quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Crítica: Fome Animal (1992)


Em 1992 já havia sido feitos alguns clássicos gore. Já haviam sido feitos O Despertar dos Mortos (de George Romero), Re-Animator (de Stuart Gordon), e até mesmo The Evil Dead (a auto proclamada "Experiência Definitiva em Horror Repulsivo" de Sam Raimi). Mesmo assim Peter Jackson (sim, o diretor da trilogia O Senhor dos Aneis) ousou fazer mais um filme neste estilo. Pra quem não sabe o gênero gore/trash se refere a filmes de terror recheados de sangue, vísceras, pus, exageros, mulheres gritando, violência e humor negro. Um gênero com tantos exageros que acaba se tornando engraçado. Fome Animal não é diferente, toda a essência do gore está presente no filme.

Peter Jackson já conhecia bem o gênero antes de fazer Fome Animal. Fã de filmes de monstro quando pequeno alguns anos antes de Fome Animal, já havia feito o clássico Bad Taste. Filme feito com um orçamento menor, mas provando que com muita criatividade e amor (ao cinema, aos monstros, ao gore) um bom filme pode ser feito. Em Fome Animal, não foi diferente.

O filme conta a história de Lionel (Timoty Balme), homem que mora com a mãe controladora e que um dia marca um encontro com uma moça no zoológico. A mãe querendo impedir que o filho ganhe uma namorada  segue o casal. Mas é mordida pelo Macaco Rato da Sumatra (sim, é isso mesmo ;D). Que possui uma mordida mortal chamada Sengaya. A mãe de Lionel acaba adoecendo, e morre. Mas volta como um zumbi, causando sérios problemas na cidade de Lionel.

Pela sinopse já podemos perceber que Fome Animal não é propriamente um filme de terror. Há muito humor no filme. Tanto pelas situações (cara a mulher foi mordida por um Macaco Rato da Sumatra), quanto por certos dialogos que o filme possui (o melhor deles na opinião do blog "I kick-ass for the Lord!!" diz um padre lutador de Kung Fu).

O filme não é feito para todos os públicos. Há cenas muito nojentas, violentas, até mesmo de mal gosto no filme. Por isso pessoas que não possuem estômago não devem ver o filme. Já para os fãs de terror, ficção cientifica, filmes violentos,exagerados, nojentos (fãs de Planeta Terror, O Vingador do Futuro, Madrugada dos Mortos por exemplo) um aviso para vocês: Este é o filme perfeito para vocês!

Fome Animal é um filme recheado de cenas antológicas. Cenas como quando a mãe de Lionel é mordida, o jantar com os zumbis (a cena mais nojenta), Lionel matando dezenas de zumbis com um cortador de grama (a cena lendária que exigiu nada mais nada menos que 300 litros de sangue falso. Para se ter uma ideia, um filme de terror usa essa quantidade no filme todo, e não em uma única cena!), o beijo dos zumbis, o bebe partindo o rosto de uma mulher, e finalmente minha cena favorita do filme:O padre lutador de kung fu.




Fome Animal é um clássico. Um filme muito importante para o cinema. "Por que?" você se pergunta. Simplesmente porque após produtores da New Line Cinema verem o quão apaixonado e dedicado Peter Jackson era como diretor, enfim ofereceram a ele o cargo de diretor da Trilogia O Senhor dos Aneis. Peter Jackson é um clássico exemplo de uma criança que adorava fazer filmes. O filme Super 8 mostra muito bem isso. Crianças que não tinham recursos, tempo (elas tinham que ir a escola) mas que mesmo assim por amarem cinema queriam fazer um filme. Peter tinha essa paixão ainda adulto, e por ela que conseguiu o tão cobiçado cargo de diretor da maior trilogia da história do cinema (que arrecadou mais 3 bilhões de dólares).


Tudo isso devido aos seus filmes trash, Bad Taste e Fome Animal. Filmes que não possuem a poesia visual, questionamentos, diversas interpretações como 2001:Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick), Sangue Negro (Paul Thomas Anderson), A Árvore da Vida (Terrence Malick). Mas que tem muita importância na história do cinema. Qualquer um que questionar isso terá o traseiro chutado por um padre, que por um acaso é lutador de kung fu.

Nota:9,5