefão e Apocalypse Now são os que vem na mente de todos logo que o nome do italo-americano é citado. Porém, ninguém se lembra de Drácula de Bram Stoker. Um dos melhores filmes de horror já feitos, e o melhor filme de vampiro da história do cinema (competindo apenas com Nosferatu). Virgínia é herança direta de Drácula: é um filme de horror gótico, extremamente barroco, com atuações mais exageradas que o normal (quase como numa ópera). A diferença, é que em Virgínia o diretor confere um olhar mais pessoal. Visto que o filme se originou por conta de um pesadelo de Coppola, e por um fato extremamente traumático em sua vida: a morte de um filho seu num acidente de barco. Culpa, influências de criação (não é por acaso que Edgar Allan Poe é um personagem constante no filme), catarse e um pouco de sangue marcam Virgínia. Filme que por mais errante que seja, fascina ao celebrar o ato de se contar uma história


Quais foram os melhores filmes de 2014 pra você?