quarta-feira, 19 de junho de 2013

Critica: O Grande Gatsby




Devo avisar logo de início, que não li O Grande Gatsby. Não li o famoso livro de F Scott Fitzgerald (infelizmente), nem vi o 1o filme baseado no livro (dirigido por Francis Ford Coppola, e estrelada por Robert Redford e Mia Farrow). Por isso, não irei fazer uma crítica da nova adaptação do livro, comparando sua visão, com o livro, nem com o filme de Coppola.

O Grande Gatsby é um filme de Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge e Romeu+Julieta. Se você assistir o trailer do filme, perceberá que não era necessária essa minha introdução. Apenas a escrevo, porque O Grande Gatsby consegue ficar ao lado dos bons filmes do cineasta australiano. Para um diretor, que cometeu uma atrocidade como Austrália, acreditem:É um grande avanço.

Desde o equívoco filme (no agora distante, ano de 2008) estrelado por Nicole Kidman e Hugh Jackman, no qual tentava fazer uma homenagem ao seu país de origem (além de tentar misturar filme histórico, romance, épico, western, drama na mesma produção), Baz Luhrmann não fazia um filme. De 2008 para cá, muita coisa aconteceu. Avatar revolucionou os efeitos especiais, muitos atores conseguiram reinventar sua carreira, e a mais importante de todas as novidades:A tecnologia 3d havia chegado.

O 3d é a melhor coisa de O Grande Gatsby. Filme que utiliza uma variada paleta de cores na fotografia e figurinos (o que torna a experiência do 3d mais confortável para os olhos, diferente do causador de dor de cabeça:Transformers 3, uma das causas para tal efeito colateral no espectador, justamente o tom monocromático), utiliza camadas diferentes para dar a sensação de profundidade (repare para começar, a sequência de créditos iniciais, e vai perceber o que estou falando).

A tecnologia 3d tem um atrativo a mais em O Grande Gatsby, por um simples detalhe:Baz Luhrmann. Um diretor que cria sequências de festa/dança/músicas absurdamente agitadas e contagiantes nos seus filmes. Não é preciso ser um gênio para perceber tal coisa, basta assistir Moulin Rouge. Em O Grande Gatsby, Luhrmann investe mais ainda nas suas sequências de festa:Dezenas de figurantes dançando (todos trajados elegantemente), anos 20 (perceba a influência do Jazz na trilha sonora), os mais inusitados e agitados ângulos de câmera (como o agora clássico, no qual filma-se duas mulheres dançando uma de frente para a outra, com a câmera acima delas, dando a impressão de que os bailes de Gatsby são como raves, mesmo se passando nos anos 20).



Vale dizer que, se há uma coisa que Gatsby herdou de Austrália (que não seja insuportável), foi não ser um musical. Por mais que, assim como Moulin Rouge, seja um filme de época com músicas contemporâneas, O Grande Gatsby não é um musical. Não vemos personagens cantando as músicas pop da trilha sonora, não há exatamente uma lógica na trilha que está sendo ouvida com a ação x em tela.

Ainda assim, vale dizer que O Grande Gatsby tem uma trilha sonora fantástica. Trilhas de artistas como Will.I.Am, Florence and The Machine, Jack White, Lana Del Rey (essa, junto com Florence, tem uma das melhores músicas do filme). Dificilmente o espectador sairá do cinema, sem querer ouvir ao menos uma das trilhas em casa (para quem está curioso, pode ouvir a trilha sonora aqui, mas ressalto, fica muito melhor no cinema)

Outro grande destaque no filme, são os efeitos especiais. Sem jamais soarem falsos (é preciso muito cuidado para que o uso abusivo de Cgi, não fique falso em tela), os efeitos trazem de volta a Nova York dos anos 20 com eficácia. E muita música, vale dizer. Fãs do período (fãs da série Boardwalk Empire, também estou falando com vocês) irão adorar o filme.

Como vocês podem ter percebido, os aspectos técnicos de O Grande Gatsby são impecáveis. Mas agora, o mais importante:O Roteiro.




Como eu já disse, não li o livro de O Grande Gatsby. Não sei até onde o roteiro foi fiel ou não, por isso me corrijam se eu estiver falando alguma besteira abaixo.

O filme começa muito bem. A primeira metade do filme é incrível, Baz Luhrmann usa e abusa dos seus característicos movimentos de câmera surtados (quase como se a câmera estivesse num avião, dando um rasante num prédio, o que na verdade é apenas manipulação de imagem da câmera e computador), o elenco está fantástico, o roteiro cativa muito (devido ao mistério da pergunta: Quem é Gatsby?).

Além de é claro, o show a parte das festas de Gatsby.

Quase fazendo o espectador começar a dançar no meio do cinema, as festas do personagem Gatsby (Leonardo Di Caprio) fazem os shows de Can Can de Moulin Rouge, e os bailes da família Montéquio de Romeu+Julieta ficarem no chinelo. Me pergunto como que o diretor conseguiu filmar tudo aquilo, conseguindo coreografar múltiplas câmeras e dançarinos no mesmo tempo, de modo que em tela fica de fato empolgante.




Ainda assim, da metade para a frente, o filme entra num drama que não se torna muito interessante o espectador. Vale dizer: O problema não é o drama que os personagens estão passando, mas a forma como é mostrado. Criando o famoso "melodrama". Que nada mais é, que um drama que não interessa o espectador, mas o aborrece.

Para ter uma pequena ideia do quão monótono e chato é:Pense nas partes entediantes de Moulin Rouge e Romeu+Julieta. Agora adicione os anos 20, pronto:O drama de O Grande Gatsby.

Outro problema, é a falta de objetivo de alguns personagens. Os personagens Nick (Tobey Maguire) e Jordan (Elizabeth Debicki), enquanto com a segunda cria-se uma expectativa pela aura noir da personagem (que logo é frustrada, pela sua falta de utilidade no filme), com o 1o chega a ser incômoda a falta de ação no filme. Sendo que ele é o narrador, ele que seria um dos protagonistas.

Mesmo assim, tenho que dar o braço a torcer. Mesmo ás vezes mal aproveitado, O Grande Gatsby tem um elenco incrível. Em especial Leonardo Di Caprio.

O 1o tem um arco narrativo fantástico, que culmina com a sua obsessão pela "luz verde". O fato de ser verde, revela muita coisa. Verde é a cor no sinal que indica "siga em frente", justamente a política de Gatsby (em determinado momento o personagem fala "Minha vida deve ser assim", e levanta seu indicador para cima). O fato de o personagem ter uma ligação forte com seu carro amarelo (uma representação do personagem, repare que quando Gatsby se mete em um problema que pode estragar sua reputação, logo vemos uma cena do personagem lavando o carro) não é coincidência. O carro é justamente a representação da vida falsa e da camada que Gatsby criou.




O Grande Gatsby é um bom filme, tendo o mérito de entrar na lista de filmes com bom 3d (ainda assim, não chega aos pés de Hugo Cabret), e da lista dos bons filmes de Baz Luhrmann. Um diretor que comete excessos, mas que inegavelmente tem muito talento. Espero que assim como indica a luz verde de Gatsby, a sua carreira continue subindo e subindo.

Nota:8.0