domingo, 11 de agosto de 2013

Critica: Circulo de Fogo (Doki Edition)


Guillermo Del Toro é um gênio, e qualquer um que disser o contrário não merece atenção. Afinal, não é qualquer um que consegue criar universos tão detalhados, ricos e fantásticos de forma tão absurdamente convincente. Se um filme não consegue convencer o espectador de que aquilo que ele transmite é real, ele simplesmente não funciona - seja um filme de comédia romântica, um drama ou um filme de super-heróis. A verossimilhança é essencial para a sétima arte. E ao assistirmos a um filme de Del Toro, somos automaticamente tragados para dentro daquilo que ele cria. Ele nos faz acreditar que monstros e pessoas pirocinéticas existem. Ele nos convence de que fadas, faunos e criaturas fabulescas e mórbidas tiveram lugar na Guerra Civil Espanhola de 1936 e outras coisas que normalmente seriam inimagináveis.

E Círculo de Fogo não é nada diferente disso. Um filme feito com imensa paixão por alguém que aparentemente admira e muito obras que envolvem monstros e robôs gigantes e as homenageia de forma extremamente orgânica e funcional de modo a enriquecer a obra. Obviamente, espectadores mais 'iniciados' não perceber que nem tudo aquilo é inteiramente novo. É difícil não lembrar do Godzilla de Ichirou Honda e principalmente da maravilhosa série de animação japonesa Neon Genesis Evangelion (as semelhanças da obra de Del Toro com a do estúdio Gainax já era motivo de debate desde o primeiro trailer).


Mas nada disso desmerece a incrível experiência que é Círculo de Fogo, que se utiliza te tais elementos para criar uma coisa que faltava no Cinema: Um filme extremamente sincero e que abraça a aparente babaquice de sua premissa (Robôs vs Monstros) para nos entregar um filme incrível que merece ser visto por todo mundo, independente da idade.

Nos introduzindo aos acontecimentos empregando de forma eficiente a narração em off, o filme nos conta que a vida alienígena, ao contrário do que todos pensavam, veio não do espaço mas de uma fenda dimensional que fica no fundo do Pacífico. Dessa fenda, monstros chamados pelos humanos de Kaiju começaram a emergir e a causar o caos e a destruição em todo o planeta. Mesmo quando abatidos, outros surgiam, e foi para contra-atacar e acabar com essa ameaça de monstros que os humanos criaram 'seus próprios monstros': Os Jaegers, robôs gigantes que além de serem pilotados por humanos, estabelecem com eles uma ligação neural para 100% de eficiência. Apesar de não explicitado, quando o Jaeger sofre danos, o piloto sente na pele. O que diferencia o Jaeger de um Evangelion é que o primeiro deve ser pilotado sempre em duplas, já que a carga neural é muito pesada para uma pessoa só, precisando assim ser dividida.


O personagem principal é Ikari Shin- quer dizer - Raleigh (Charlie Hunnam), um excelente piloto que conseguiu carregar o Jaeger sozinho para a praia depois da morte de seu parceiro e irmão Yancy (Diego Klattenhoff). Após o ocorrido, ele se afasta, mas se vê comprometido a voltar visto que os ataques estão ficando cada vez mais frequentes e os Kaijus cada vez mais poderosos. Assim, ele forma dupla com a também traumatizada Ayanami Re- quer dizer - Mako Mori (Rinko Kikuchi) e parte para cima dos monstros.

E é basicamente isso. Basta para que sejamos engolidos pela fascinante criação de Guillermo Del Toro, que se preocupa até em construir os mínimos detalhes da anatomia dos Kaiju, órgão por órgão. Porém, o que mais me fascinou em Círculo de Fogo foi a inteligência com a qual o diretor e também roteirista desenvolve os seus personagens. Os flashbacks não são como os flashbacks tradicionais. Já que é necessária uma conexão neural entre os pilotos e o Jaeger, um pode literalmente observar de forma extremamente vívida a memória do outro, como se estivesse ali no meio do momento de trauma. Existem também sequências de memórias mais rápidas, na qual vemos de relance as etapas da vida dos pilotos em meio a uma fotografia azulada e efeitos especiais extremamente lindos.



Mas, claro, o forte aqui é a ação. Os Jaegers são robôs extremamente pesados e a agilidade dos mesmos jamais se compara à de um Transformer (só pra efeito de comparação, já que a trilogia de Michael Bay é insignificante), e por isso Del Toro não se segura ao mostrar o impacto de um belo soco em um Kaiju. Também, as batalhas em momento algum são incompreensíveis, conduzidas de forma extremamente eficiente  e permite que você veja tudo apesar das muitas coisas que acontecem simultaneamente na tela.

A fotografia do filme é linda como seu design de produção, tornando aquelas batalhas extremamente artísticas. Em alguns momentos cheguei a quase levantar de minha poltrona e aplaudir o maravilhoso trabalho, tão detalhado e torna-se quase poesia em dado momento, onde as cores do céu tomam uma mistura quase surreal de roxo, azul e amarelo.


É muita coisa a falar sobre Pacific Rim, e peço perdão caso eu tenha divagado muito. É um filme que provoca essa empolgação, que faz saltitar aquela criança interior que assistia Power Rangers na Fox Kids e Gundam Wing no Cartoon Network, e que deve ser vistos tanto pelas crianças de hoje quanto pelos marmanjões, afinal, é uma obra quase universal que vai extrair a mais sincera e pura nostalgia de todos aqueles que se permitirem viajar por mais um incrível universo que leva Del Toro no cargo de diretor.

Só é uma pena que o Jaeger japonês não apareça no filme. Sou só eu que ligo automaticamente Japão a Robôs Gigantes?

E, ah, antes que eu me esqueça: Assista a esse filme no IMAX 3D se possível.


Nota: 10/10