domingo, 11 de dezembro de 2011

Crítica: Os Muppets

Como um adolescente nascido nos anos 90, também conhecida como a "Geração Pokémon", eu venero, com razão, todo o tipo de material que seja daquele tempo, com amor e com nostalgia, já que a maioria daqueles desenhos e filmes nos ensinavam diversas coisas, nos passavam valores. Mas infelizmente os tempos mudam. A geração de hoje é completamente diferente da nossa, o que me faz ter um olhar crítico em relação a isso. Me soa ridículo ver crianças (sim!) de 6ª série conversando sobre "ficar com pessoas" ou sobre homens gostosos. Afinal, 6ª série pra mim ainda era idade de falar de Yu-Gi-Oh, e até o "filme cheio de sangue que eu ví com meu pai ontem", tudo regado de inocência, algo que parece que não existe mais. Porém, em um mundo onde a aplicação tal palavra é mais rara que alguém que tenha um Nintendo GameCube, com quem poderíamos compartilhar nossa indignação ao lembrarmos de como éramos e vermos que hoje nada mais do que tínhamos tem espaço agora?

Ora, com Os Muppets.

O filme começa percorrendo a vida do muppet Walter (um novo personagem) e de seu irmão humano Gary (Jason Segel). Uma infância divertida, dinâmica, sem os aparatos tecnológicos de hoje em dia. E mostra o amor que os dois irmãos tiveram pelo Muppet Show desde seu primeiro episódio em 1976. Depois, acompanhamos o crescimento de ambos (no quesito idade, já que apenas Gary cresce fisicamente), e, para comemorar um aniversário de namoro com Mary (Amy Adams), o humano programa uma viagem a Los Angeles, e convida o irmão muppet para que eles possam ir juntos ao estúdio onde se passava a série que eles tanto amaram quando crianças...





...até descobrirem que a turma se separou e o estúdio agora está completamente destruído pelo tempo e pelo abandono. Então, entra em ação Tex Richman (Chris Cooper), um magnata malvado que quer comprar o estúdio e destruí-lo para escavar e encontrar uma grande quantidade de petróleo que se localiza lá. A única saída seria reunir a velha turma e fazer um show, arrecadando uma grande quantia em dinheiro para pagar a hipoteca e impedir que tal tragédia ocorra. E os três vão correndo atrás dos velhos Muppets para que as memórias daquele grupo sejam salvas, e talvez para que eles sejam, de novo, lançados à fama.



Agora, por que o grupo se separou? Por que o estúdio foi abandonado?
O The Muppet Show sempre foi conhecido por fazer piadas excelentes e funcionais, sem agressões físicas ou verbais e com inocência. Como diz o próprio Kermit (na verdade, sempre foi Caco, mas resolveram mudar o nome aqui no Brasil, traduzindo literalmente com um motivo que ainda me é incerto) no trailer do filme: "Os Muppets sempre foram sobre integridade artística, não truques baratos". Era um humor inteligente, não aquele "humor Adam Sandler".
Além disso, os Muppets sempre passavam valores otimistas, motivadores e que são, de fato, bonitos. Mas, como já disse, isso não tem lugar nos tempos de hoje.



E isso é bem mostrado no filme, quando a personagem de Rashida Jones explica que eles não são mais famosos, e que o programa mais assistido é "Espanque o Professor", onde tudo o que se vê é humor físico, cheio de socos e gags forçadas sem nada de instrutivo ou até mesmo decente, o que reflete perfeitamente o nosso mundo, com uma juventude cínica, cruel e sem inocência. Os Muppets perderam popularidade também e estão parados desde o lançamento, em 2005, do filme Os Muppets e o Mágico de Oz, que não fez sucesso algum. E desde então apenas as pessoas que pegaram a época dos Muppets. Não necessariamente as que nasceram nos anos 70, já que eu, por exemplo, peguei na época alguns filmes, como o bom Os Muppets na Ilha do Tesouro de 1996 e o excelente Muppets no Espaço de 1999.

E esse filme tenta, em 2011, resgatar a série e relançar os personagens de forma esplêndida. Reintroduzindo todos eles para os espectadores mais novos mas ainda assim usando piadas e referências que farão os fãs veteranos se emocionar em nostalgia, ainda mantendo uma narrativa moderna e irreverente, zoando com clichês cinematográficos. Sem falar das diversas pontas de ícones modernos, como Neil Patrick Harris (famoso como o personagem Barney Stinson da série How I Met Your Mother), Selena Gomez e Jack Black.

Não posso deixar de ressaltar as maravilhosas atuações também de todo o elenco. Desde os humanos até os Muppets. Jason Segel (também roteirista e produtor do filme) é fã confesso dos Muppets e aqui se solta, claramente se divertindo e se emocionando de verdade. Amy Adams já incorpora a personagem de uma forma mais sensível e acreditável, enquanto Chris Cooper já faz um vilão divertidíssimo e intencionalmente caricato. Enquanto o resto dos personagens retoma e nos faz lembrar o motivo de terem sido tão amados à sua época, e Walter - o novo Muppet - faz por merecer o fato de estar sendo incluído àquele grupo, por ser bondoso, energético e até humano (o que não é só bonito, mas também dá a deixa para uma das melhores piadas do filme).



Emocionante, inocente, engraçado e que não deixa de servir os valores, Os Muppets é um filme maravilhoso, sem dúvida alguma. Infelizmente, só o tempo dirá se eles serão bem-vindos pela geração atual, ou se servirá apenas para consolar adultos e adolescentes que, como eu, amaram Caco e sua turma até o final. E que não deixarão de amar nunca.

Nota: 10/10