quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Critica: As Aventuras de Pi



Após a noticia de que Ang Lee iria adaptar para o cinema o livro The Life of Pi (um projeto que passou pelas mãos de M Night Shyamalan, Jean Pierre Jeunet, Alfonso Cuaron), uma grande expectativa se criou envolta do filme. Me recordo que li a noticia em 2009, pela falecida Revista Set. Na época apenas pensei que seria no mínimo curiosa uma história sobre um naufrago preso em um bote com um tigre, uma hiena, um orangotango e uma zebra. E sabendo que o diretor era Ang Lee, já tive certeza de duas coisas:

1o:Seria um filme com muita sensibilidade (basta observar seus filmes anteriores, como O Segredo de Brokeback Mountain)

2o:O filme teria um visual incrível (Lee dirigiu O Tigre e o Dragão)


Eu estava certo, As Aventuras de Pi (por que os tradutores brasileiros botaram "as aventuras" no titulo? Será que simplesmente A Vida de Pi não traria público ao cinema? Fica a dúvida)é um filme que rende muitas discussões sobre o sentido da vida, aonde está Deus, qual religião é certa. E que ainda possui um visual maravilhoso. Mostrando que não é necessário criar mundos de ficção cientifica para se criar algo no mínimo belo com a computação gráfica.








O filme fala sobre o jovem Pi, indiano de uma familia dona de um zoológico, e que precisa levar os animais para o Canadá em uma viagem de navio devido a problemas financeiros. O problema é que um naufrágio acontece, e o jovem Pi sobrevive se agarrando em um bote salva vidas. Porém ele descobre que não foi o único sobrevivente. Dentro do bote estão também outros passageiros:Uma hiena, um orangotango, uma zebra e um tigre respectivamente. 

Vale dizer que antes disso tudo acontecer o filme faz uma bela introdução ao personagem Pi. Descobrimos o porque ele tem este nome, as consequências deste nome (o mundo não é um lugar bom não é mesmo? Tinham que sacanear com o nome do rapaz), o 1o amor de Pi. E o mais importante disso:A fé de Pi.
Pi é nascido Hindu, mas ao mesmo tempo simpatiza com o cristianismo e o islamismo. Praticando as três doutrinas ao mesmo tempo (agradece a Deus pela comida, depois de meio dia se ajoelha na direção de Meca, e a noite agradece a Khrishna por ter descoberto Jesus). Até depois de mais velho Pi ainda não escolheu uma religião para si.

Isso é um tópico de discussão muito interessante do filme. Estou falando da fé, o que é isso? A fé é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou convicção ou critério de verificação, pela absoluta confiança que é depositada nesta ideia.








O filme está recheado de simbolismos sobre a religião. Como o medo de estar sozinho neste mundo tão grande(simbolizado muito bem por Pi preso no mar, como se todos estivéssemos sendo levados pela maré), da relação com Deus(simbolizada pelo tigre:Um ser tão poderoso e forte, que pode matar você se quiser, um ser que você teme e respeita). Chegando no ápice quando Pi, após realizar um feito que garante mais um tempo sua sobrevivência, deita no bote. E temos uma tomada vista de cima, aonde o mar está tão brilhante que todo o céu está refletido nele. Pi está em paz, simbolicamente está no paraíso(céu).

Há também é claro os momentos Ang Lee. Me refiro aos momentos sensíveis, aonde a camera pega ambientes calmos e tranquilos. Quase como num templo budista, aonde tudo está em harmonia.

Porém As Aventuras de Pi é um filme irregular. As vezes o filme empolga bastante(todo o inicio do filme é incrível), e outras fica chato. Isso foi um fato curioso, já aguentei filmes de 5 horas sem problemas (E O Vento Levou)  mas As Aventuras de Pi que só possui 2 me pareceram ser 4 horas de filme.
O protagonista não possui carisma, o filme não tem ritmo, e em diversos momentos fica entediante.

Vale dizer que o filme possui efeitos especiais fantásticos. O tigre Richard Parker é uma criatura toda feita em cgi, e não duvidamos em momento algum de sua veracidade.

As Aventuras de Pi é um filme que tinha tudo pra acertar, e até rende discussões interessantes. Mas acaba sendo mais um esquecível filme de Oscar. Como tantos outros antes dele. Nessa lista incluo Os Descendentes, Quem Quer Ser um Milionário, 127 Horas.

Filmes absolutamente sem graça. É bom que abram espaço, outro filme com um indiano como protagonista chegou. Ainda bem que não para ficar. Uma pena, já que estamos falando de Ang Lee. Um cineasta que pode muito mais do que isso.

Ps:Não vi em 3d, ainda bem

Nota:6.0