domingo, 29 de setembro de 2013

Critica: Elysium





Neil Blomkamp surgiu em Hollywood três anos atrás, com seu Distrito 9. Filme baseado no seu curta (Ao Vivo de Joanesburgo) que misturava ficção científica e comentário social. O filme foi feito de forma relativamente independente, e teve bastante repercussão. O que foi o suficiente para que um estúdio apadrinhasse o diretor sul-africano e produzisse seu novo trabalho, a nova ficção científica com comentário social:Elysium.

É curioso constatar que mesmo com apenas 2 filmes no seu currículo o diretor já consiga imprimir um estilo característico nos seus trabalhos, afinal se percebermos, tanto Distrito 9 quanto Elysium parecem ser passados no mesmo universo. Temos um mundo realista futurista, aonde temos tecnologia avançada. Porém, esta é extremamente gasta e enferrujada. Como se todo o mundo fosse o resto de um lixão. Em Distrito 9 isso se devia devido a situação da África do Sul, em Elysium isso se deve pelo êxodo dos ricos.

Elysium tem uma história que lembra muito Wall.E (sim, a animação da Pixar), e alguns dos melhores filmes de zumbis já feitos. A situação na terra ficou tão insustentável que os ricos migraram para uma espécie de planeta chamado Elysium. Aonde não há doenças, problemas ambientais, etc. Deixando os pobres na Terra, sofrendo sem comida e batalhando para sobreviver. Porém um homem (Matt Damon) tentará chegar a Elysium.

Apesar de ter uma ideia interessante (assim como Distrito 9), Elysium é um filme claramente inferior. Apostando em velhos clichês, arcos dramáticos desinteressantes e pior:Com medo de ousar.






Antes de mais nada, vale dizer que o elenco do filme é fantástico. Matt Damon exibe a competência de sempre assim como Jodie Foster. Porém quem chama atenção mesmo é o elenco secundário, que consegue brilhar sempre que surge. E não me refiro somente a Wagner Moura, mas também a Sharlto Copley (vindo de Distrito 9), Diego Luna e tantos outros. Cada um abordando o papel que lhe foi dado com firmeza, e entregando uma interpretação sempre fantástica.

O maior destaque claro é Wagner Moura, que abraça o papel do coiote com a mesma intensidade com que abraçou o papel de Capitão Nascimento ou Zero (de O Homem do Futuro). Visualmente fascinante (as suas tatuagens me lembram muito o personagem de Robert De Niro, em Cabo do Medo) e extremamente importante pra narrativa (ainda temos traumas de Rodrigo Santoro em As Panteras). Além de em diversos momentos usar a sua nacionalidade a favor do personagem (o momento em que solta um bastante sonoro "Porra, caralho").Tomara que sua interpretação aqui abra os olhos dos produtores de Hollywood, e que vejamos Wagner em outros filmes.

Porém, mesmo com um elenco fascinante e uma ideia boa Elysium se compromete. Temos um terceiro ato froxo e absurdamente previsível (pense em todos os filmes que você já viu sobre meteoros) que pensa ter ensinado uma lição de moral aos espectadores. Mas que na verdade só os deixou pensando em quão clichê foram as últimas cenas. Além do roteiro que faz questão de explicar em minúcias tudo que surge em tela (se aparece uma nave em tela, logo vemos alguém dizendo "A nave apareceu!", e por aí vai). Como se fossemos idiotas para não concluir certas coisas.

Outra coisa bastante condenável em Elysium é o fato de se levar a sério demais. Em Distrito 9, tínhamos a crítica social porém ainda tinhamos o humor. Em diversos momentos o filme não se levava a sério, quase flertando com o trash (a cena em que o traficante tem a cabeça explodida, ou o alien mijando). O que funcionava como um aliviador de tensão.
Elysium é tão sério, tão sério na sua lição de moral ambiental que em alguns momentos me perguntei se o filme era patrocinado pela Onu, ou por alguma Ong.

Ainda que tecnicamente fascinante, com um elenco extraordinário e com uma ideia interessante (o que pode ser ótimo para um filme, como diria Glauber Rocha "Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça"), Elysium soa em muitos momentos desinteressantes e clichê.
O que ironicamente faz uma rima curiosa com o lugar aonde os ricos se isolam na narrativa, afinal Elysium por fim nada mais é que um filme artificial.
Nota:6.0