sábado, 23 de novembro de 2013

Critica: The Day of the Doctor


"I've been running away all my life through time and space. Every second of every minute of every day for over 900 years. I fought for peace in an universe at war. Now the time has come to face all the choices I've made in the name of the Doctor. Our future depends on one single moment of one impossible day. The day I've been running from all my life. The Day of the Doctor".

Aviso: Possíveis spoilers da série. 

Em meu atual estado de espírito, eu vou escrever tudo o que me vier à mente. Se você veio até aqui procurando uma crítica de The Day of the Doctor, é porque você realmente tem interesse e garanto que farei o possível para que sua leitura seja agradável. Se não, não precisa nem scrollar até o final da página para saber a nota. Já te digo logo aqui. 10/10. Agora, continuando...

Ver esse filme no cinema, em 3D, foi um privilégio por uma série de motivos. Doctor Who era querido por cada ser humano presente dentro daquela sala. Todos estavam ansiosos, curiosos e nervosos, e isso cria uma atmosfera que te carrega. Se normalmente sou rígido em relação a silêncio na sala de cinema, hoje, quando me dei conta, eu estava, junto com todos os outros, batendo palmas etc. Antes que me critiquem, pensem que são dois pesos e duas medidas. Day of the Doctor no cinema é uma oportunidade única, onde apenas fãs iriam estar lá, onde todos riam, sofriam e vibravam em uníssono e todos queríamos compartilhar nossos sentimentos com aqueles que nos entendem. Não foi apenas um filme, foi um evento, uma comemoração.

Para um grande admirador da série - ainda mais inserido no contexto citado no parágrafo acima - fazer uma crítica imparcial, separando-se de toda a emoção de fã que esse longa tenha causado para, assim, oferecer uma crítica precisa de como o filme é, e não de como eu o vi...

Perdoem-me, mas se teve algo que aprendi em minhas aulas de Antropologia é que é impossível realizar um registro sem uma interpretação. Dito isso, me dou ao direito de ser eu mesmo ao escrever sobre o especial de 50 anos de uma de minhas produções audiovisuais mais queridas atualmente. Garanto que não vou apenas agredir o teclado dizendo incessantemente o quão incrível e maravilhoso é o filme. Tentarei oferecer argumentos que justifiquem minha opinião - afinal, apesar de amar Dragon Ball com todo o meu coração, fiz as ressalvas necessárias ao escrever sobre A Batalha dos Deuses, e não será diferente aqui, apesar de já ter tido que achei o especial digno de 10/10.


Longe de ser um filme isento de fanservice, The Day of the Doctor já logo oferece uma homenagem à série clássica em seus primeiros segundos. Por sorte, o roteirista e comandante atual da série Steven Moffat não comete o erro de bombardear o público com referências em detrimento da narrativa e as coloca de forma extremamente orgânica. Partindo de onde havia acabado The Name of the Doctor, o último episódio da 7ª temporada, que introduzia John Hurt como o Doutor que viveu a Time War e tomou a decisão que caminhou junto com o personagem durante essas 7 temporadas da 'série nova'. O 11º Doutor (Matt Smith) e sua companheira Clara Oswald (Jenna-Louise Coleman) recebem uma carta da Rainha Elizabeth I, e, como prova de que a carta é legítima, é apresentado aos dois uma pintura de Gallifrey em guerra.

Inicialmente usando flashbacks pontuando a narrativa, simultaneamente vemos o Doutor da Guerra (que posiciona-se na linha do tempo da regeneração entre o 8º Doutor - vivido por Paul McGann no filme de 1996 - e o 9º vivido por Christopher Eccleston na primeira temporada da série renovada, cuja regeneração pode ser vista no mini-episódio The Night of the Doctor) prestes a explodir seu planeta para acabar com a Time War, porém a arma que ele utilizará tem uma consciência própria que comunica-se com ele por meio da imagem de Rose Tyler (Billie Piper), a companheira do Doutor durante as duas primeiras temporadas, que o persuade a pensar em sua decisão.


Vemos também, pelos flashbacks, o 10º Doutor (David Tennant) e sua ligação com a Rainha Elisabeth I (Joanna Page). Os três Doutores, então, são unidos por meio de uma ferida temporal e wibbely wobbely timey wimey stuff e devem, assim, defender-se tanto de uma invasão de Zygons (que não apareciam desde 1975 e que aqui revelam-se extremamente desnecessários) quanto da própria escolha que dois deles haviam tomado e o outro estava prestes a tomar.

Unir esses três Doutores não dá espaço apenas para conflitos existenciais, mas também para piadas extremamente efetivas em relação a como um enxerga o outro. Matt Smith e David Tennant dividindo a cena são simplesmente geniais. Eles constantemente se alfinetam, comparam suas Sonic Screwdrivers e criticam-se, e John Hurt rouba a cena diversas vezes por ser um fascinante paradoxo que, apesar de nascido para a guerra, é mais jovem (mas mais maduro mentalmente )e não carrega em suas costas o fardo de ter causado a extinção de seu povo. Constantemente ele faz comentários engraçadíssimos sobre os trejeitos dos dois e a união dos três gera situações incríveis.


Os efeitos especiais - considerados sofríveis por muitos durante as primeiras temporadas - aqui já atingem a perfeição que alcançavam desde a 5ª temporada. É tudo absurdamente bonito, graças também à impecável direção de arte (sempre um ponto fortíssimo de Doctor Who) que sempre enche os olhos com uma iluminação incrível. Os momentos nos quais presenciamos partes da Time War não deixam nada a desejar de filmes como Além da Escuridão ou O Jogo do Exterminador.

Nada, porém, se compara ao clímax que fará todos os fãs sentirem a emoção explodindo de dentro pra fora com uma surpresa absurda logo depois. Não contarei, fiquem tranquilos, sei que nem todos assistiram.

Agora, chegou a hora das ressalvas. Seria muito mais divertido se, além de Tennant e Smith, Christopher Eccleston os acompanhasse. O 9º Doutor é limitado a aparecer em imagens de arquivo, visto que o ator (que apareceu recentemente nas telonas como o vilão de Thor: O Mundo Sombrio) recusou reviver o personagem. Vai entender. E também os Zygons são absurdamente desnecessários e tomam um tempo relativo de tela. Não é entediante como a aparição excessiva de Pilaf mas ainda desnecessário.


Steven Moffat, além de tudo, prepara a série para um rumo incerto e completamente imprevisível de forma exímia (o que, obviamente, resulta em sofrimento por parte de nós, fãs) e dói muito saber que Matt Smith sairá da série no especial de natal The Silence Will Fall e que, depois disso, ainda precisaremos suportar um hiato antes de podermos nos aventurar com Peter Capaldi. Algumas das pessoas também viram indicações de que o 12º Doutor poderia também ser o último e que a série estaria gradualmente caminhando para seu fim. Será? O que você acha?

Mas nós aguentaremos, afinal, já andamos 500 milhas e andaríamos mais 500 apenas para sermos aqueles que andaram mil milhas.

Nota: 10/10