quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Critica: Detona Ralph


Em Junho fiz um post sobre o trailer Detona Ralph, e logo já mostrei grande empolgação, dizendo "O filme parece ser mais um presente ao público gamer. Uma mistura de Scott Pilgrim, Megamente e Disney".

De certa forma eu estava errado, afinal, Detona Ralph não tem muito de Megamente e o logo da Disney e o Mickey em Steamboat Willie em suas formas pixeladas é a única coisa a lembrar Scott Pilgrim ( o logo pixelado da Universal Studios). Detona Ralph é um filme inovador e criativo que se sustenta criando um rico universo particular sem precisar mimetizar nenhum outro filme.


O longa dirigido por Rich Moore - que até então havia dirigido apenas alguns episódios de Os Simpsons e muitos de Futurama, entre outros projetos menores - se passa em um fliperama, na qual, depois que o lugar fecha, todos os personagens de todos os jogos tomam suas personalidades reais, encontram-se, interagem e inclusive podem visitar outros jogos pela Estação de Jogos, uma enorme estação de trem na qual os trilhos são os fios que ligam todas as máquinas. E o personagem principal é Detona Ralph (voz de John C. Reilly), vilão de um jogo chamado Fix-It Felix Jr., onde é sempre derrotado pelo mocinho e jogado de cima do prédio que sempre destrói. O problema é que, depois que o jogo acaba, Ralph mostra-se como um sujeito solitário e que não é mau, apesar de temperamental e cabeça quente, e não é aceito pelos outros personagens de seu jogo mesmo sendo parte importantíssima dele (afinal, sem o vilão, o que seriam dos jogos?)

É então que ele resolve sair de seu jogo pra tentar provar que pode ser o mocinho, e vai para o jogo Hero's Duty atrás de uma medalha, porém, devido a um problema, Ralph acaba transferindo os vilões dali para o inofensivo jogo de corrida Sugar Rush, deixando todos daquele mundo em perigo, inclusive a pequena Vanellope Von Schweetz (voz de Sarah Silverman), uma garotinha inocente, fofinha e solitária como o personagem-título. 

E personagens originais incríveis é o que não faltam. Detona Ralph é um ótimo protagonista, que jamais soa artificial em suas decisões e consegue passar sua solidão, enquanto é impossível resistir à fofura de Vanellope (e, consequentemente, também é impossível não sentir o pesar dos conflitos vividos por ela dentro do próprio jogo), enquanto Conserta Felix Jr. conquista por ser divertido. Mas o destaque real é a Seargent Calhoun, personagem criada à imagem e persona - com os trejeitos, o jeito arrogante e durão e as mínimas expressões faciais - de Jane Lynch (que também assume a voz). E o roteiro não esquece de ninguém na hora de se aprofundar mais, tornando cada um desses personagens complexo de sua própria maneira.

Agora, em relação à direção de arte, é tanta coisa a falar que fico relativamente perdido. Cada jogo tem sua fotografia e seu design de produção distinto, tornando todo aquele universo distinto e multifacetado. E se não bastam os cenários diferentes, até a forma da animação muda de um jogo pra outro. Por exemplo, os moradores de Fix-It Felix Jr. têm seus movimentos duros e artificiais dignos de personagens pixelados, Tapper (do jogo real Tapper, de 1983) parece feito em stopmotion e os personagens em alta-resolução de Hero's Duty já contam com a fluidez normal de animação. É simplesmente incrível a atenção aos detalhes dada pela equipe do filme que e, como eu disse, nos entrega um universo infinitamente rico.


Alternando entre diversas formas de ação assim como os jogos alternam em gênero, Detona Ralph funciona em tudo o que tenta fazer, entregando tiroteios excelentes, corridas divertidíssimas, ação física de qualidade e com uma edição que sempre contribui para que vejamos tudo o que acontece.

Agora, o grande motivo que fará os espectadores fãs de videogames assistirem a Wreck-It Ralph diversas vezes é, com certeza, a infinidade de referências e easter eggs. Uns visíveis e óbvios (como os cogumelos de Mario, o ponto de exclamação de Metal Gear, os personagens andando pela estação, etc.), outros mais sutis (como o movimento de câmera feito antes do começo da corrida em Sugar Rush que lembra em tudo Mario Kart) e outras mais escondidas. Tudo isso, com certeza, faz valer uma segunda ida ao cinema (talvez até mais!).


O a trilha sonora incidental composta e as músicas arranjadas por Henry Jackman (pupilo do excelente Hans Zimmer) é simplesmente incrível por tornar esse universo ainda mais rico, alternando drasticamente de gênero a cada cena em cada jogo diferente. A trilha sonora empolga, pontua bem as partes dramáticas e pode ser ouvida fora do filme sem perder seu poder, além de agradar diversos gostos musicais ao oferecer músicas de artistas como Rihanna, Skrillex, Owl City e AKB48 (quem diria!).

Detona Ralph é um presente a fãs de cinema, de animação, de videogames e principalmente de AKB48, que, pela primeira vez, podem ouvir as idols em um filme grande.

Nota: 10/10