terça-feira, 1 de maio de 2012

Crítica: Os Vingadores (Doki Edition)



Na conversa entre Tony Stark e o General Ross em O Incrível Hulk, a avaliação do bilionário para a suposta 'iniciativa Vingadores' em Homem de Ferro 2, na cena pós-créditos de Thor e no (anti-climático e decepcionante, admitamos) desfecho de Capitão América, esses quatro filmes moviam peças. Peças essas que serviriam a um propósito maior. E, depois de muito hype, tempo e dinheiro, temos aqui esse propósito.



Os Vingadores foi dirigido por Joss Whedon - conhecido por seu trabalho na famosa série Buffy, entre outras - e conta a história desses quatro personagens da Marvel, já devidamente introduzidos, apresentados e desenvolvidos por seus respectivos filmes, que se juntam quando Loki (Tom Hiddleston) ameaça o planeta Terra usando a tecnologia e um exército fornecidos pelos Chitauri - uma raça alienígena que busca a dominação do universo - em troca do Tesseract, um cubo capaz de gerar quantidades inestimáveis de energia - usado pela Hidra em Capitão América para a fabricação de armas - e abrir portais intergalácticos.

Os personagens, como eu disse, já foram devidamente introduzidos em seus filmes. Em Os Vingadores, o lento início serve então para posicionar devidamente cada um deles e então reintroduzi-los dentro do grupo, cautelosamente, para criar, então, com sucesso, a ideia de que todos ali tem sua função e que não há de fato um principal. E nada melhor para isso do que um diretor que era familiarizado com a estrutura de séries (onde há tempo e maior liberdade para a criação de vários arcos).



Também, é dada maior profundidade a todos, principalmente à Viúva Negra (Scarlett Johansson) e ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que já haviam sido introduzidos anteriormente como secundários em Homem de Ferro 2 e Thor, respectivamente. Também ao personagem Bruce Banner, ou Hulk, que já havia sido bem representado por Edward Norton, e aqui fica excelente nas mãos de Mark Ruffalo, que confere uma sensibilidade e insegurança ao personagem que não havia sido vista antes, criando um personagem que confere muita simpaticidade.

O roteiro, excelentemente escrito, contém diálogos fascinantes - muitos deles passivo-agressivos, como na conversa entre Loki e Tony Stark - que impedem que o espectador fique aborrecido durante a lenta e cautelosa primeira metade do filme.



Mas quando a ação começa, meu amigo, ela não termina. Estamos falando aqui de ação barulhenta, massiva, frenética, inspirada e de qualidade. Com todos os personagens lutando, o diretor é hábil ao representar a ação que ocorre separadamente, cada luta em um pedaço do gigante cenário que é Nova York. Com monstros gigantes derrubando prédios, diversos Chitauris voando e atirando, com raios, porradas, nada é perdido pelo espectador, graças às magníficas edição e montagem. Com sucesso inclusive nas cenas de alívio cômico, que servem para que você respire em meio à tanta ação. Tudo aqui é feito na medida.



Ou quase. Por mais que as cenas de alívio cômico sejam boas e funcionem, elas são, então, o ponto mais baixo do filme, já que surgem em excesso, jamais deixando que a atmosfera tensa tome a projeção, o que faria Os Vingadores ficar ainda maior.

Tomado por ótimas atuações de todos os lados, com destaque ao já citado Mark Ruffalo, a Robert Downey Jr. e principalmente a Tom Hiddleston, que desde Thor vem conferido uma postura poderosa e egomaníaca, mas ao mesmo tempo frágil ao vilão Loki.



Com uma cena pós-créditos que provavelmente fará os fãs surtarem (positivamente é claro), Os Vingadores é fechado então com chave de ouro. É um filme grandioso. Enorme. Gigante. E que pode ser recomendado a todos.

Nota:9,5/10