quinta-feira, 17 de abril de 2014

Critica: Capitão América-Soldado Invernal


No 1o Capitão América, o tema central era a vontade de um jovem em fazer o certo. Mesmo que isso arriscasse sua vida frágil. Em Capitão América: O Soldado Invernal, há uma evolução do tema: Steve Rogers/Capitão América não sabe mais o que é certo. Culminando no clássico questionamento de filmes de espionagem: Em quem depositar a confiança? Válido dizer que para o Capitão América tal questionamento é de suma importância, visto que aqui o personagem ainda não é o líder dos Vingadores. E sim, um homem tentando compreender o mundo ao seu redor. Um soldado (o melhor de todos) seguindo ordens. Mas sem saber se essas de fato são bem intencionadas.

O momento histórico atual não poderia ser mais propício, com a conhecida invasão de privacidade do Governo dos Estados Unidos a trama se encaixa com uma luva. E ver um personagem que veste a bandeira do país não ignorando tais fatos (que se ligam ao 11 de setembro, guerra do Iraque e tantos outros eventos nefastos), é no mínimo interessante.

Claro que essa trama poderia facilmente se tornar um extra estéril, se assim como Homem de Ferro 3 ou Thor 2 o filme investisse nas piadinhas infames soltadas a cada 2 minutos. Seguindo a clássica fórmula: Piada infame+cena com explosão+momento descontraído do herói+cena de ação com apresentação do vilão+queda do herói+acerto de contas=1,2 bilhão de bilheteria em Homem de Ferro 3.

Felizmente, o novo filme do Capitão América não apenas foge das armadilhas da Marvel de fazer dinheiro fácil presentes nos seus últimos filmes como também apresenta a trama mais coesa de toda a série de filmes. Investindo num filme muito mais sério do que todos os filmes da editora, Capitão América 2 funciona para os fãs de quadrinhos e para os que acompanham a trajetória dos Vingadores apenas no cinema.


Um dos maiores medos que eu tinha em relação ao filme era o arco dos quadrinhos que os roteiristas resolveriam adaptar para a história. Visto que por optarem em lançar apenas um filme do Capitão na Segunda Guerra fez com que a Marvel perdesse a chance de produzir filmes mais interessantes (basta ver todo o arco do personagem combatendo o Barão Zemo), os roteiristas só podiam buscar uma fonte confiável: os quadrinhos nos quais a Hidra ressurge. Ou então, apelar para histórias básicas do Capitão América lutando contra traficantes e produzir mais um filme sobre o politicamente correto (o grande problema do 1o longa).

Visto que optaram pela 1a opção, o resultado tem poucos pontos negativos. Além de criar um filme com um ritmo excelente (perceba que nenhuma cena é demasiadamente longa, um truque dos diretores Anthony e Joe Russo de manter o fluir da narrativa e não deixar a platéia entediada), o filme ainda apresenta uma adição muito válida para os filmes futuros do Universo Marvel: o corrompimento da Shield.

Considerando que desde o 1o Homem de Ferro a Shield está presente, saber que grande parte dos seus funcionários na realidade faziam parte da Hidra (uma organização secreta com dois pés no Nazismo) no mínimo faz com que os fãs observem com mais atenção as ações anteriores da organização fictícia (por que será que o Capitão América só foi descoberto nos anos 2000?). E faz com que surja todo um novo arco narrativo no Universo Marvel: a ausência de um padrinho/patrocínio para os super heróis.

Outro questionamento legal do filme é a validade das ações para manter-se a liberdade, um paralelo interessante com os Estados Unidos. Mas perceba que o filme não se contenta em somente fazer a referência a política americana, como em diversas cenas expõe o pensamento clássico de "Os fins justificam os meios". O que me remeteu imediatamente ao final de Watchmen (por mais que seja impossível dizer que seja uma referência ao quadrinho de Alan Moore, visto que este pertence a Dc), e tendo um vilão muito parecido com o Ozymandias do filme de 2009/quadrinho de 1986.




Válido dizer também que por mais que seja o filme mais maduro da Marvel Studios, mesmo assim não escapa de alguns problemas. Um dos maiores: por que um vilão conta todo o plano para o Capitão e para a Viúva Negra? Percebam que ele não era refém (muito pelo contrário), a ação que este ia fazer minutos depois impossibilitava qualquer justificativa de revelar todos os planos a eles, e ainda por cima é no mínimo vergonhoso vermos um vilão explicando todo o seu plano para os heróis.

Outro sério problema do filme (e isso já está presente desde Os Vingadores) é o medo da Marvel de assumir certos compromissos: por que ninguém morre? Em Os Vingadores era pra ser o Agente Coulson (Clark Gregg) que deveria morrer. Para criar um "choque" na platéia, de perder a zona de conforto e para criar mais um motivo para o super grupo enfrentar Loki (Tom Hiddleston). Porém, logo depois é revelado que foi tudo armado e que o personagem estava vivo. Essa fórmula do "morreu mas ESPERA....não morreu não!" é empregada aqui de maneira bastante irritante. Tudo bem, as editoras tem medo de matar um personagem definitivamente nos quadrinhos. Porém, isso é cinema. Tem limites que a suspensão de descrença não consegue suportar (além disso: Sério? Qualquer problema que os herói tem é só abrir um buraco no chão que tá tudo certo?).

Mesmo com alguns problemas, Capitão América: O Soldado Invernal é um bom filme da Marvel. Um dos melhores já feitos, vale dizer. Entra com certeza no top 3 do estúdio (cof, cof: junto com Homem de Ferro, Os Vingadores). Mostrando que com uma boa história, boa ação (todas as cenas de luta são extremamente bem feitas), um bom elenco (Chris Evans aos poucos está se tornando o Capitão América líder dos Vingadores) pode se ter um filme de super herói muito acima da média (cof cof: diferente de Homem de Ferro 3).

E o melhor: mostrando que a Marvel ainda tem muita coisa boa nos futuros arcos narrativos de seus filmes. Se estes forem 10% do que Capitão América: O Soldado Invernal insinua, já podemos ficar satisfeitos.

Nota: 8.0

Ps: repare a referência a Stephen Strange/ Doutor Estranho (que entrará na Fase 3 da Marvel Studios), e as referências a: Batroc o Salteador, Ossos Cruzados (o melhor vilão do Capitão América, ao meu ver), e duas adições para Vingadores 2 presentes na 1a cena pós créditos

Pss: repare o versículo na lápide no final do filme