quarta-feira, 26 de junho de 2013

Filmes de Paul Thomas Anderson

Pouco conhecido no Brasil, Paul Thomas Anderson é a maior revelação entre os diretores, de sua geração. Mesma geração, da qual vem diretores como: Quentin Tarantino, David Fincher, Guy Ritchie, Kevin Smith. Ser o melhor diretor de uma geração, com tantos nomes respeitados, é uma grande honra.

Para quem não sabe, Paul Thomas Anderson é um diretor que fez pouquíssimos filmes. Até o momento, apenas seis filmes. Cada um desses filmes, uma obra prima. Por que?

Devido ao roteiro (sempre escrito pelo diretor), pela sua direção (chegando a fazer travellings, que duram mais de 8 minutos ás vezes), pela direção de atores (tirando o máximo das suas emoções), pelas ligações entre os personagens que cria (remetendo ao grande mestre, Robert Altman). Mas a verdade, é que por mais que eu descreva, é impossível falar 1% do que é assistir a um filme de Paul Thomas Anderson.

Outra característica dos filmes de Paul Thomas Anderson, são seus personagens. O diretor os filma com um carinho, uma compaixão, que parece que a câmera irá em algum momento, os abraçar. Nunca um personagem é filmado com preconceito, ou é julgado.
Basta assistir Boogie Nights, um filme sobre a indústria pornô (e consequentemente, atores pornôs) e em momento algum, sentimos preconceito por aqueles personagens.

Todas essas características, curiosamente, são comuns a outros dois grandes diretores, que são conhecidos como grandes mestres hoje em dia:Stanley Kubrick (diretor de 2001:Uma Odisseia no Espaço) e Terrence Malick (diretor de A Árvore da Vida).




Hoje, dia 26 de Junho, é aniversário do diretor, que faz 43 anos. Muito mais novo, do que Malick e Kubrick quando foram reconhecidos pela crítica cinematográfica.

Neste post, irei listar meus três filmes favoritos do diretor. Uma tarefa difícil, sendo que todos os filmes são incríveis (todos mesmo).


Boogie Nights:

Com clara influência de cineastas, como Martin Scorsese, Boogie Nights é além de um filme sobre a indústria pornô, uma grande homenagem aos anos 70. Passando pelas suas luzes neons, patins, filmes de kung fu (o personagem de Mark Wahlberg, é fã dos filmes de Bruce Lee), ficções científicas (em determinado momento, o personagem de John C Reilly diz: "Dizem que me pareço com o Han Solo"), vhs, Boogie Nights está para anos 70, assim como Os Bons Companheiros está para Máfia.

Aliás, este último filme, é chave para entender Boogie Nights. Em ambos os filmes, vemos décadas se passando e os personagens mudando, temos travellings o tempo todo (chegando ao ápice, na cena em que a câmera atravessa toda a festa do diretor, passando pela churrasqueira, entrando na piscina, entrando na cozinha, sala:Tudo sem cortes), atuações incríveis e uma trilha sonora genial. Boogie Nights é um clássico moderno.





Magnólia

Magnólia é um filme sobre a vida. Essa coisa tão frágil (como a flor Magnólia), que nos une e que pode acabar a qualquer momento. E que ainda sofre coisas estranhas, que podem ou não ter uma interferência divina. Se em Boogie Nights, Paul Thomas Anderson tinha influência de Martin Scorsese, em Magnólia a influência clara é Robert Altman.
Com narrativas múltiplas, diversas conexões, impecavelmente filmado, elenco sensacional (reparem nas atuações de Tom Cruise e Juliane Moore) e um final polêmico, Magnólia é um filme que você odiará, ou amará. Felizmente, me enquadro no segundo grupo. Apenas assista um dos maiores épicos do cinema (sendo que não há batalhas, não se passa na antiguidade, apenas um filme sobre a vida), e tire suas conclusões.






Sangue Negro (There Will Be Blood)

Sangue Negro é meu filme favorito. Tentarei aqui não ser muito tiete do filme, mas a verdade é que neste trabalho Paul Thomas Anderson se superou. Sangue Negro é um grande conto sobre o capitalismo, sobre a ganância humana, sobre a relação pai e filho, sobre a solidão, radicalismo religioso e principalmente:Sobre o trabalho. Contando com uma atuação assustadora de Daniel Day Lewis, Sangue Negro mostra como Daniel Plainview (seu sobrenome significa algo como "visão simples") prospera com o petróleo, e se vê adentrando perigoso, numa cidade na qual um pastor chamado Eli (Paul Dano) exerce pleno poder. Ambos são homens sem boas intenções, e a força dos dois irá se chocar.

Na visão de Plainview, tudo se consegue se você trabalhar muito. Mas, sem ligar para família, ou nas suas condições físicas. Deve haver sangue no seu suor (como diz o título original, There Will Be Blood). Mostrando uma das maiores atuações de todos os tempos, uma das melhores cenas finais da história do cinema ("i drink your milkshake"), mais uma vez uma direção incrível (os 20 minutos iniciais do filme, não tem falas, apenas sons e grunhidos) e abordando temas tão ricos em discussão, Sangue Negro é espetacular.