domingo, 17 de novembro de 2013

Critica: O Vingador do Futuro (2012)




O Vingador do Futuro original foi um filme emblemático do começo dos anos 90, que misturava conceitos de ficção científica sobre realidade de Philip K Dick (um dos autores que Hollywood mais aproveitou conceitos e ideias, só dele já vieram: Blade Runner, Minority Report, O Homem Duplo e indiretamente Matrix) com a direção de filmes de ação do grande diretor Paul Verhoeven. Violência, humor, exageros (todo filme que escala Arnold Schwarzenegger como protagonista aposta nesse elemento) marcaram o filme.

O remake do longa aposta numa abordagem totalmente diferente da história. Mantém-se toda linha narrativa (se compararmos os pontos chaves de cada um dos filmes, veremos que são os mesmos), porém são retirados alguns elementos. Assim: não temos Marte (parte essencial da trama do filme original), mutantes (não temos Klaatu), não temos sangue derramado (ainda há violência, mas tentando não elevar a censura nunca é mostrado sangue, isso quando as vítimas não são robôs), não temos humor.

Nisso a pergunta: Qual é o valor do remake? A resposta: Fazer com que os espectadores assistam o filme original. Não entendam errado, o remake de O Vingador do Futuro aproveita as discussões interessantes do filme original, tem um design de produção incrível, boa ação, um protagonista carismático e um bom elenco. Porém é um filme desnecessário. Principalmente se observarmos o pouco que adiciona nas diferenças entre filmes.





A história é idêntica a do filme original, Douglas Quaid (Colin Farrell aqui, Arnold Schwarzenegger no original) começa a ter sonhos estranhos e a questionar sua vida. Apesar dos protestos de sua mulher (Kate Beckinsale aqui, Sharon Stone no original), ele não esquece isso e resolve ir a uma empresa de implantação de memórias chamada Rekall. Após isso, todos começam a tentar assassina-lo, dizendo que ele é um agente secreto.

É importante dizer que com exceção da história, o filme é diferente em grau e tom. Enquanto o design de produção do original apostava num visual muito mais intimista e exagerado (apostando numa tonalidade vermelha-alaranjada, e em roupas bregas e bizarras), o remake aposta em algo diferente. Emulando filmes como Eu, Robô e Minority Report temos um futuro monocromático dependente da tecnologia. Não há muito espaço para as cores.

Com exceção, dos momentos em que se é questionada a veracidade da situação. Quando Quaid está na Rekall por exemplo: Estaria ele sonhando? O diretor Len Wiseman (que eu não gosto, porém terei que dar o braço a torcer por esse detalhe curioso que o diretor pôs) fez com que em todas as cenas na Rekall tivessem um elemento em cena com uma cor estranha para o cenário do filme. Quase como se fosse um indicador do elemento sonho (o espectador fica tão acostumado com as cores monocromáticas, que é quase surreal ver uma mulher trajando vermelho em determinada cena).

Outra coisa bacana no filme é o universo criado. Temos um mundo similar ao de Blade Runner, com muitas pessoas de etnias e grupos diferentes (Hare Krishnas, judeus, punks, etc) todos vivendo numa sociedade que lembra uma favela High Tech.

Importante dizer também que o filme apesar de retirar o elemento Marte da narrativa original, adiciona um conceito de ficção científica que é tão surreal quanto: O Queda. Um transporte espacial que liga as partes ricas e pobres da realidade do filme. A questão da falta de oxigênio ainda está presente, assim como a luta pelas minorias. Porém, fica muito mais sem graça sem os exageros e o humor do filme original.

Afinal, O Vingador do Futuro foi feito pra ser um filme de ação. E nos anos 80/90 isso resultava num filme com ação, mas com bastante senso de humor (tente assistir Duro de Matar, Predador, Comando ou até mesmo O Vingador do Futuro sem dar algumas risadas: é impossível). O remake peca por se levar a sério demais. Tentando gerar tensão, e assim como no protagonista, tentar gerar a dúvida entre realidade e sonho.




O filme tem um bom elenco, apesar de tudo. Colin Farrell é um ator subestimado, e como sempre entrega um desempenho interessante. Apostando em direção totalmente oposta a "interpretação" de Arnold Schwarzenegger (enquanto o Terminator apostava num homem confiante, Colin Farrell apresenta um personagem com dúvida sobre sua índole). Kate Beckinsale tem uma personagem que mistura a Lori e o perseguidor do filme original (gerando uma atuação interessante, aonde a atriz parece uma exterminadora do futuro, claramente se divertindo). Outro bônus é a interpretação de Bryan Cranston, que poderia apenas replicar o seu Heisenberg (o que não seria ruim), mas que apresenta um Cohageen interessante.

Outra coisa interessante é o respeito que o remake tem pelo original. Temos algumas referências ao longo da narrativa que farão os fãs sorrirem, como por exemplo a famosa mulher de três seios (que é justamente o elo ligador entre a realidade e o sonho, visto que ela indica o caminho da Rekall para Quaid). Ou então, a mulher gorda no metrô. Ainda assim, faltaram os momentos fantásticos (e quando digo fantásticos, quero dizer de fantasia mesmo) como os mutantes e as bizarrices de Marte.

O novo Vingador do Futuro não é um filme ruim. É um filme com um belo visual, um belo elenco, e com ideias interessantes. Só tem um problema neste último: As ideias já existiam no filme original. Ou seja, qual é o mérito deste filme? Apresentar o filme original para uma nova geração? Ganhar dinheiro fácil? Acho que todas as opções estão corretas. Isso não tira o mérito de O Vingador do Futuro, um filme que apesar de desnecessário cumpre tudo o que promete.

Nota:7.0

Ps: A versão do diretor é muito melhor que a original, busque-a