sexta-feira, 13 de julho de 2012

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha (Doki Edition)


Mais de uma vez aqui no blog Cinema Por Nerds, eu e o dono publicamos críticas separadas de um mesmo filme para mostrar a vocês, leitores, diferentes pontos de vista. Caso você tenha perdido as críticas paralelas, fizemos isso com Os Vingadores (Minha / Lauro) e A Invenção de Hugo Cabret ( Lauro / Minha).

Fiquei em dúvida sobre como começar a escrever sobre O Espetacular Homem-Aranha. Pensei em começar fazendo uma crítica a Hollywood em geral, apontando o quão tola é a tendência atual de fazer remakes e reboots de tudo, e que a criatividade da indústria como um todo estava acabando, blá blá blá, até que me vi parafraseando a um próprio post meu (Esclarecendo sobre "Remakes").

Afinal, não sei se esse filme poderia ser considerado remake ou reboot do ótimo filme de 2002 dirigido por Sam Reimi, afinal, apesar das diferenças, O Espetacular Homem-Aranha sobe nas costas de Homem-Aranha praticamente o filme inteiro, mas sem o mesmo carisma.

Pensei também em introduzir a crítica dizendo que o único motivo do diretor Marc Webb ter sido escolhido para o trabalho era pelo seu sobrenome, fazendo um trocadilho idiota e colocando uma foto do urso Fozzie, dos Muppets, mas desisti por medo de fazer os leitores facepalmearem.


Mas não devemos esquecer que toda brincadeirinha tem um fundo de verdade, já que, assistindo ao filme, ficou claro que Marc Webb (que havia anteriormente dirigido o excelente 500 Dias com Ela e vários clipes da banda My Chemical Romance) não foi a pessoa certa para o trabalho.

O filme nos introduz a Peter Parker (Andrew Garfield), um adolescente que, desde o começo mostra-se depressivo pela partida misteriosa e posterior morte de seus pais Richard (Campbell Scott) e Mary Parker (Embeth Davidtz), ficando então sob a responsabilidade dos tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field).   

Sofrendo de bullying na escola (mas incrivelmente sem a passividade que caracterizava o personagem e fazia com que nós, adolescentes normais nos identificássemos, tanto nos gibís quanto no filme de Sam Raimi) e de timidez aguda, ele apenas admira de longe Gwen Stacy (Emma Stone), colega de sala e também estagiária-chefe do laboratório de ciência da Oscorp, tendo como orientador o cientista Curt Connors (Rhys Ifans), ex-colega de trabalho do pai de Peter, que trabalha com cruzamento genético entre espécies, em uma tentativa de ceder aos humanos os benefícios de outras espécies, assim tentando fazer seu braço crescer de volta usando genes de lagarto - que posteriormente o transformará no vilão.

Um dia, indo visitar o cientista para esclarecer suas dúvidas sobre seu pai, o garoto acaba entrando em uma sala cheia de aranhas, aí uma delas o pica e ele fica forte, pode sair pulando por aí, blá blá blá e tudo aquilo que já vimos no filme de 2002, com a única diferença de que a teia desse Peter Parker não é orgânica, mas sim criada e lançada por um dispositivo que o personagem leva nos pulsos.


Algumas diferenças servem como desculpa de que esse filme é um reboot, mas é realmente lamentável que Marc Webb adote uma narrativa lenta que gasta muito tempo contando tudo o que já sabíamos. Porém, o mais lamentável de tudo é que o roteiro destrói o personagem, transformando aquele adolescente reprimido que depois vira um grande herói e que representa milhares de adolescentes em um moleque relativamente descolado porém chorão e que não dá valor aos excelentes tios que tem, e também cujos gaguejes são artificialmente colocados para tentar dar aquele bom ar. E nisso os experientes roteiristas James Vanderbilt (Zodíaco), Alvin Sargent (Homem-Aranha 2 e 3) e Steve Kloves (todos os filmes da série Harry Potter) falham.

Falham também em dar profundidade a qualquer um dos personagens, algo que Webb tenta compensar dando um feeling indie de 500 Dias com Ela à dinâmica entre Peter e Gwen, e que muitas vezes funciona, não vou negar. Porém, é imperdoável que a morte do Tio Ben, uma parte absurdamente emocional e importante na história do herói, seja passada aqui com tanta frieza e tanto descaso, o que soa ofensivo se formos comparar à forma impecável com a qual Sam Raimi nos transmitiu aquele acontecimento.



As cenas de ação também não empolgam, apesar de bem montadas, são muito pouco ambiciosas e às vezes entediantes.

E se Rhys Ifans aparentemente é o único que se esforça pra compor seu personagem, acaba sendo prejudicado pelo roteiro que o faz cair nos mesmos ataques esquizofrênicos do Duende Verde, personagem de Willem Dafoe em Homem-Aranha.

Resumindo, O Espetacular Homem-Aranha é um filme absurdamente desnecessário, ainda mais quando a trilogia de Sam Reimi permanece tão recente na memória. Um filme medíocre, com um roteiro medíocre e atuações medíocres mesmo com um bom elenco.

Marc Webb, permaneça nos filmes de romance. Eu adoro 500 Dias com Ela, e espero que não tenha sido apenas sorte de principiante.

Nota: 5,0