quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Crítica: Embriagado de Amor (2002)

Primeiramente, olá a todos!
Meu nome é Luiz e farei parte aqui do blog. E servirei uma proposta um pouco diferente: Vou criticar e avaliar filmes que não são necessariamente recentes e que fogem um pouco do circuito mainstream. Vou criticar filmes mais desconhecidos e de outras indústrias, como o cinema oriental, europeu e etc.



Começo minha participação no blog com a crítica de Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love), de 2002, filme de drama e romance dirigido por Paul Thomas Anderson.

Logo no começo da película já somos apresentados à estética diferente do diretor Paul Thomas Anderson: A fotografia, num primeiro momento, soa estranha e diferente. A palheta de cores azuladas, a imagem opaca e os flares nos deixam com essa sensação de peculiaridade. Assim, somos apresentados a Barry Egan (Adam Sandler), sentado em uma mesa no canto de um escritório imenso e vazio, em um plano aberto que já nos mostra a natureza solitária daquela pessoa. Assim, logo ao sair para pegar um ar, já testemunha um acidente de carro, que mostra a natureza confusa e turbulenta da mente do personagem. E é nesse ritmo que Embriagado de Amor vai se desenvolvendo. Cheio de tais simbolismos, feitos com absurda competência pelo diretor, vai criando um estudo psicológico de personagem simplesmente fascinante.



Sob pressão constante das sete irmãs e de sua solidão, Barry é um sujeito amargurado, e o filme deixa em aberto se caso seu jeito estranho é fruto de alguma insanidade mental ou apenas de sua constante amargura e de seu sentimento de que está sozinho na vida. Para aplacar tal dor, ele liga para um Disque-Sexo, dando seu número de cartão de crédito, seu endereço e todas as suas informações, o que lhe gera conflitos posteriores, quando ele começa a ser chantageado e perseguido por uma quadrilha ligada ao Disque-Sexo que quer roubar-lhe dinheiro.



Enquanto isso, Barry encontra a música em sua vida (simbolizado por um pianinho no início do filme) quando conhece Lena (Emily Watson), amiga de uma de suas irmãs, uma mulher sensível, que se apaixonou pelo sujeito a primeira vista, e então começa a batalha contra seus perseguidores e uma caminhada em direção à felicidade mútua que há tempos havia sendo negada pelos dois membros do casal.

É fascinante ver como tudo no filme se encaixa. O filme tem um tom constantemente depressivo e agonizante, o que passa ao espectador a confusão e o desespero do personagem principal em ter que lidar com diversas complicações e com sua própria insegurança e baixa auto-estima (como atesta quando diz "Ás vezes eu não gosto de mim mesmo"), e a trilha sonora cacofônica e bizarra aumenta tal sensação de forma exímia.

E faço questão de apontar a qualidade da atuação de Adam Sandler aqui. Um ator de comédia péssimo que atingiu uma grande fama não sei por que, fazendo filmes medíocres como "A Herança de Mr. Deeds", "Little Nicky", "O Paizão", "Gente Grande", "Esposa de Mentirinha" entre outros aqui dá uma performance absurdamente realista, tornando o personagem complexo, coisa que só foi vista de novo em 2007 no excelente "Reine Sobre Mim". É uma pena que o ator não aprenda nunca e continue apostando em comédias formulaicas e péssimas.

O único problema de Embriagado de Amor é seu clímax, que, mesmo não sendo de todo ruim, é fraco e decepcionante, na falta de um conflito maior, mas não tira a grande beleza do filme.

Nota: 9,5