quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Crítica: 007 Skyfall


Após Quantum of Solace, a maioria das pessoas perdeu o animo para James Bond. Não que o último filme tivesse sido ruim, mas a essência de James Bond parecia ter se perdido. Ao invés da boa mistura que Cassino Royale possuia de ação e charme, Quantum of Solace era uma mistura de ação e mais ação. Por isso os produtores resolveram trazer(pela 1a vez em uma franquia de mais de 20 filmes, para aqueles que acham Harry Potter uma franquia longa tenho novidades pra você) um diretor com marca autoral. Ninguém menos que Sam Mendes (diretor de Beleza Americana, Soldado Anonimo e Estrada Para Perdição, todos excelentes filmes).

Sendo fã da série, Mendes prometeu que iria trazer de volta os elementos que marcaram James Bond em Cassino Royale. E também disse que iria trazer elementos característicos das produções dos anos 60 e 70. Após assistir a nova produção do agente mais famoso do cinema temos que considerar duas coisas:

1o-Mendes cumpriu o que prometeu

2o-Skyfall é um dos melhores filmes da série de 23 filmes


Um grande motivo para Skyfall funcionar são os elementos que tornaram a franquia tão famosa, e reverenciada pelo mundo. Há muita ação (assim como os exemplares da fase Sean Connery, Skyfall já começa com uma sequência de ação eficiente e bem feita, diferente das cenas mal filmadas de Quantum of Solace), existem elementos um tanto exagerados, temos uma sequência de créditos incrível (se a música Skyfall de Adele não for pelo menos indicada para o Oscar  o mundo está mais louco do que pensamos), temos o Bond charmoso de sempre, temos o bom humor da série (não o humor dos filmes de Roger Moore, mas sim o de Sean Connery, que é mais irônico e arrogante). A palavra que melhor define Skyfall é Ressurreição.

Mas vamos por partes, Skyfall começa com uma longa sequência de 10 minutos de ação. Nela Bond em uma missão mal sucedida, leva um tiro e despenca na água. O que leva o MI-6 e M (judi Dench), pensarem que Bond está morto. Até mesmo Bond pensa que irá morrer, quando Bond afunda na água a bela música de Adele Skyfall começa ("Este é o fim, prenda seu folego e conte até 10").



Aliás um pedaço do texto para falarmos da abertura:Que coisa mais perfeita. Vemos todas as marcas dos anos 70 presentes ali. Vemos Bond sendo puxado por mulheres na água, cartas sangrando, dragões chineses, tiros de metralhadoras, sombras (tudo um belo resumo do filme). A sequência foi feita pelo mesmo criador da também excelente abertura de Millennium (curiosamente também com a presença de Daniel Craig no elenco).

No filme temos uma série de referências ao mundo de James Bond. Como o Aston Martin (usado por Bond pela 1a vez em Goldfiner), a Escócia (terra de Sean Connery, até hoje melhor intérprete do personagem), a briga envolvendo animais,o martini e o vilão Silva (suas roupas e cabelos lembram o vilão feito por Christoph Walken).

Aliás falemos de Silva:Que personagem incrivel. Javier Barden consegue novamente fazer um vilão memoravel. Ao contrário de Anton Chirurg (assassino do excelente Onde os Fracos Não Tem Vez), Silva é um vilão que fala muito. Todas as cenas em que surge o personagem rouba cena. E nunca é menos do que ameaçador.



É interessante também notar que podemos analisar Silva de duas maneiras. Para começar podemos perceber que Silva é a antitese de Bond. Ambos possuem a mesma essência(note que ambos tem cabelos loiros):São ótimos agentes, rebeldes, que marcaram a personagem M (Judi Dench). Mas ao mesmo tempo são extremamente diferentes. Enquanto Bond é o homem viril, Silva é homossexual. Note na fantástica cena em que Silva aparece pela 1a vez um fato curioso: Ambos usam exatamente a mesma roupa. Só que com cores diferentes. São dois lados da mesma moeda.

Silva também pode ser chamado de o monstro de Frankenstein de M (Judi Dench). O personagem também foi "criado" pela chefe do MI-6, por sua causa que Silva possui sua deficiência física (rendendo um dos melhores momentos do filme, "Goodbye mother"), e mesmo SIlva querendo matar M ainda sente uma espécie de amor por ela. Algo edipiano. A comparação que fiz com Frankenstein não poderia ser mais propicia após se analisar o final do filme.

Skyfall ainda apresenta a melhor atuação de Daniel Craig como Bond. Em Cassino Royale seu 007 era um diamante que faltava brilho (precisava ser moldado), em Quantum of Solace o personagem estava dominado pela fúria, e em Skyfall enfim vemos o Bond profissional (o que todo fã gosta:O Bond Sean Connery). Curioso notar que há leves alfinetadas ao personagem, alguns dizendo a ele que está velho, que não tem mais condições de agir. Engano:Este a melhor forma do Bond de Daniel Craig.




Além disso tudo temos a direção de Sam Mendes. E percebemos o que é um diretor de verdade na franquia. Não que Martin Campbell e Marc Forster fossem ruins, mas não eram autores. Vemos toda a mão de Mendes no filme na cena em que Bond luta contra um adversário em um edificio, que está tomado por diversas lizes azuis.

Skyfall consegue se tornar além um dos melhores filmes do personagem (entrou para os meus 5 favoritos do personagem-sem ordem-:Goldfinger, Moscou Contra 007, Cassino Royale, Skyfall e Viva e Deixe Morrer) um dos melhores filmes de 2012. Ano que não acabou mas que está marcado como o ano em que Bond ressuscitou da lápide de Quantum of Solace. Isso meus amigos, é muito.

Uma cena que define bem o filme:Bond está esperando sua bebida. A bargirl prepara, batendo (o martini, batido não mexido). Serve para Bond e este diz "Do jeito que gosto". Uma renovação do personagem, sim, mas mantendo sua essência.

Nota:9.5