sábado, 27 de julho de 2013

Critica: Wolverine Imortal




A franquia X-Men sugiu em 2000, quando o diretor Bryan Singer (Os Suspeitos) resolveu adaptar o famoso quadrinho de Stan Lee para os cinemas. Investindo numa trama bem feita, boa ação, atores competentes e fidelidade aos quadrinhos, o filme foi muito bem recebido. O grande destaque do filme porém, foi o carisma de Hugh Jackman e seu personagem:Wolverine. Que fisicamente estava bem distante da versão dos quadrinhos (o personagem nos quadrinhos mede 1,60 m de altura e é bastante peludo, quase como um Tony Ramos), mas que trazia a essência do personagem.

Sendo assim, após mais dois filmes dos X-Men (formando a trilogia clássica) surgiu o filme solo do personagem com garras de adamantium, o X-Men Origens:Wolverine. Que se revelou como um filme de ação ridículo, investindo em um roteiro sem lógica, com personagens sobrando e que ainda por cima não era fiel aos quadrinhos. Não é necessário dizer, que os fãs dos quadrinhos (e a crítica cinematográfica) detestaram o filme.

Assim, 4 anos depois surge Wolverine Imortal. Filme que conta uma aventura solo do personagem, mas que se passa depois de X-Men:O Confronto Final. Ou seja, Wolverine (Hugh Jackman) está abalado por ter matado sua amada Jean Grey (Famke Janssen) sendo assombrado por seus demônios (que surgem na forma da falecida). Porém após ser chamado por um conhecido de seu passado, Wolverine vai para o Japão. Aonde descobre que há uma possibilidade de torna-lo mortal.

O filme é baseado no quadrinho "Eu, Wolverine", escrito por Frank Miller. Que se passa no Japão e que tem muitos personagens presentes no filme. O que torna a adaptação interessante em alguns pontos.







Uma das melhores coisas do filme é justamente o fato de se passar no Japão. Wolverine sendo um personagem extremamente selvagem, sem auto-controle e com muita raiva se vê como um peixe fora d'água na terra do sol vermelho. O Japão é também a terra da disciplina, do controle e da ordem. Assim, o contraste que temos com o personagem, é eminente.

Além de trazer a tona a essência do guerreiro. Um guerreiro só deseja uma coisa na sua vida:Ter uma morte honrada. O que cria um paralelo interessante com o personagem Yashida. Que iria morrer quando Nagazaki estava sendo bombardeada em 1945, se Wolverine não o tivesse salvado. Interessante notar também, que Yashida poderia ter morrido de outra forma também:Se suicidando. Como os seus superiores fizeram quando viram que a derrota era certa (desde a época dos Samurais, o guerreiro japonês tem como costume se matar/abraçar a morte quando vê que irá ser derrotado, mais por um fato:Por ter falhado).

Assim Wolverine retira a morte honrada de Yashida, que quer dar de volta a mortalidade pro personagem. A tal morte honrada. Ainda mais curioso se percebermos que Wolverine é um Ronin:Um samurai sem mestre.

Porém, vale dizer que mesmo Wolverine Imortal sendo bem melhor que X-Men Origens:Wolverine, ainda assim é um filme bastante irregular.





Não temos um número muito alto de mutantes em tela, o que faz com que o problema de muitos personagens inúteis em tela seja eliminado. O grande problema do filme é o plano do vilão. Apostando numa trama que vai se revelando até o fim da narrativa, o filme esquece de responder diversas perguntas. A importância de deixar Mariko viva por exemplo (não há razão nenhuma, os vilões podiam muito bem ter deixado a menina ser morta pela Yakuza, do que gastar milhões de soldados para salva-la, esse erro se mostra bastante berrante se analisamos o final do filme).

Ou então o velho clichê de termos uma revelação "bombástica" no final. Por que as aspas? Porque a revelação não muda absolutamente nada na trama, e era bastante previsível. O que traz a tona um outro problema sério do filme:A falta de densidade de alguns personagens.

Enquanto nos quadrinhos tinhamos o personagem Samurai de Prata como um dos personagens mais interessantes da narrativa (era alguém que tinha a essência do Wolverine, porém com os elementos japoneses-honra, ordem, respeito- acima de tudo, um nêmesis com Wolverine), no filme o personagem se limita a ser uma simples armadura que quando manuseada por um personagem X, vira uma espécie de Pseudo Inimigo do Homem de Ferro (sim, tem a mesma relevância de um robô capanga).

Além da falta de importância da personagem Mariko. Eu já falei, mas tenho que repetir:Por que essa mulher é tão especial no filme? Ela não faz nada, não se revela uma personagem interessante, não é inteligente nem nada. Mesmo assim, todos a salvam, ela recebe a herança da empresa da família (sendo que ela foi escolhida a dedo por isso). Porém o filme nunca revela o porque dessa importância toda.




Ainda assim, Wolverine Imortal é um filme divertido. Se você quer um filme de ação bacana (a cena do trem-bala é bastante empolgante), com um personagem principal carismático, vá assistir o filme. Que ainda traz um elo de ligação com o próximo filme dos X-Men (que se chamará X-Men:Days of a Future Past).

Porém se você é um fanático por quadrinhos, extremamente xiita, ou então alguém que se irrita facilmente com filmes de ação cheios de furos, evite Wolverine Imortal. O protagonista do filme pode até ser imortal, mas o cérebro do espectador não. Por isso, evite filmes assim. Mantenha seu cérebro com um Q.I bom. Em outras palavras: Vá assistir X-Men Primeira Classe.

Nota: 7.0