domingo, 18 de agosto de 2013

Critica: Caça aos Gangsters




É muito estranho quando se gosta de algo que mais ninguém gosta:Uma pessoa, uma banda, uma música, um filme. No caso dos filmes é mais ruim ainda, pois os filmes são marcados pelas críticas que recebem, que podem taxa-lo eternamente com uma impressão (precipitada ou não).

Esta introdução serve apenas para ilustrar o contexto que Caça aos Gangsteres se encontra, um filme que todos os críticos detestaram (eu até agora fico muito impressionado, literalmente nenhum crítico gostou do filme), e que (surpreso) gostei. Sou fã confesso de filmes de gângster e de filmes noir. Adoro clássicos como O Falcão Maltês, Alma no Lodo e também de filmes como Los Angeles Cidade Proibida e Inimigos Públicos. Por isso, quando o trailer de Caça aos Gangsteres (Gangster Squad no original) foi lançado fiquei muito animado.

O trailer mostrava uma reconstituição fantástica da época, um ator consagrado como vilão se divertindo muito (o grande Sean Penn), violência cartunesca, visual estilizado, frases de efeito, boas cenas de ação. Além de diversas referências a grandes clássicos do gênero (a mais óbvia de todas, Os Intocáveis de Brian De Palma). Fora o fato de ser um filme de Ruben Fleischer, diretor da comédia Zumbilândia (filme pelo qual tenho um carinho imenso).

Assistindo ao filme não sai decepcionado, é tudo aquilo que o trailer mostrava. Uma grande homenagem aos clássicos do gênero de Gangster, e um bom filme para quem não conhece tais filmes mas quer conhecer. Ainda que o filme siga alguns rumos previsíveis.





O filme se passa na cidade de Los Angeles dos anos 40, mais especificamente a época em que Mickey Cohen (Sean Penn) reinava como um rei. O ex-boxeador judeu era um sociopata, e não tinha problemas em matar quem entrasse no seu caminho. Gerando assim uma onda de criminalidade absurda na cidade dos anjos, assim a última parte da polícia que não é corrupta resolve criar um grupo a fim de acabar com o reinado de Mickey Cohen.

Esta é basicamente a história do filme, que você irá perceber que guarda muitas semelhanças com Os Intocáveis. Filme que conta uma história similar, só que passada em Chicago (e com o objetivo de prender Al Capone). Além do fato de termos personagens do grupo (o chamado Gangster Squad) que tem funções similares com os personagens de Os Intocáveis.

Temos o líder com um senso de justiça inabalável (o grande ator Josh Brolin), o policial que vem das periferias (Anthony Mackie), o novato (Michael Pena), o especialista em equipamentos (Giovanni Ribsi), o policial com métodos nada ortodoxos (Ryan Gosling), o policial mais velho e experiente (Robert Patrick).
Uma das principais críticas que os críticos fizeram era que os personagens não tinham dimensão, eram restritos a suas funções no grupo.

Agora eu pergunto:Em Os Intocáveis era diferente? Exceto por Malone (Sean Connery) e Elliot Ness (Kevin Costner) os personagens eram bem desenvolvidos? Não, não eram. Eram mostrados de forma até mais superficial que os coadjuvantes de Caça aos Gangsteres. Ainda temos de similaridades a violência cartunesca e gráfica, e a clara influência do Western (o personagem de Robert Patrick é um sósia do xerife Wyatt Earp).




Existiu um preconceito muito grande pelo filme, porque os críticos disseram que a trama era muito clichê, os personagens eram pouco desenvolvidos, e que a história não decidia se era realista ou não. Meu objetivo aqui nesta crítica é rebater todas essas críticas.

A começar pela tal trama clichê:O objetivo do filme era fazer uma homenagem ao gênero do filme de gangster. Como Zumbilândia fez com com o gênero dos filmes de zumbi (exceto que Caça aos Gangsteres não é uma comédia). Por isso é proposital o fato do filme ter clichês, ou então okay. Vamos criticar clichês, dessa forma todos os outros filmes de gangster que a produção homenageia são ruins. Acho que não, não é?

Em relação ao realismo Vs caricatura do filme, em momento algum a história se propõe a ser realista. Desde o início podemos perceber que a história não quer ser como um Inimigos Públicos de Michael Mann (filme que segue a história real assiduamente). Um exemplo disso são as execuções dos inimigos de Mickey Cohen (Sean Penn). Todas absurdamente exageradas e gráficas. Não seria mais fácil só dar um tiro na cabeça do cara? Não, não teria o mesmo impacto. Esse princípio também está presente em outro filme de máfia bastante adorado pelos críticos, o clássico Scarface.

Claro, não irei dizer que é um filme perfeito. No terceiro ato a morte de um personagem x era extremamente previsível, e não é uma homenagem aos filmes da época. Isso sim, é um clichê. A fim de tentar trazer algumas lágrimas no rosto do público, o filme entra num sentimentalismo barato e depois simplesmente esquece da morte daquele personagem (espera, mas e os filhos dele?).





Mesmo assim, essa cena não estraga o filme. Que pode facilmente entrar na lista de melhores filmes de gangster dos anos 2000, e que pode facilmente entrar na lista dos melhores filmes de ação de 2012. Muito bem elaboradas pelo diretor Ruben Fleischer, as cenas são muito empolgantes e conseguem deixar o espectador tenso (usando um elementos simples para isso, como na cena de Chinatown aonde há um garoto atirando estalinhos).

Além de contar com uma bela reconstituição da época, efeitos especiais muito bem feitos (muitas vezes para tornar a cena mais verossimel com a época, tirando elementos visuais dos tempos de hoje), e um belo elenco (todos estão muito bem nos seus papeis). Mesmo assim preciso ressaltar um integrante do elenco, o grande ator Sean Penn. Fazendo uma mistura de Tony Montana (Al Pacino) com Al Capone (Robert De Niro), o ator consegue assustar com seu Mickey Cohen. Mostrado desde o início como uma ameaça séria (filmado no início socando um saco de boxe, quase como um leão faminto na sua jaula), Mickey Cohen pode facilmente entrar na lista de grandes vilões de 2012.

Ainda conta uma boa direção de Ruben Fleischer, que surpreende ao por no filme um longo travelling que acompanha o personagem de Ryan Gosling do lado de fora de uma boate, entrando nela, retirando o casaco, conversando com muitas pessoas. Tudo sem cortes, e filmado de forma muito fluida.

Caça aos Gangsteres é um filme que cumpre o que prometia, que consegue criar cenas de ação empolgantes e tensas (ouviu Mercenários 2? Filme de merda), e que ainda consegue homenagear diversos filmes clássicos de gangster e do gênero Noir (Chinatown, Scarface, Bugsy, L.A Confidential, Os Intocáveis, Dália Negra, Os Bons Companheiros, Crepúsculo dos Deuses).

Tudo isso só comprova uma coisa (e que muitos críticos não concordam):Caça aos Gangsteres merece sim ser assistido.


Nota;8.5