segunda-feira, 9 de julho de 2012

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha



Exatos 10 anos após o lançamento de Homem-Aranha (dirigido por Sam Raimi), a Sony resolveu fazer um reboot. Pros que não sabem, um reboot é uma volta as origens, ignorando tudo já feito sobre determinado tema. Isso significava que veríamos mais uma vez a história do cabeça de teia: O bullying que sofre na escola, a picada da aranha radioativa, a morte de Tio Ben. Para que não se parecesse uma cópia do 1º (e excelente) filme baseado no personagem, os roteiristas adicionaram alguns elementos não existentes antes: Peter Parker agora é um jovem de 17 anos (na trilogia de Sam Raimi ele já está procurando emprego), o interesse romântico não é mais Mary Jane (sai a ruiva e entra a loira Gwen Stacy), um outro vilão (sai o Duende Verde e entra o Lagarto), um tom mais realista é adicionado (o tom cartunesco presente nos outros filmes sai,sendo quase um Homem-Aranha Begins). Essas mudanças são boas? Algumas delas sim. Deixam o filme bom? Algumas sim. Parece que estamos assistindo ao mesmo filme de 10 anos atrás? Sim, parece.

Por mais que o filme tenha muitas mudanças com o filme de 2002, a estrutura narrativa é basicamente a mesma. Há uma menina que Peter se apaixona (e posteriormente fica), a morte do tio (não há a famosa fala “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”), uma série de encontros com o vilão (muito bem feitos), uma experiência que transforma o cientista em vilão (muito similar a experiência do Duende Verde de Willem Dafoe). Para alguns isso é bom (amigos que assistiram ao filme comigo gostavam de reassistir a trajetória de transformação do cabeça de teia), já pra outros (eu incluso) não. Pois percebemos que são poucas as coisas que justifiquem o reboot.

Outro sério problema é a participação dos pais de Peter Parker no filme. Eles não possuem qualquer relevância pra trama. Tudo bem que pode ser uma preparação de terreno para os próximos filmes, mas é ridículo criar uma trama secundária que não importa.

Mesmo assim O Espetacular Homem-Aranha não é um filme ruim. É um filme que peca pelos (muitos) momentos similares ao 1º filme de 2002, mas que explora novos lados não abordados anteriormente. Um Peter Parker mais similar aos quadrinhos por exemplo. Não que Tobey Maguire tivesse sido um Peter Parker ruim, porém ele não lembrava o Peter Parker cdf dos quadrinhos (além de não conseguir parecer um jovem recém-saído da High School). Andrew Garfield possui um jeito inseguro (note o jeito como fica balançando quando está tímido, e como gagueja e fala para dentro) que combina perfeitamente com o personagem. Além de ser fisicamente falando muito parecido com o Peter Parker dos quadrinhos (magrelo com uma cabeça um pouco grande). O Peter Parker deste filme sofre mais do que o de 2002: Quando matam seu tio Ben (Martin Sheen), Peter fica semanas bravo. Não quer falar com ninguém, fica agressivo.

O filme possui um elenco muito bom. Além da boa atuação de Andrew Garfield, o filme tem a marcante presença de Emma Stone. Que faz uma Gwen Stacy exatamente igual a dos quadrinhos. O jeito como ela pronuncia suas falas, o jeito de pegar a mão de Peter tudo indica que ela é a melhor garota do universo. Além de (diferente de Mary Jane) se apaixonar por Peter Parker (e não pelo Homem-Aranha, e posteriormente por Peter). Até mesmo a direção de Marc Webb ajuda nisso. Dar roupas com tons agradáveis para a personagem (note que na sala de aula, é a única com uma cor que chama atenção e que indica compreensão:Azul). Ferramenta utilizada no seu trabalho anterior, 500 Dias com Ela.


Além das boas participações de Martin Sheen e Sally Field (o 1º hilário), o filme conta com Rhys Ifans como o Lagarto. Que é um vilão pouco desenvolvido. Há um considerável número de cenas com o Alter-Ego Kurt Connors, mas quando surge de fato a criatura o personagem se limita a soltar frases de efeito, rugir, brigar. Apesar de visualmente falando ser impecável. Outro detalhe negativo no vilão são as coincidências com o Duende Verde do filme de 2002 (sério, ouvir vozes de novo?).

O filme foi rodado em 3d, por isso ao contrário de muitos filmes que são somente convertidos em 3d (tosse,Fúria de Titãs 2,tosse), temos um 3d decente. Não chega aos pés de Hugo Cabret, mas é bem feito. Dou destaque a cena feita em 1ª pessoa, aonde o herói vê seu reflexo em um prédio. Se houvessem mais cenas assim, o filme ficaria melhor de se assistir com os óculos 3d.

O filme tem alguns outros problemas, como por exemplo, as coincidências presentes desde a 1ª trilogia do Homem-Aranha (sim,haverá um trilogia O Espetacular Homem-Aranha). Como se tudo fosse um emaranhado, tudo fosse conectado. Como uma teia! Mas isso soa absurdamente anti-realista (podem me xingar, dizer que é um filme de super heróis, mas a proposta do filme é ser um filme mais sério). Além de alguns momentos no mínimo constrangedores (alguém me explique o que é a cena do rato monstro?).




Sendo este um filme de Marc Webb podemos esperar, algumas marcas do diretor presentes em 500 Dias com Ela (seu único filme até então). Como por exemplo, os diálogos românticos. Cenas como quando Peter chama Gwen para sair não parecem cenas de um filme de quadrinhos. E sim de um romance. E isso não é ruim! Os diálogos são muito bem feitos, realistas e poderiam ter mais. Pois afinal, não podemos esquecer que é um filme de super heróis.

O Espetacular Homem-Aranha era um filme que eu não tinha expectativa nenhuma. O tipo de filme que poderia ser muito bom, ou muito ruim. Uma surpresa (como X-Men First Class) talvez. Mas não foi nenhum dos dois. É um filme okay de super heróis, que oferece uma perspectiva diferente do personagem. Que poderia ser melhor, se não fosse tão parecido narrativamente falando como o 1º filme feito em 2002. Um filme para se assistir com os amigos, ou com a namorada. Se você quer ver um novo  filme do Homem-Aranha vá assistir. Mas fica o aviso: Você pode sentir um deja vu.

Nota: 6.5