terça-feira, 18 de setembro de 2012

Crítica: O Ditador

O Ditador é o mais novo filme do comediante Sacha Baron Cohen. Que já havia feito o engraçado Borat, e o vulgar Brüno. Diferente destes, O Ditador não tem a estética de "documentário falso" (o que rendia cenas engraçadissimas como o urso em Borat). Agora os personagens de Cohen (que surgiram no seu programa britânico The Ali G Show) interagem com atores, que sabem o rumo que a história tomará (e não ficaram horrorizadas como nos filmes anteriores, aonde as pessoas entrevistadas pro Borat e Brüno não sabiam que se tratava de um comediante, e sim de um árabe e de um modelo autriaco gay).

Baron Cohen justifica isso dizendo que seu rosto já havia se tornado muito conhecido pelo mundo. Mesmo não deixando de ser verdade, isso enfraquece o filme. Grande parte da graça que os filmes anteriores tinham era a surpresa (e a hipocrisia) dos americanos entrevistados pelos personagens de Cohen.
Algumas pessoas acham que o humor de Cohen é estupido, cruel, extremamente errado. Não é raro surgirem piadas sobre negros, asiáticos, gays, judeus, 11 de setembro e o Holocausto em seus filmes.

Há quem diga que Sacha Baron Cohen é um idiota, um grande humorista, um revolucionário, um babaca.

Essas pessoas estão erradas? Não. O filme é engraçado? Muito. Alguma ali está 100% certa? Não. Alguma está 100% errada? Não.





O Ditador cumpre o que promete. O filme fala sobre o Ditador Aladeen (Sacha Baron Cohen), governante da ficticia república de Wadyvva. Que resolve fazer uma visita aos Eua, para uma reunião da Onu. Porém o Ditador é posto para fora, pelo seu tio (Ben Kingsley). Sem sua barba, ninguém-o reconhece, assim com a ajuda de uma ativista (Anna Farris) o Ditador resolve tomar uma atitude.

Em comparação aos outros dois filmes de Sacha Baron Cohen, O Ditador se mostra o mais fraco. Em certos momentos apelando para um humor muito besteirol (o jeito que o tio cumprimenta Aladeen). Coisa que não havia tanto em Borat e Brüno. Que utilizavam um humor mais agressivo, feito pra chocar e rir.

Mesmo assim O Ditador é um filme muito engraçado. Houveram momentos em que eu chorei de rir (sem exagero nenhum). E o que é bom:Não foram poucos. Eu e meus amigos quase caimos da cadeira. Muitas das vezes após as risadas (e lágrimas) nós sentimos uma leve culpa. Justamente por serem piadas envolvendo etnias, acidentes e fatos horrendos da história (a melhor piada do filme envolve o 11 de setembro por exemplo).

O que leva a uma discussão que já se tornou famigerada:Até onde o humor deve ir? O caso de Rafinha Bastos levantou a discussão um tempo atrás, e acho que filmes como O Ditador fazem com que voltemos a discutir. Acho que para você fazer humor, é necessário ser um pouco filho da puta (perdão do palavrão, mas é verdade). Não necessariamente aquela piada mostra seu verdadeiro ponto de vista (mesmo assim não defendo Rafinha Bastos, que é engraçado mas é muito arrogante).




O Ditador se livra um pouco disso, pelo fato de Baron Cohen ser judeu por exemplo (há muitas piadas envolvendo o holocausto, e até mesmo o exterminio dos atletas de Israel em Munique). Além de que todos sabemos que Baron Cohen não leva aquilo a sério. É um filme de comédia.

Ainda que tenha muitas curiosidades(toda a trilha sonora té em árabe, com direito a versões arabes de Everybody Hurts, Lets Get It On).

O Ditador não chega aos pés dos verdadeiros gênios da comédia(Monty Python, Irmãos Marx), mas consegue divertir e cumprir o que promete. Só fica o aviso para quem for assistir ao filme:É um humor mais agressivo, muitas piadas de sexo, bastante nudez, muitas piadas politicas(as piadas envolvendo Kin Jung II não fizeram o grande público rir, por não entenderem quem era aquele), piadas envolvendo etnias. Quem não gostar de um pouco de humor negro, pode se ofender.

Nota: 8.5