terça-feira, 5 de março de 2013

Critica: Dezesseis Luas


Logo no começo você já percebe a qualidade impecável de Dezesseis Luas. A trilha sonora tá lá, fazendo quando seu trabalho, quando a narração em off do protagonista invade o som, obrigando a trilha a abaixar de volume para que ele possa falar, pra, logo depois, no fim do monólogo, ela voltar com o volume original. Quem entende UM POUQUINHO de edição sabe o quão pedestre é isso - o que me leva a crer que o filme foi todo montado em um programa de edição de imagem (que geralmente permitem uma manipulação basicona do som), já que a mixagem é praticamente inexistente durante toda a projeção.

Mas okey, logo veremos que esse não é o único problema. Adaptação de um livro (que nem li e foda-se) escrito pelos autores Kami Garcia e Margaret Stohl, Beautiful Creatures nos conta as confusões da pesada de Ethan Wate (Alden Ehrenreich), um garoto que está indo para o 3º colegial e tem como ideal abrir as asas e voar pra longe da cidadezinha caipira, religiosa e sufocante de Gatlin. É então que Lena Duchannes (Alice Englert) se muda para a cidadezinha e passa a frequentar a mesma escola que ele, e ela não é bem recebida pelos colegas, já que sua família é conhecida por estar relacionada a desastres e possivelmente também com o próprio demônio. O protagonista, porem, há meses sonhava com essa garota que ele não conhecia e agora pôde conhecer, adquirindo um amor obsessivo e imensurável pela garota. O que ele não sabe é que ela é a caçula de uma família de Conjuradores e que em breve ela deverá passar por um ritual que determinará se ela seguirá pelo caminho da Luz ou das Trevas sem que ela tenha escolha na decisão, e seu novo interesse romântico terá um papel importante nessa história.


Confesso que não achei o enredo ruim. Pelo contrário, achei interessante e vejo um potencial ali que jamais tem a permissão de brilhar por conta de um roteiro extremamente aborrecido, personagens que não cativam jamais, atuações ruins por parte da maioria e por situações chatas que são prolongadas por tempo excessivo - como o 'duelo' de magia ao redor de uma mesa de jantar, entre diversas outras.

Nenhum dos protagonistas têm capacidade de carregar um romance. A química entre eles é inexistente, ninguém consegue uma carga dramática, todo mundo parece aborrecido. O conceito de magia do filme é mal-explorado, já que o roteiro nos dá a ideia de que existem vários tipos de Conjuradores com habilidades específicas mas jamais ficamos sabendo exatamente qual é a diferença já que todos parecem fazer exatamente a mesma coisa.


Como se não bastasse, Dezesseis Luas insiste no clichê do 'amor' como a maior magia de todas e sempre que uma informação relevante precisa surgir para que a história ande, a narrativa é pausada pra que os personagens exponham descaradamente tudo o que você precisa saber. E mesmo tomando a escolha mais fácil de 'contar ao invés de mostrar', o roteiro conta com diversos furos e, pra piorar, tem plena consciência desses furos mas não faz um mínimo esforço pra cobri-los. Vou dar um exemplo (e já aviso que não reproduzirei o diálogo exato palavra por palavra):

Le
na - Meu tio Macon (Jeremy Irons) era das Trevas, mas escolheu estar do lado da Luz por mim
Ethan - Se ele escolheu, por que você não escolhe?
E a resposta é impe-fucking-cável:
Lena - As Conjuradoras não podem escolher. Não sei porque.
Exatamente. O roteiro nem tenta arranjar qualquer explicaçãozinha babaca ou adaptar alguma outra parte pra fazer com que essa merda tenha sentido (Macon poderia facilmente ser da Luz - já que não há diferença alguma - e a classificação poderia continuar sendo contra a vontade). E isso revela inclusive um machismo inesperado, já que ela diz especificamente que só as mulheres não têm poder de decisão algum em relação a isso, e continua assim até o final, visto que toda e qualquer ação que desencadeia numa mudança no destino de Lena é completamente externa e pouco depende dela.

Com um clímax fraquíssimo - do qual o protagonista nem participa inclusive - Dezesseis Luas é aborrecido do primeiro minuto até o final, revelando um possível fundo do poço para o diretor/roteirista Richard LaGravenese (que roteirizou os ótimos As Pontes de Madison, Escritores da Liberdade e Água para Elefantes e também dirigiu o ruim P.S. Eu te Amo).

Eu sinceramente espero que esse siga o caminho de outras adaptações horríveis como Eragon e A Bússola de Ouro, que nem ao menos tiveram sequências. Como Dezesseis Luas faz parte de uma série de 4 livros, ainda temos risco de termos 3 sequências para esse engodo. Eu espero que não, mas se ocorrer, eu espero que sejam menos horríveis do que esse primeiro.

Nota: 1,0/10