quarta-feira, 22 de junho de 2011

Critica:Tenebre

Quando o mestre do horror italiano Dario Argento realizou Tenebre, ele já havia feito pelo menos duas obras-primas: Profondo Rosso (ridiculamente traduzido no Brasil para Prelúdio Para Matar) e Suspiria. Seus filmes eram essencialmente atmosféricos, visuais, fato pelo quais muitos o criticavam pelos roteiros falhos, principalmente em Suspiria. O que essas pessoas não viam era que Argento era um estilista, com seus planos subjetivos, passeios de câmera, luzes e cores berrantes, muito sangue e guitarras rasgadas da banda Goblin, parceira usual do diretor.
Na trama, Peter Neal (Anthony Franciosa) é um escritor que vai divulgar seu novo livro, Tenebrae, em Roma, mas descobre que alguém está usando-o como inspiração para cometer assassinatos. Hoje, é algo já explorado em outros filmes, mas mesmo assim é um exemplo interessante de metalinguagem.

Tenebre traz todas as características de Argento em excelente forma. E mais, é um dos filmes melhor produzidos tecnicamente do diretor, algo muito superior ao visto em seus primeiros filmes como O Gato de Nove Caudas, que mesmo interessantes em alguns momentos, eram desengonçados na totalidade. Assim, Tenebre traz algumas das melhores pirações camerísticas do diretor, como um passeio pelo exterior de um prédio onde duas lésbicas serão assassinadas, e muita câmera subjetiva. E claro, tudo com o acompanhamento das guitarras já citadas anteriormente da Goblin, que possui um integrante brasileiro.

Argento também era criticado pelas suas escolhas de elenco. Certo, não podemos dizer que os atores de seus filmes eram Marlon Brando's ou Robert's de Niro, mas quando você vê a câmera dar a volta por cima de um prédio, pensando em como aquilo foi feito, ou cenas de tensão brilhantemente construídas, esses fatos são relevados, como também o é os pontos fracos no roteiro, que mesmo que não explique muito bem alguns fatos importantes para a trama, está longe de ser ruim, e possui uma interessante reviravolta no final.


Além do já citado passeio camerístico, outras cenas de destaque são as de morte, no tom certo para saciar o sádico que existe dentro de cada fã de Argento, incluindo a morte cinematográfica favorita do diretor e cinéfilo Quentin Tarantino; e as lembranças em tom onírico aparentemente desconexas da história, que no fim ganham um sentido e uma explicação. Há também um flashback revelador em que o assassino é descoberto que me lembrou o flashback de Profondo Rosso, no qual Marcus Daly (David Hemmings, uma exceção nas escolhas ruins do diretor) percebe o que ele havia visto na cena do crime e não lembrava.

 Tenebre é um prato cheio para quem gosta de filmes gore, thrash, exploitation, ou qualquer dessas coisas que não sei diferenciar. Na verdade, para qualquer um que goste de um bom filme de suspense, com cenas bem construídas, e não aquelas porcarias em que o assassino mata as vítimas do nada, sem preparação nenhuma na cena para isso. Só é preciso um estômago forte para aguentar ver coisas como um braço sendo cortado por um machado ou uma mulher levando uma facada no pescoço. E os detratores de Argento que continuem achando que são apenas baboseiras estilísticas e pretensiosas de um sádico. Não sabem o que estão perdendo.

Nota: 9.0