segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Critica - Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses


Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses é menos um filme em si e mais uma viagem de nostalgia. Desde 2002, em Dragon Ball Z: Batalha nos Dois Mundos (ao qual tive o privilégio de assistir no cinema quando era pirralho), não víamos Goku, Vegeta e os outros personagens em uma tela grande aqui no Brasil. 

Foi com imensa empolgação que A Batalha dos Deuses teve seu lançamento anunciado aqui nas nossas terras, trazendo todo o elenco original de dublagem (cuja falta foi um dos responsáveis pelo fracasso do 'reboot' Dragon Ball Kai por aqui) e um roteiro original que não faz o menor esforço para se colocar dentro da cronologia da série, podendo ser livremente assistido sem que o espectador se preocupe em ligar os pontos. Obviamente, apenas os fãs que assistiram tudo poderão desfrutar das constantes (e, na maioria das vezes, extremamente eficientes) piadas e referências à toda a série, incluindo até brincadeiras com Dragon Ball GT, Hey! Son Goku and Friends Return e aparições de personagens que há muito tempo já tinham ficado no passado e que renderão boas surpresas. 


Infelizmente, A Batalha dos Deuses jamais atinge seu potencial. Como eu já havia dito, as piadas são ótimas - e o humor é uma característica essencial da criação de Akira Toriyama - mas a maior delas, que são as batalhas colossais com cortes ágeis e destruições massivas ficou em segundo plano. 

Depois de dormir por décadas, Bills, o Deus da Destruição, desperta e alega ter sonhado com um arqui-inimigo: um Super Saiyajin Deus. Para investigar e averiguar se tratava-se de uma premonição, ele vai à Terra junto com seu assistente Whis. Lá, todos os personagens comemoram o aniversário de Bulma, e Bills se dá o direito de ficar na festa e comer um pouco. E por um motivo divertidíssimo que não contarei para não estragar a quem for assistir, o Deus da Destruição se irrita e resolve destruir todo o planeta com seu imenso (acreditem quando eu digo: IMENSO) poder e resta a Goku e seus amigos impedir que isso ocorra. Para isso, eles deverão descobrir o que é o Super Saiyajin Deus e como podem trazê-lo para lutar com Bills.



É de fato uma premissa descompromissada e extremamente apropriada para uma homenagem e para tentar resgatar a essência do que um dia foi Dragon Ball. É uma pena que nem sempre o filme seja divertido, causando um tédio imenso em certas partes devido ao desenvolvimento excessivamente lento da primeira metade, que, apesar das boas piadas, gasta tempo demais em certas situações que poderiam facilmente durar menos. Talvez tal irregularidade na narrativa possa ser justificada pelo fato de ser o primeiro longa do diretor Masashiro Hosoda, que conduz o roteiro de Yusuke Watanabe (que roteirizou diversas adaptações de qualidade irregular, indo do ótimo 20th Century Boys, passando pelo bom Gantz e decaindo na péssima série Mirai Nikki). A segunda metade já é mais ágil e é mais centrada na ação.

Ação que empolgaria mais se fosse melhor conduzida por Hosoda (que não deve ser confundido pelo experiente Mamoru Hosoda). Em poucos momentos inspirados (como a perseguição voadora em meio à cidade ou o Kamehameha de Goku no pequeno planeta do Senhor Kaiô) vemos aquilo que amávamos quando éramos menores. Outro pecado cometido pelo filme é encerrar a ação em um final extremamente anti-climático que poderia ter sido contado de forma muito superior. 


Mesmo com todos esses defeitos, A Batalha dos Deuses merece ser visto (no cinema!) pela nostalgia. Afinal, é difícil para um fã como eu evitar a viagem no tempo causada por simples frases como "Oi, eu sou o Goku!", "Seu verme!" ou "FUUU-SÃO, HAAH!". Ouvir de novo a voz dublada de todos aqueles personagens já é um privilégio. Em uma tela grande ainda? Quase me fez ignorar os defeitos da obra de Hosoda.

Mas jamais deixo de sentir que poderia ter sido MUITO melhor. Agora é só esperar e torcer para que esse filme faça sucesso e dar continuidade para essa franquia que proporcionou momentos inesquecíveis a tanta gente.

Dragon Ball não pode morrer. Nunca. 

Nota: 6,0.