domingo, 8 de junho de 2014

Critica: A Culpa é das Estrelas



Não é novidade que Hollywood começou a buscar novas formas de fazer dinheiro, assim procurando por títulos das listas de best sellers a fim de achar uma nova galinha dos ovos de ouro. Filmes como Marley e Eu, Querido John, A Menina Que Roubava Livros conseguiram obter retornos financeiros nos cinemas muito similares com o obtido nas suas versões impressas. Infelizmente, grande parte dessas adaptações cinematográficas tendem a ser extremamente ruins. A Culpa é das Estrelas é um livro escrito por John Green, que também fez muito sucesso ao redor do mundo. Uma adaptação cinematográfica era inevitável.

(Antes de continuar minha crítica, acho válido dizer que li o livro de John Green. E diferente dos livros que citei no início, gosto bastante deste. Mesmo tendo gostado do livro, focarei minha análise em relação ao filme portanto evitarei comparar o longa com o livro)

A Culpa é das Estrelas conta a história de Hazel Grace (Shailene Woodley), adolescente de 17 anos que quando mais jovem foi diagnosticada com câncer. Conforme vai crescendo, a jovem vai aos poucos entendo (e se conformando) com o fato de que irá morrer. Por isso, vive num estado de espírito que varia entre a aceitação, e a melancolia. Por insistência de sua mãe, Hazel costuma ir a um grupo de auto ajuda para jovens com câncer. Lá, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort). Jovem de 18 anos, que por conta do seu tumor (já retirado) teve que amputar a perna.

Isso é o máximo que falarei da trama de A Culpa é das Estrelas. Filme que por mais que soe como um romance adolescente medíocre, tem uma grande diferença se comparado com os romances ruins com que estamos acostumados a ver todos os anos: seus protagonistas.
critica a culta é das estrelas


Antes de falar explicitamente sobre eles, gostaria de analisar os personagens secundários de A Culpa é das Estrelas. 

A começar pela mãe de Hazel, interpretada pela atriz musa de David Lynch: Laura Dern. A mulher sabe muito bem o estado de saúde da filha. Sabe tão bem quanto ela que em determinando momento a batalha contra o câncer se mostrará inútil. Porém, a mulher guarda tudo isso. E como modo de defesa para a inevitável morte de sua filha, ela se mostra como a personagem mais empolgada de todo o filme. Perceba que são poucos os momentos nos quais a mãe de Hazel não está sorrindo, mas ao mesmo tempo são poucos os momentos nos quais não estranhamos a alegria da mesma. Não dá pra saber onde começa a felicidade, e onde termina a fragilidade emocional da mulher. Um riso pode muito bem se transformar num mar de lágrimas, e é de se elogiar a decisão de se escalar Laura Dern para o papel. Uma atriz que sabe muito bem interpretar mulheres a beira de um colapso nervoso.

Outro personagem secundário muito interessante, é o escritor do livro favorito de Hazel: Peter Van Houten. Interpretado pelo excelente ator, Willem Dafoe, o escritor mostra-se como outro personagem extremamente complexo. Perceba como que o roteiro e a direção trabalham juntos para fazer com que a platéia crie expectativas para sua 1a aparição. E quando este de fato aparece, é incrível perceber o choque que Hazel (e a platéia) tem. Um personagem que após um trauma, permaneceu parado no tempo (veja o set de sua casa, que exibe dezenas de documentos antigos jogados no chão, ressaltando que o personagem não liga para o tempo em que vive) e que foi fechando-se na sua casa.

Mas claro que os grandes destaques são a dupla de protagonistas. Shailene Woodley e Ansel Elgort são atores muito competentes. E é de se admirar que os atores convençam como personagens que carregam uma doença tão cruel. Em momento algum duvidamos da veracidade de suas dores, ao mesmo tempo em que jamais deixamos de nos contagiar pelos momentos de alegria dos dois. Portanto, não é de se estranhar que pequenos momentos de alegria do casal sejam sentidos pela platéia também.

Além do longa ter uma grande diferença em relação a outros filmes do gênero: ambos os protagonistas são importantes. Ambos tem a mesma relevância para a trama. Se em determinado momento, achamos que Gus será o clássico anjo que ajuda/salva Hazel, nos surpreendemos depois vendo que ela assume o mesmo papel. Isso é algo muito raro, uma boa história de amor.

Fora os pequenos detalhes que a câmera faz questão de ressaltar a fim de dar mais personalidade aos personagens. Desde coisas pequenas (a cena na qual Augustus surge se divertindo assistindo Aliens O Resgate), até detalhes de extrema relevância (perceba que antes de conhecer Augustus, Hazel sempre é enfocada pela câmera junto de seu respirador, porém após conhece-lo o objeto é deixado de lado: um jeito sutil de dizer que ela não precisa de ajuda).

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Além dos elementos citados a pouco, válido dizer que A Culpa é das Estrelas é um filme que carrega diversos significados na sua direção de arte e figurino. O mais claro é a cor azul, que em inglês também pode ser entendido como "triste". Hazel começa o filme usando camisa azul, e este é seu vestuário até o momento em que conhece Augustus. Porém, bastam algumas ocorrências insatisfatórias para personagem para que esta volte a usar o azul. Mas isso sempre é quebrado com a presença de Augustus (se você não viu o filme, pule esse parênteses: e não é de se estranhar que o rapaz comece a usar azul quando descobre que seu câncer voltou).

Claro, não é um filme perfeito. Algumas cenas acabam soando açucaradas e irrealistas demais até mesmo para o contexto do filme (sim, me refiro ao ato das pessoas na casa de Anne Frank após verem o casal se beijando). E pela sua extrema fidelidade ao livro (nesse ponto, creio que as fãs do livro não irão se desapontar e deixando claro: me refiro a fidelidade do filme, não a execução das cenas do mesmo) o filme acaba ficando muito preso na estrutura clássica cinematográfica.

Nada que atrapalhe demais o filme, um belo exemplo de romance juvenil (que diferente de tantas produções medíocres, mostra o casal com a mesma importância, e não um cara bonito fodão que faz o que quer com a namorada, cof cof Crepúsculo) que tem como maior trunfo ter um material de origem muito competente.

Nota: 8,0

Você que leu o livro, achou o filme fiel? Que nota dá pra ele? Conta para nós nos comentários!