terça-feira, 22 de novembro de 2011

Critica:A Saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 1




Olá! De novo, aqui é o Doki e estou aqui com a crítica do quarto e penúltimo filme da Saga Crepúsculo. E eu espero que tenha lido minha introdução à saga antes de ler essa crítica, já que vai ver lá muito da minha opinião.

Se você leu, viu que eu não gosto da saga. Acho que ela carrega consigo um grau de imbecilidade absurdo, o que pode ser facilmente verificado pela experiência em alguns passos abaixo:

Ingredientes:
- Um cronômetro
- Um ingresso para o filme Amanhecer

Como desenvolver a experiência:
A partir do momento em que aparecem os letreiros com o nome do filme, acione o cronômetro, e esperem o momento em que Jacob tira a camisa pela primeira vez no filme. Ao se deparar com a imagem de seu abdômen definido, pare o cronômetro.
Compartilhe com o blog nos comentários o número que apareceu lá!

Aqui deu 25,2 segundos. Ou seja. Nem um maldito minuto depois do início do filme já somos deparados com o maldito fanservice.

Mas o grande problema de Amanhecer não é esse.
O filme começa - obviamente depois do Jacob já ter tirado a camisa e saído correndo - com as preparações para o casamento entre Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson), a mortal e o imortal. E nessa preparação, o noivo revela à noiva que já havia sido um vampiro mau e monstruoso que assassinava seres humanos, mas isso não influencia na decisão da garota. Depois do casamento, eles vão para sua Lua de Mel na fictícia Ilha Esme, que fica perto da costa do Rio de Janeiro. Lá, eles ficam sozinhos, e podem fazer o que bem quiserem.



E é aqui em que as metáforas sexuais da série têm seu clímax (olha que termo apropriado hihihi). Porém Edward se ressente, já que, como é um vampiro e tem "instintos animais" (rawr), ele tem medo de perder o controle, machucá-la e até matá-la durante a relação sexual. Porém Bella faz de tudo para seduzi-lo, já que, tomada por desejos humanos e normais em garotas (sobretudo na idade dela), ela quer perder a virgindade com o amor de sua vida, com seu príncipe encantado.

Então eles têm sua relação sexual, o que Edward descreve como "A melhor noite da minha existência". Porém já viu. Não usou camisinha, não prestou atenção nas aulas de educação sexual? Engravidou.

Porém o fruto da mortal e do imortal não é um bebê normal. Ele se desenvolve absurdamente rápido, e começa a sugar a vida de Bella, matando-a aos poucos.

Enquanto isso, os colegas de Jacob da "tribo" dos lobos ficam inquietos com a notícia, já que um bebê 'mestiço' de vampiro com humano poderá se tornar uma criatura sedenta, incontrolável que colocaria todos em perigo. Vampiros, lobisomens e até os humanos. Então começa uma conspiração para que Bella seja assassinada. Mas claro que Jacob entra na frente e decide lutar por seu amor não-correspondido.



Exibindo uma sensibilidade que nenhum dos diretores havia apresentado à saga até agora, o diretor Bill Condon (responsável pelo ótimo Kinsey - Vamos falar de sexo) consegue conduzir o filme de forma regular, mesmo que lenta, e consegue criar uma atmosfera mais adequada, conseguindo passar ao espectador as emoções de seus personagens em planos adequados, mas exagera (de forma doentia, inclusive) ao preparar o público desde o começo do filme para a maldita cena da perda da virgindade, jogando e vomitando símbolos sexuais (aqueles mesmos que eu descreví na introdução) pelas telas, o que torna-se risível, desnecessário, tornando o filme ainda mais esticado e tedioso.

E é INCRÍVEL como TODAS as Crepusculetes descrevem Amanhecer como um filme "lindo". Depois da relação sexual, Bella acorda cheia dos hematomas, e o que não faltaram foram garotinhas suspirando, como se elas também quisessem um macho que brilhasse no sol e que batesse nelas durante a relação sexual. Ai, que lindo!
Mas lógico que a protagonista não se importa de sair machucada, afinal, é uma história machista (que se disfarça de romance), na qual a mulher pode apanhar e tudo bem.

Além de tudo, o roteiro de Melissa Rosenberg (que roteiriza todos os filmes da série) esquece aqui da maioria dos personagens que fez tanta questão de desenvolver no terceiro filme da série (Eclipse), somente tornando dois ou três de fato relevantes para a história.
Patético inclusive é como citam incessantemente o imprinting (uma "doença" dos lobisomens que faz com que, aleatoriamente, eles vejam uma pessoa também aleatória e se apaixonem de forma irreversível e doentia por ela), que é um conceito que fora apresentado também no terceiro filme, mas que aqui representa um papel importante para a história, e antes que isso aconteça, o roteiro insiste em martelar o imprinting no espectador, tornando previsível o fato de que algo importantíssimo envolvendo isso ia acontecer.

Mas claro que isso toma um tempo. Um tempo que parece um conjunto de diversas horas graças ao desenvolvimento lentíssimo da história.

As atuações continuam as mesmas de sempre. Teatrais, com pausas consideráveis entre um diálogo e outro e com a inexpressividade típica, com desconto à Kristen, que soa ligeiramente mais vívida aqui.

Pois é, nem tudo são trevas. Existem aspectos de Amanhecer que são dignos de elogios. A maquiagem, por exemplo, que até então variava de péssima a boa, aqui está - sem maldade - digna de Oscar. É impressionante como é bem representado o processo de emagrecimento e morte lenta da personagem principal enquanto o bebê a destrói por dentro. Impressionante MESMO, até nos detalhes, como os ossos que vão se sobressaindo à pele e os cabelos que vão perdendo a cor e o brilho, as olheiras e tudo. O que não deixa de ser um desperdício de técnica, prestar tais excelentes serviços em prol de uma película imbecil como Amanhecer.



Também preciso dar destaque à trilha sonora - o que nunca foi um problema para nenhum filme da saga. Aqui ela contribui diretamente à sensibilidade anteriormente citada de Bill Condon para a construção das emoções. E é perfeitamente balanceada, já que, mesmo tomada por músicas mais lentas (como a ótima It Will Rain de Bruno Mars), às vezes joga uma mais empolgante que, além de serem orgânicas à narrativa, ajudam a manter o espectador acordado (como I Didn't Mean It, da banda Belle Brigade).

Resumindo, Amanhecer representa uma ligeira evolução à série em alguns aspectos, mas jamais vai deixar se ser uma história idiota, repreensível e machista, que vai gerar fãs idem. Só falta um, e esperemos que essa onda de vampirinhos poetizados pare depois.

Nota: 4,5