quinta-feira, 21 de março de 2013

Critica - Oz: Magico e Poderoso

Se tem uma coisa da qual não posso reclamar em Oz é sobre sua qualidade visual. Afinal, seu time técnico inclui nomes como Scott Scotdyk (supervisor de efeitos especiais na trilogia Homem-Aranha), Troy Saliba (supervisor de animação dos bons A Casa Monstro e Stuart Little 2), Diana Ibanez (produtora de efeitos especiais em Superman - O Retorno) e Francisco DeJesus (premiado por seu excelente trabalho no ruim Alice no País das Maravilhas de Tim Burton). Todos veteranos em trabalhar com efeitos visuais, então podemos esperar isso de Oz.
Roteirizado por David-Lindsay Abaire (do excelente Reencontrando a Felicidade) e por Mitchell Kapner (do horrível Mergulho Radical 2), Oz: Mágico e Poderoso nos conta a história do Mágico de Oz, servindo como uma prequela dos eventos narrados pelo clássico livro de L. Frank Baum ou do filme de 1939 (servindo também como uma sutil homenagem). Oscar Diggs/Oz (James Franco) é um mágico do Kansas fracassado porém talentoso, mas que é dotado de uma personalidade inescrupulosa, já que não hesita em seduzir mulheres e muito menos em tentar sair com uma grana na mão de onde puder. Ao fracassar em uma apresentação, ele foge em um balão de ar quente, que acaba sendo atingido por um furacão que o leva até a terra de Oz.

Lá ele já é conhecido como "O mágico da profecia", que salvaria aquela terra da bruxa malvada e libertaria o povo de seus abusos. Então Oz parte nessa aventura - esperando arranjar uma grana de alguma forma - e acaba conhecendo pessoas e mudando seu jeito de ser.

Uma pena que esse filme sofra absurdamente na mão de seu roteiro, que apenas soa bobo na grande maioria do tempo e cria pouquíssimos personagens cativantes, e também não hesita em mastigar tudo o que tá acontecendo para o público mais jovem - que aparentemente é o público-alvo desse filme, ignorando os fãs mais antigos do filme de 39 ou do livro - mas sem se conter na hora de enfiar plot twists tão previsíveis que é difícil inclusive fingir surpresa. E, apesar de ser dirigido pelo ótimo Sam Reimi, este apresenta problemas sérios na hora de conduzir a narrativa, que ora é rápida, ora para, ora é lenta, e chega a criar um clímax excessivamente longo - o que não seria um problema se ele não fosse aborrecido. Pra falar a verdade, a impressão que tive foi a de que Reimi não estava ali dirigindo por vontade própria.
E o mesmo posso dizer dos atores. No ótimo elenco formado por Franco, Mila Kunis, Michelle Williams e Rachel Weisz, praticamente todos estão atuando no piloto automático. Se Mila Kunis não se esforça pra dar qualquer dimensão a sua personagem, Weisz não encontra um meio-termo entre a inexpressão e o artificial. Michelle Williams se salva conferindo uma leve doçura a Glinda (mas em um trabalho que jamais deixa que nos lembremos de suas excelentes performances em outros filmes como Sinédoque Nova York, Ilha do Medo ou Namorados Para Sempre). James Franco até diverte, mas também sem muita dedicação. O destaque fica para Zach Braff (da série Scrubs) e Joey King (de papeis pequenos em outras produções), que apenas com o trabalho de voz criam os melhores personagens do filme.
É também uma pena que o filme tenha sofrido de tantos problemas autorais - já que apesar de fazer homenagem ao filme de 39, a Disney não possui os direitos do mesmo, tento que se ater exclusivamente ao que há no livro. Ou seja, nada de sapatinhos de rubi e outras coisas.
Alguns podem dizer que o fato do roteiro ser tão fraco é exatamente pelo motivo de se esforçar tanto pra traçar um paralelo com o filme de 39 e não ter como por causa da restrição autoral. Mas eu digo que não é justificativa. Um roteiro ruim é um roteiro ruim e ponto.

Em 26 de Abril de 2010 escrevi uma crítica de Alice no País das Maravilhas no meu finado blog, e em um trecho escrevi assim:

"[...]o filme é ABSURDAMENTE LINDO visualmente. A direção de arte e os efeitos são simplesmente impecáveis, tanto nos cenários quanto na cabeçona da vilã. O problema é que, como já havia dito, o filme não nos emociona nem fascina, então o que resta ao espectador é justamente o visual. Ah, isso sem falar da excelente trilha sonora composta pelo Danny Elfman."

E agora, quase 3 anos depois, sou obrigado a me auto-quotar, porque, é EXATAMENTE isso o que tenho a dizer de Oz (tirando a parte da cabeçona da vilã, já que a Rainha Vermelha não faz nenhuma participação aqui). A trilha sonora também é do Danny Elfman, e também é excelente.

Nota: 4,0/10