quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Critica: O Lado bom da Vida


O Lado bom da Vida tinha um enorme potencial de ser um drama psicológico excelente, já começando pelo excelente começo da projeção, na qual somos apresentados ao personagem de Bradley Cooper, um protagonista que sofre de "transtorno bipolar", reações extremamente imprevisíveis e também uma inocência infantil cativante. Chegando a incluir umas sequências pesadas, como a na qual o protagonista agride fisicamente os pais ou a visão de suas memórias do "incidente" (que logo citarei). Porém, infelizmente, o roteiro de David O. Russel baseado no livro de Matthew Quick (que não li, falando nisso) joga todo esse potencial fora ao transformar O Lado bom da Vida em uma comédia romântica extremamente clichê e feel-good.

Patrick Solatano (Bradley Cooper) é um homem extremamente amargurado, recém liberado de um instituto mental depois de 8 meses de tratamento. A presença do jovem causa impacto nos pais, que inicialmente se demonstram inseguros de falar com eles, em um comportamento extremamente amedrontado. Então, em uma visita regular ao terapeuta Dr. Cliff Patel (Anupam Kher), descobrimos que a razão de sua internação foi a de que, um dia, ao surpreender a esposa Nikki (Brea Bee) no chuveiro com um amante, Patrick perdeu o controle e quase mandou o homem ao hospital. Agora, disposto a se redimir, tenta consertar o relacionamento com a esposa, agora impedido por uma ordem de restrição. É assim que ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma jovem viúva também perturbada que oferece ao protagonista ajuda com a esposa em troca de participar de um concurso de dança com ela.

Talvez depois dessa sinopse você já conclua um provável desfecho para essa trama. Quem adivinhar certo ganha um pirulito. Pegue um aqui embaixo.

Exatamente, provavelmente já deu pra perceber o conflito de identidade que destrói O Lado bom da Vida. Como descrevi, um filme que seria um potencial drama psicológico, depois de um tempo vira uma comédia romântica previsível e boba, desperdiçando excelentes atuações. Bradley Cooper sempre se mostrou um bom ator mas não havia até então feito um papel que exigisse um esforço real, e Patrick é a prova de que ele realmente sabe atuar. Com maneirismos extremamente precisos de uma pessoa problemática e bipolar, o ator ilustra sua agonia com maestria, junto com sua infantilidade e dá credibilidade ao fascinante personagem, que ora está nervoso mas que, em questão de segundos, esquece isso e já fica feliz apenas por receber um pequeno presente ou pelo reconhecimento de alguém em relação à sua perda de peso.

O mesmo pode ser dito de Robert DeNiro, que há muito tempo não atuava com vontade, aqui interpretando o pai de Patrick, que é também um homem supersticioso e que é responsável pelo melhor momento de todo o longa, no qual ele, aparentemente com emoção, se abre com o filho, mas que jamais deixa claro se sente aquilo mesmo ou se queria apenas usar de um maniqueísmo pra induzir o filho a fazer o que ele deseja.

Uma pena que, na maior parte do tempo o filme se concentre em situações extremamente artificiais, cheio de diálogos expositivos que escancaram a natureza dos personagens (e Tiffany, a personagem de Jennifer Lawrence, é a maior encarregada desses diálogos sofríveis e preguiçosos).

E se pouco disse sobre Lawrence, uma atriz que admiro muito, acho extremamente competente e bela, é porque sua personagem é a menos desenvolvida, apesar de ter potencial. E também é uma pena que a todo o tempo ela seja encarada como uma "vadia" por seu passado, em um julgamento pretensioso e machista do roteiro.

Mas, como disse, O Lado bom da Vida sofre de conflitos sérios. Apesar de jogar no lixo suas boas ideias, ainda merece créditos por elas. Fora que, mesmo com todos esses problemas, o filme consegue fazer o espectador sair da sala de cinema feliz (apesar de que o filme seria muito melhor se a proposta fosse o contrário disso) e conta com momentos 'fofos'.

Não assisti aos 9 indicados ao Oscar de Melhor Filme, mas já tenho um sério candidato à minha categoria pessoal de "Se ganhar, eu me mato".

Nota: 5/10