quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Critica: O Segredo da Cabana



O gênero do terror é recheado de clichês. Pergunte a si mesmo quantos filmes com jovens que querem se divertir numa cabana, e acabam lidando com alguma maldição/maníaco homicida/monstro você conhece. Muitos, não é mesmo? Temos um paralelo curioso, pois enquanto hoje a maioria dos filmes que são feitos com estes clichês são absurdamente ruins (O Massacre da Serra Elétrica:o Início, A Casa da Colina, Sexta-Feira 13: O retorno), os filmes do passado que inventaram estes mesmos clichês são reverenciados e amados (com razão).

O Segredo da Cabana (no original, Cabin in The Woods) consegue fazer as duas coisas:Caçoar dos clichês, mas reconhecer a importância dos filmes do passado. O filme foi escrito por Joss Wheddon, nerd fã confesso de filmes de terror (além de ser o criador de Buffy, é também o diretor de Os Vingadores) por isso além de podermos esperar milhões de referências a clássicos do horror, podemos esperar também uma trama bastante criativa.

Que tentarei ao máximo não revelar aqui. Além de tirar o fator surpresa do filme, tiraria também parte da graça de O Segredo da Cabana. Um filme que além de prestar tributo aos clássicos do horror/terror com eficiência e muito sangue, faz algo que muitos filmes de terror não gostam de fazer:Rir de si mesmo.



Em menos de 20 minutos já temos todos os clichês de filmes de terror adolescentes:Jovens bonitos e carismáticos vão para um local isolado (para poder beber e transar a vontade), no caminho encontram um velho que bota medo com trechos de uma lenda, chegam no local isolado e começam a farrear. E aí as coisas começam a ficar estranhas.

Não tente adivinhar nada de O Segredo da Cabana, acredite. Apenas tente ser guiado pelo filme, e lembre-se:Nada é o que parece. A virgindade da "protagonista" (assista o filme e entenda as aspas), a cor de cabelo da gostosa que possivelmente morrerá (cabelo tingido), até alguns elementos de cena presentes (da cabeça de lobo na parede da cabana, até a moto na garupa do carro, tudo tem uma função na narrativa).

É interessante perceber também como que o filme consegue mesclar dois elementos tão presentes nos filmes de terror:O medo, e o riso. Tome por exemplo a cena na qual a já citada gostosa loira falsa, começa a dançar e a beijar a também já citada cabeça de lobo. Apenas pela forma com a qual a cena é filmada, a tensão já começa a surgir no espectador. Esperamos que em qualquer momento aquela cabeça de lobo tome vida, e arranque um pedaço da cara da personagem. Porém, como eu já disse, nada é o que parece,




O humor também é bastante presente, as vezes de forma bastante sutil (a bela referência a The Evil Dead quando um dos personagens comenta a forma estranha com a qual o alçapão se abriu) outras de maneira bastante galhofas (o destino de um personagem quando ele resolve fugir e pedir ajuda, uma gag que só pode ser incluída por uma cena no início do filme na qual um pássaro tem o mesmo destino).

Essa oscilação de gêneros é presente o tempo todo, porém um aviso aos mais sensíveis:Mesmo tendo momentos muito engraçados o filme ainda é um terror. Com muita violência, sangue, tripas, etc.




Vale dizer que o momento em que O Segredo da Cabana mais brilha é no seu terceiro ato, na qual as referências a filmes clássicos de horror se tornam mais claras (explícitas até). O que fará qualquer fã do gênero ter diversos orgasmos. Apenas uma pequena lista de filmes que são referenciados:The Evil Dead, Hellraiser, O Massacre da Serra Elétrica, Nosferatu, A Bruxa de Blair, Madrugada dos Mortos, A Múmia, Grito de Horror, Jogos Mortais, Ringu, etc. Isso não é nem metade da lista de filmes referenciados, para se ter uma ideia.
Curiosamente, essa série de referências que o filme faz além de ser a cereja do bolo, é também o momento mais absurdo/galhofas do filme. O que combina perfeitamente com o que a produção queria abordar:Humor e terror.

O Segredo da Cabana é um filme muito divertido. Mesclando humor, terror, uma trama absurda e genial consegue ser um dos filmes de terror mais originais dos últimos anos. Um caso que tanto a produção quanto o público estão fazendo uma ação em comum:Rindo muito.

Nota: 8.5