quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Critica: Jobs





Um filme contando a vida de Steve Jobs não é novidade no cinema, em 1999 foi lançado Piratas da Informática. Filme que contava a história da Apple e da Microsoft, mostrando desde o inicio da criação das empresas. Com seus respectivos criadores (Steve Jobs e Bill Gates) sendo mostrados sem medo de criar uma má impressão na platéia. O filme Jobs tem como mérito ir mais além na história do visionário Ceo da empresa que criou o I-Pod (o filme Piratas da Informática terminava quando Steve Jobs voltava a trabalhar na Apple, soava desatualizado).
Este é o único mérito de Jobs, que por mais que seja muito bem produzido para um filme independente (o orçamento do filme é ridículo se comparado a grandes cinebiografias como Ray, ou Walk The Line), ainda soa extremamente artificial. Culpa do roteiro, e do seu ator protagonista:Ashton Kutcher.

Antes de eu continuar, gostaria de dizer que não sou fã do "ator". Notaram as aspas? Pois é. Não acho que o intérprete de Steve Jobs no filme seja digno suficiente de ser chamado de ator, na grande maioria de seus filmes seu personagem nada mais é que uma variação de Michael Kelso. Seu (extremamente estúpido, infantil, e quase retardado) personagem na série That 70's Show. Recentemente, Kutcher tenta ser levado a sério. É um dos Twitters mais populares do mundo, tem produzido muitos programas (além de ser o novo protagonista da série Two and a Half Men). Mesmo assim, a minha opinião é a mesma:Como ator, Ashton Kutcher é um ótimo modelo de chapéus. 





Podemos perceber um tom bastante familiar a um espectador mais atento de cinema, em Jobs. A fotografia lembra muito o estilo de A Rede Social. Filme de David Fincher que abordava a criação do Facebook, e as rupturas entre seus criadores de forma autêntica e com muita competência. Além de uma também inspirada trilha sonora (Simon e Garfunkel, Cat Stevens e Joe Walsh só pra começar). Porém as comparações acabam por aqui:Enquanto A Rede Social é um dos filmes mais verborrágicos dos últimos anos e jamais deixa o espectador perder o foco, Jobs muitas vezes soa desinteressante, e pior:Incompleto e falho.

Isso porque o roteiro do filme em diversos momentos flerta com fatos da vida de Steve Jobs, mas depois simplesmente joga de lado. O que dizer do súbito corte que há entre o personagem renegar sua filha Lisa, mas sem mostrar uma cena de reaproximação entre os dois, os vemos juntos quando Jobs é idoso? Na certa haviam filmado a tal cena, porém a fim de não deixar o filme mais longo cortaram a cena na edição.

Nada mais, nada menos que vergonhoso. E isso não acontece apenas uma vez, mas diversas vezes. Súbitas mudanças na relevância do personagem Wozniak, nas namoradas do protagonista. Honestamente, o único momento que é realmente competente e sem problemas de edição é o período da faculdade do personagem.

Além da atuação de Ashton Kutcher. Juro que entrei no cinema tentando deixar de lado meu ódio pelo ator, porém ao me deparar inúmeras vezes com seus maneirismos (o tom de voz extremamente mais alto para dar mais relevância a algo que é falso, ou o seu jeito hiperativo) tive muita dificuldade em separar o ator do personagem. Claro, tem momentos em que os problemas somem. Quando Jobs está calado, observando as empresas rivais, vemos ali o semblante do mito. O ator emagreceu para o papel, e isso confere mais similaridade ao papel.  Porém isso some quando o ator abre a boca e desanda a falar, ai acaba tudo.





Jobs tem um elenco secundário competente, uma boa produção, uma belíssima direção de arte (incrível como se pode retornar a uma época utilizando um orçamento reduzido). Porém poderia muito mais. O grande preenchimento da lacuna de Piratas da Informática. O grande problema de Jobs? Ashton Kutcher. Ator protagonista e produtor do filme. 

Mais triste ainda perceber que a grande maioria do público que irá ao cinema, não irá por querer conhecer mais sobre Steve Jobs. A grande maioria será meninas adolescentes que querem conferir o mais novo trabalho de um de seus colírios favoritos. Steve Jobs criaria um novo produto só para evitar isso.

Nota:6.0