terça-feira, 6 de maio de 2014

Critica - O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaca de Electro

O Espetacular Homem-Aranha foi um filme que me deixou verdadeiramente nervoso por basicamente recontar a mesma história que o filme de Sam Raimi sem o mesmo cuidado na parte dramática, dramatúrgica e ainda inserindo um dos deus ex-machina mais preguiçosos e ofensivos que já vi na minha vida. Quando escrevi sobre, disse que "[...] ficou claro que Marc Webb (que havia anteriormente dirigido o excelente 500 Dias com Ela e vários clipes da banda My Chemical Romance) não foi a pessoa certa para o trabalho [de diretor]."

Porém, para a minha alegria, ao final de Espetacular Homem-Aranha 2, me encontrei profundamente satisfeito e empolgado. É um filme que está dividindo opiniões na internet e entre meus conhecidos, e posso dizer que estou do lado da defesa. 

Não que o mais novo trabalho de Marc Webb seja perfeito, porque não é. Na verdade, ele tem uma grande parcela de defeitos, e, na verdade, a divisão de opiniões se dá pelo quanto esses defeitos estão incomodando as pessoas e ofuscando as qualidades. Algo que alguém possa ter considerado deplorável, outra pessoa pode não ter se incomodado. Isso prova que, apesar de tudo, o gosto por algo ainda é extremamente subjetivo. Algo que te apetece pode não apetecer ao outro, e é sempre importante cobrirmos nossas afirmações com argumentos, e não simplesmente vomitando razões pouco convincentes ou - pior ainda - julgando algo sem nem ao menos tê-lo visto. 

Mas divago. Enfim, A Ameaça de Electro continua de onde o primeiro filme parou. Depois do incidente com o Lagarto (Rhys Ifans) que levou a morte do Capitão Stacy (Denis Leary), Peter Parker (Andrew Garfield) continua sua relação com a filha do capitão Gwen Stacy (Emma Stone), mas sente dificuldade de permanecer perto dela por temer que algo de ruim aconteça a ela - medo que é personificado na figura do capitão. 

Além disso, Peter continua relativamente ressentido pelo abandono de seus pais, mas continua ajudando sua tia May (Sally Field), contribuindo com seu trabalho de fotógrafo e ainda consegue se reaproximar de seu amigo de infância Harry Osborn (Dane DeHaan), herdeiro da Oscorp. Já pelo outro lado, o adolescente mostra se divertir muito como o Homem-Aranha e continua realizando sua função de herói com um bom humor contagiante, servindo de inspiração para muitas pessoas, sendo uma delas o tímido e socialmente ansioso Max Dillon (Jamie Foxx), o que vai sendo colocado a prova e dificultando a vida do herói à medida em que ele é confrontado por vilões e vai descobrindo mais sobre o trabalho e os motivos pelo sumiço de seu pai Richard Parker (Campbell Scott)

Não, não esse Richard Parker, cara. 
Em seus 142 minutos de duração, o filme consegue narrar sua história com calma - ainda se dando a liberdade de inserir sequências facilmente dispensáveis - e sem correria, o que beneficia o desenvolvimento cuidadoso da relação entre Peter e Gwen, um ponto importantíssimo do filme. Apesar dos receios do protagonista, os dois conseguem estabelecer uma relação complexa e agradável de se acompanhar, o que também se dá graças à excelente química entre Andrew Garfield e Emma Stone. E se, ao escrever sobre o primeiro, já havia dito que "[...] Webb tenta compensar [a falta de profundidade dos personagens] dando um feeling indie de 500 Dias com Ela à dinâmica entre Peter e Gwen, e que muitas vezes funciona, não vou negar", agora isso se mostra ainda mais eficiente. 

Marc Webb também prova aqui seu amadurecimento. Não só melhorando o já satisfatório romance, agora ele conduz as sequências de ação com uma segurança e ambição inegáveis - principalmente na sequência na usina, na qual as torres tornam-se equalizadores gigantes e os golpes de Electro emanam sons diferentes criando músicas (exatamente como é feito com as Bobinas de Tesla) - sem nunca nos confundir em relação ao que está acontecendo na tela, mantendo um excelente controle sobre os eixos da câmera que beneficiam as sequências de maior escala, ainda se dando ao direito de inserir diversos slow-motions e bullet-times. 

Se beneficiando também por abraçar (ao contrário de seu antecessor) uma abordagem mais cartunesca e colorida - e, posso dizer, a fotografia desse filme é absolutamente incrível - sem exagerar e sem cair na armadilha Joel Schumacher, chegando a lembrar muito as séries animadas do Homem-Aranha, principalmente a excelente Spectacular Spider-Man pelas cores fortes e vivas. E essa escolha ajuda muito no desenvolvimento de Max Dillon/Electro, que se mostra fraco por si mas que soa perdoável da forma que é conduzido. O mesmo pode ser dito do Duende Verde, que simplesmente não funcionaria e destoaria da narrativa se esta fosse como foi em O Espetacular Homem-Aranha (que traçava muitos paralelos com o infinitamente superior O Cavaleiro das Trevas).

Grande responsabilidade por esse sucesso vem também do roteiro escrito por Roberto Orci, Alex Kurtzman e Jeff Pinkner, que escaparam da bipolaridade (ou tripolaridade?) do roteiro do primeiro filme que fora escrito pelos experientes (e incompatíveis entre si) James Vanderbilt, Steve Kloves e Alvin Sargent.

Já finalizando de forma corajosa (principalmente se tomarmos em consideração todas as outras adaptações de gibis da Marvel para as telonas - independente dos estúdios que as encabeçam - que são leves em sua grande maioria), O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro ganha minha recomendação e minha eterna defesa. Mas, de novo, o gosto é subjetivo, então vá assistir e tire suas próprias conclusões. 

Nota: 9,0