domingo, 7 de julho de 2013

Critica: Guerra Mundial Z



Zumbis muitas vezes são utilizados como metáforas sociais. Para o preconceito humano (A Noite dos Mortos Vivos), o consumismo (Despertar dos Mortos), a guerra fria (Dia dos Mortos), a falta de amor num casal (Todo Mundo Quase Morto). Guerra Mundial Z quer criticar a superpopulação humana, não é a toa que um dos países aonde ocorre uma das melhores cenas do filme, seja a Índia.

A diferença entre Guerra Mundial Z e os outros filmes de zumbi que citei, é bem simples: A descrença. Em momento algum os filmes de zumbi que citei se levavam realmente a sério, por mais que a tensão fosse absurda, os sustos fossem contantes, nunca a situação era realmente levada a sério (a prova disso, a sequência de O Despertar dos Mortos, aonde os zumbis ficam subindo e descendo na escada rolante do shopping). Guerra Mundial Z se leva a sério demais, mais do que a platéia leva a sério a trama.

Diante de situações ridiculamente falsas, é muito estranho um filme desses se levar a sério. Como por exemplo, uma sequência num avião, aonde todos os passageiros são mortos (devido ao arrombamento de uma porta), porém o único sobrevivente ser Brad Pitt. Não acontece uma despressurização, nada.




Para começar, o filme é baseado num livro escrito por Max Brooks. Filho do comediante Mel Brooks, podemos imaginar que por mais que o livro tenha sim um tom sério, ainda há um tom de paródia implícito. Li o livro alguns anos atrás, e me diverti horrores. Max Brooks brincava com os clichês de filmes de zumbis, com filmes de guerra, ficção científica. E assumindo, que tudo era uma grande brincadeira. A adaptação do livro não tem humor, não tem nada que remeta a filmes de zumbis antigos. Parece mais uma versão do filme 2012 só que com zumbis.

Algumas coisas que colaboram para o fracasso da produção, além do já citado dramalhão que o filme faz:

1o:Falta de sangue

2o:Zumbis feitos por computação gráfica.

Em relação ao 1o:O filme não tem nenhuma cena de violência pesada, nem sangue, nem gore, nada disso. Aparentemente existe uma versão do filme sem cortes, porém os produtores do filme resolveram pesar a mão, e cortar toda violência do filme. A fim, é claro, de fazer com que o filme pegue uma censura Pg 13. Que permite a entrada de pré adolescentes no filme. A falta de violência em tela, em alguns momentos é perdoável (quando por exemplo um personagem do grupo é pego pelos zumbis, e está sendo devorado, mas o grupo segue correndo, não é necessário mostrar a violência). Porém em outros chega a ser ridículo, me refiro claro a cena na qual um braço é arrancado (por um machado), e a câmera desvia do ferimento.

Se vocês querem mostrar a intensidade do ferimento, por favor mostrem ele! Porque senão o ferimento do personagem é tão relevante quanto uma picada de inseto. Além do que, pelo amor de Deus:É um filme de zumbis! Tem que ter violência, tem que ter tripas, sangue falso, coisas nojentas, cenas pesadas. Senão não é um filme de zumbis! Até mesmo Zumbilândia, filme que aqui no Brasil era pra 14 anos, tem violência. E é um filme voltado para adolescentes.





O que nos leva para o outro problema do filme: Zumbis de computação gráfica. Eu sempre repito que uso exacerbado de computação gráfica/cgi sempre deixa as coisas mais falsas e artificiais. Basta ver filmes que usam sangue de cgi, ou então muitas criaturas de computação. Um exemplo claro disso: Homens de Preto 2.

Em Guerra Mundial Z, os computadores estão ali pra criar verdadeiras massas de zumbis, que podem escalar muros, destruir casas, etc. Mas o resultado fica muito falso, em momento algum levamos em conta a veracidade daquilo.

Para se ter uma ideia, as criaturas de Eu Sou a Lenda eram muito mais bem feitas do que as de Guerra Mundial Z. E olha que as de Eu Sou a Lenda não era lá grandes coisas....

(os momentos nos quais surgem atores com maquiagem de zumbis, são eficientes)




Apesar desses pontos negativos, é um filme bem feito. Brad Pitt consegue atuar bem como o pai de família que se vê diante de uma situação tensa, o filme tem boas cenas com planos aéreos, tem uma produção eficiente.E se a minha nota abaixo soa estranha, é porque de fato World War Z em alguns momentos consegue brilhar. A tensão é construída de maneira muito eficiente. Memórias de ataques terroristas vem a memória com facilidade, o último filme de ficção que havia conseguido resultado semelhante foi o Guerra dos Mundos de Spielberg.

Além claro da direção de Marc Forster, que funciona muito bem em sequências como a passada em Jerusalem.

Mas isso é um detalhe de um filme com muito melodrama, que se leva a sério demais, com efeitos de computação gráfica medianos, e sem violência alguma. Se era para fazer um filme de epidemia, sem violência e que se leva a sério, deveria ter feito algo como o Contágio, do diretor Steven Soderbergh. Não um filme de zumbis,e serei bem honesto: é um pecado fazer um filme de zumbis sério demais.

Nota: 7,0