domingo, 15 de setembro de 2013

Critica: Rush




Rivalidades são temas bastante recorrentes no cinema. De tempos em tempos, surgem filmes falando sobre dois personagens que tentam superar um ao outro numa obsessão doentia. Filmes como O Grande Truque, Cisne Negro. Esportes também são temas fáceis no cinema, de tempos em tempos surge um filme sobre esportes com moral um tanto piegas.

Rush consegue juntar os dois em um só filme (que não é pegas). Falando sobre a rivalidade real entre Niki Lauda (interpretado por Daniel Brühl), e James Hunt (Chris Hemsworth). Pilotos de fórmula 1 que desde cedo competiam entre si. Chegando a um ponto aonde não era importante a vitória em si, apenas ter se saído melhor que seu rival.
O filme é dirigido por Ron Howard, um diretor que já fez diversos filmes baseados numa história real. Rush surge como a síntese de todos estes filmes:Temos grandes atuações (como em Uma Mente Brilhante), uma bela reconstituição de época (como em Apolo 13), momentos de ação tensos (como em A Luta Pela Esperança).

Além de ter um belo estudo de personagens, belas atuações, um roteiro bem escrito, Rush tem como maior triunfo o seu ritmo. Fazendo com que mesmo o espectador que não gosta de Fórmula 1 não consiga desgrudar os olhos da tela. Rush não é em momento algum chato, monótono ou cansativo. E não pode ser considerado como um filme de ação.




O filme já começa muito bem estabelecendo de forma primorosa os seus personagens. A cena em que surgem os personagens pela 1a vez, os mostra em situações que refletem muito a alma de cada um:Hunt é visto tirando fotos ao lado de modelos, sorridente e bebendo. Já Lauda é mostrado dentro de seu carro, pensativo e quieto.

Niki Lauda é austríaco. Seu lema poderia muito bem ser "É melhor ser temido do que ser amado", pois sempre é sincero demais (o que acaba fazendo com que não tenha amigos) e porque não liga de ser solitário. É um exímio piloto, e conhece a mecânica dos carros como ninguém. É importante dizer que por ironia do destino o lema do austríaco se tornou literal, pois após um acidente seu rosto ficou desfigurado. Tornando se uma horrenda visão. Mesmo antes do acidente, era considerado feio. Semelhante a um rato (devido aos seus dentes).

James Hunt é inglês. Um inglês nos anos 70, por isso é extremamente baladeiro, beberrão, feliz e furioso (não é a toa que muitas bandas inglesas como The Who, Sex Pistols surgiram nos anos 70). Não conhece muito a técnica das corridas, e não pensa muito nas consequências de seus atos. Seu lema poderia muito bem ser "Viva e deixe morrer". Mesmo assim, teme a morte. Da forma com a qual faz sexo, da forma com que fica bravo (e devido ao seu longo cabelo loiro), é chamado de leão.

Esse medo da morte está presente durante toda narrativa. Primeiramente na questão sexual, afinal naquela época não eram conhecidos os malefícios da aids e pilotos como Hunt faziam sexo o tempo todo (mesmo assim o filme faz questão de ressaltar o perigo, a 1a mulher com quem o inglês transa é uma enfermeira). E secundariamente (mas não menos importante) nas corridas.

Cada um dos pilotos lida com esse medo da morte da sua forma. Niki Lauda sempre lembra que tem 20% de chance morrer toda vez que entra no seu carro (um caixão com rodas, como diz um personagem ao longo do filme). Já James Hunt vomita antes de cada corrida. Durante um momento tenso, o inglês vai para o lado e vomita no chão. Não é nenhuma malefício médico, o que ele está vomitando é o medo. Para que assim, possa correr no estilo "viva e deixe morrer".




Até mesmo nas composições de cena podemos perceber o perigo próximo, em determinado momento por exemplo Hunt está ouvindo no rádio sobre um acidente que aconteceu na corrida. Ele está com roupas com uma característica:Completamente vermelha. Ele é o único elemento em cena com cores quentes, o que o destaca. Tornando assim a sua figura semelhante a um alvo. Uma nova possível vítima de acidentes futuros.

É importante dizer que Rush consegue conquistar até mesmo quem não é fã de esportes/Fórmula 1. É um filme sobre personagens, não sobre prêmios. Por isso, muitas vezes não vemos a corrida física. E sim o que isso trouxe para o personagem. Mesmo assim, temos muitas cenas de corrida.

Que são muito bem coordenadas, muito fluidas e extremamente realistas. Isso devido a incrível equipe de dublês do filme, e devido a fotografia de Anthony Mantle. Que filma as cenas com um filtro que simula filmagens da época. Como se tudo fosse filmado pelas câmeras que filmavam as corridas. O que confere realismo, e mais relevância para a história (não parece que estamos vendo atores, e sim as próprias figuras históricas).


Rush é um excelente filme histórico. Com um excelente estudo de personagens, tecnicamente falando perfeito, e com ótimos atores. Se o filme tem algum problema, este seria os esteriótipos dos personagens estrangeiros.
Me refiro aos italianos (que somente gesticulam, falam do seu primo Mario e são idiotas), e brasileiros. Apesar do filme ter a coragem de por o idioma oficial de um personagem estrangeiro, quando este fala (ao invés de por todos falando em inglês). Nada que prejudique muito este fantástico filme.

Nota: 9.0