terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Crítica: Bad Taste (1987)


Todos empolgados para a estréia de O Hobbit, não é, minha gente?
Pois bem, resolvemos então relembrar o que fez de Peter Jackson um diretor tão renomado e cultuado. Mesmo antes de dirigir a trilogia do anel, Jackson já era conhecido e já fazia filmes incríveis. Mas toda carreira de sucesso tem um começo, e é disso que irei falar aqui.

Peter Jackson, quando criança, gostava de tirar fotos. Percebendo isso, um casal de amigos de seus pais resolveu dar a ele uma câmera Super 8 (8mm), o que estimulou o pequeno de 8 anos a sair por aí filmando a tudo e fazendo pequenos curta-metragens. Já adolescente, fez um curta chamado "World War ll", no qual ele simulava um tiro com nada mais que pequenos buracos feitos no celuloide. Isso já mostrava o potencial de Jackson para criar estratégias para efeitos especiais decentes com um custo muito baixo.





Seu primeiro grande passo para a criação de filmes foi participar de uma competição amadora de filmes infantis, no qual fez um trabalho em stopmotion, que não conseguiu garantir-lhe a vitória. Mas ele não desistiu, e com 22 anos, criou seu primeiro longa-metragem: Bad Taste.

Um trabalho extremamente amador com os amigos, é isso o que Bad Taste é. Filmado em finais de semana e feriados, com dinheiro vindo do bolso de Jackson e com a participação de inúmeros amigos do diretor na equipe, os plano era o de fazer um curta-metragem de 15 min filmado em 16mm e custou primeiramente US$25,000. Porém, mais ou menos no fim das gravações, a New Zealand Film Comission investiu aproximadamente NZ$235,000 para garantir o término do projeto. Convertido então para 35mm e extendido para 92 min, Bad Taste demorou 4 anos para ser finalizado.


Usando truques de câmera para camuflar a baixa-renda e pra criar efeitos especiais mais sofisticados do que a renda permitia, Peter Jackson chegou até a atuar em mais de um papel, com personagens que até chegam a dividir a tela.

Com a ajuda de um amigo que trabalhava na indústria cinematográfica, Bad Taste conseguiu chegar até o Festival de Cannes, onde recebeu prestígio e desde então é considerado um clássico cult.



O filme conta a história de um time enviado pela Astro Investigation and Defence Service. Esse time é composto de quatro membros: Barry (Pete O'Herne), Frank (Mike Minett), Ozzy (Terry Potter) e Derek (o próprio Peter Jackson), e a missão deles é investigar o desaparecimento de todos os moradores da pequena cidade de Kaihoro, na Nova Zelândia. Então, eles descobrem que a cidade foi massacrada por seres extra-terrestres disfarçados de humanos, que planejam usar a carne das pessoas mortas para construir uma rede enorme e massiva de fast-food no planeta natal deles. E o time deve, então, acabar com todos os alienígenas, impedir que eles voltem a seu planeta e, acima de tudo, garantir uma diversão sádica cheia de gore para todo mundo.



Bad Taste é um filme alegre, descompromissado e que não e propõe a fazer nada além de divertir por breves 90 minutos. Mas, por trás disso, é visível em cada cena de tiroteio, explosão ou de porrada a dedicação da equipe e de Peter Jackson, já que, apesar da visível baixa-renda e do aspecto inegável de filme caseiro, são feitas coisas aqui que são, sim, complexas e elaboradas, principalmente em relação à maquiagem dos alienígenas, que, mesmo ridícula, é bem detalhada com veias, têmporas pulsantes e com uma expressividade que chega a dar inveja na maquiagem de John Travolta no Hairspray de 2007.


Ainda não dominando muito bem as técnicas narrativas, o filme começa um pouco enfadonho e engrena apenas depois de 40 minutos, depois de muitas cenas desnecessárias (como a do vômito no potinho), mas assumindo que é um trabalho amador que começou como uma piada entre amigos, pouco se pode fazer.

Quero dizer, é impossível não gostar de Bad Taste. Um filme feito com dedicação, diversão e força de vontade, como odiar algo assim? Ainda mais em uma época no qual muitos filmes são feitos apenas visando lucro e não envolvem muito esforço graças às técnicas atuais de efeitos especiais - e me vêm à cabeça o péssimo Lanterna Verde (2011), no qual o diretor Martin Campbell confessou ter aceitado o projeto só pelo dinheiro.

Bad Taste é um filme divertido e descompromissado, ótimo para se assistir com os amigos em um domingo a tarde acompanhado por uma bela pizza e Coca-Cola. E vemos que Peter Jackson chegou aonde chegou por merecimento, já que logo em seu primeiro projeto demonstra um empenho e uma determinação ímpares que deveriam servir de exemplo para a maioria dos diretores de cinema.