quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Esclarecendo sobre "remakes".


Remakes, malditos remakes. Conforme o tempo foi passando e os filmes foram saindo em uma velocidade recorde, por causa da alta tecnologia usada na sétima arte, Hollywood foi, aos poucos, perdendo criatividade. Como compensar isso? Pegando filmes mais antigos (ou não, caso esses sejam estrangeiros) e refilmando-os com um elenco americano.

Assim, ocorrem desastres como O Dia em Que a Terra Parou, Fúria de Titãs e outros. Alguns se salvam, claro, como o bom Deixe-me Entrar (remake do excelente filme sueco Deixe Ela Entrar); o também bom A Hora do Espanto e o excelentíssimo Bravura Indômita. Porém, a quantidade de remakes ruins soterra a quantidade de remakes bons. Ainda agora com a promessa de remakes de The Evil Dead que provavelmente farão os fãs dos ótimos filmes originais entrarem em greve.

Porém, há uma polêmica grande sobre os remakes do filme sueco Os Homens que Não Amavam as Mulheres e do filme coreano Oldboy, que são ótimos e terão remakes. O primeiro será dirigido por David Fincher, e o segundo por Spike Lee.

Porém, esses dois tem algo que os outros filmes originais não tiveram: Roteiro adaptado.

Isso mesmo. Os Homens Que Não Amavam As Mulheres era originalmente um livro, escrito por Stieg Larsson que faz parte de uma trilogia (a Trilogia Millenium), que tem suas respectivas adaptações suecas.
Agora, o que poucos sabem é que Oldboy também é um roteiro adaptado. Originalmente, é um mangá japonês criado por Garon Tsuchiya e ilustrado por Nobuaki Minegishi e que foi publicado durante os anos de 1996 e 1998.

Os filmes dos livros de Stieg Larsson, apesar de preservarem a trama original, deixaram de lado completamente algumas subtramas que são incluídas no livro - como a situação da revista que dá nome à trilogia, a relação entre Mikael e uma assistente, etc. Não são filmes ruins, e o livro não é nem um pouco fácil de adaptar, mas pelos trailers do filme de Fincher, já deu pra ver que esse estará mais fiel, o que, nesse caso, é ótimo, já que o livro é uma obra-prima.

Quanto a Oldboy, a adaptação ganhou o status de 'cult' em pouco tempo e não por acaso. É um filme crú, visceral, tenso e absurdamente fascinante. Ao contrário do mangá, que é nada mais que uma história investigativa sem nenhum dos elementos que fizeram o filme coreano ser o que é. O principal, Shinichi Goto (nada de Oh Dae-Su), é preso em um prédio por 10 anos e é liberado sem aviso, então começa a investigar quem fez isso com ele, até que ele se encontra com o responsável, que propõe que ele descubra o motivo de ter feito tal coisa. Caso contrário, ele o mataria. Sem muita violência, sem nada bizarro, visceral ou surpreendente, e com a história indo em uma direção completamente diferente.

Pela sinopse do filme de Spike Lee, parece mais fiel ao material de origem. Isso é bom? Nah. O mangá é extremamente fraco.

Mas o que queria dizer aqui é que, como um amante do cinema, é bom conhecermos a origem dos filmes que assistimos antes de julgarmos. A mania de Hollywood agora insistir em tais 'revisões' irrita? Com certeza, mas nem sempre a coisa é ruim como parece.

Nos resta esperar e assistir.