sábado, 26 de março de 2011

Critica:Sucker Punch Mundo Surreal





Zack Snyder é um diretor que até 2011 só havia dirigido filmes baseados em fontes da cultura pop já existentes (Madrugada dos Mortos é baseado no filme Despertar dos Mortos, Watchmen e 300 são baseados em quadrinhos). Sucker Punch é a 1a incursão do diretor em criação de histórias (o roteiro foi escrito por ele 10 anos atrás), e podemos perceber que o objetivo de Zack Snyder não era criar um filme com um roteiro incrível. E sim, criar uma experiência audiovisual incrível.

Para quem quer ter uma noção do que é Sucker Punch, o que é a experiência de se assistir Sucker Punch, eu posso resumir da seguinte forma:Imagine um musical. Retire as músicas cantadas pelos atores (porém mantenha-as no fundo), e adicione ali cenas de ação. Mas não me refiro a simples cenas de ação, mas cenas de ação que mexam com o imaginário pop. Assim, temos cenas de ação que envolvem:Zumbis nazistas, orcs, dragões, samurais, cabarés.

Se fosse para se comparar Sucker Punch com alguns filmes, estes seriam Moulin Rouge e Interstella 5555. Por isso sim, espere muitos exageros visuais (tem alguns elementos vintage no filme, mas é mais voltado para o lado "pimp"), e também espere por um filme que está mais interessado em mostrar do que em contar.

Quando assisti o filme em 2011, fiquei um pouco decepcionado admito. Esperava sim, por um visual incrível, mas também esperava por um roteiro incrível. Quase como um Watchmen, só que claro mais divertido. Porém, se pararmos pra pensar atenção, Sucker Punch nunca se propôs a isso. E sim a dar uma experiência incrível no cinema.

Mais especificamente:Uma experiência audiovisual do cacete.

















O filme conta a história de Babydoll (Emily Browning), que é posta num manicômio por seu padrasto. A menina tem 5 dias para fugir de lá, senão será lobotomizada. Assim, Babydoll planeja sua fuga com mais 4 colegas. Essa é a trama do filme, porém é preciso perceber que toda vez que Babydoll e as garotas executam uma parte do plano, o que vem a seguir é da imaginação. Algo como "Quando a realidade é sem graça e triste, crie uma a seu gosto". Por isso, vemos tudo na mente de Babydoll de formas surtadas e extremamente pop.

Assim, nos segmentos que são imaginação da personagem, temos praticamente toda a jornada do herói dentro da trama. Temos o guia (como um Obi Wan Kenobi), temos a fatalidade, temos a escolha, a revelação. O roteiro não tem nada que você já não tenha visto antes.
Porém, se analisarmos cada um dos segmentos que se passam dentro da cabeça de Babydoll, temos uma experiência bastante empolgante. Cada uma das sequências com uma trilha sonora incrível (Led Zeppelin, Pixies, Queen, Bjork), todas com efeitos especiais de última geração, tudo muito bem montado e muito bem coreografado (afinal, o filme funciona como um musical).

É interessante percebermos também que além de estarmos entrando dentro da cabeça de Babydoll, também estamos entrando na cabeça de Zack Snyder. Diretor que consome muita cultura pop diariamente, e que transborda tudo isso em seus filmes. As vezes de forma mais ambiciosa (Watchmen por exemplo, que tinha toda uma preocupação política), ou as vezes de forma mais descompromissada (300, que tem um pouco de história da antiguidade).





Ou então, de maneira divertida e empolgante. Como é o caso de Sucker Punch, que é um colírio para os olhos nerds. Quase como um Magic Mike para nerds, pois temos mulheres extremamente sensuais com roupas fetiches (Babydoll então, é praticamente a tara dos japoneses) em situações que os nerds só viam em videogames por exemplo.

Em muitos momentos parece que estamos dentro de uma fase de Final Fantasy, ou então de um Left 4 Dead. Essa variedade de estilos torna a experiência de Sucker Punch mais interessante, e mais rica. Esse é o grande diferencial do filme:Tantos estilos culminando em uma só produção.

O elenco do filme é bastante competente. Todos desempenham bem suas funções, cada um dando o máximo de si. O grande problema é:Muitas vezes os personagens não tem um tempo de tela relevante. O personagem que mais sofre com isso é High Roller (Jon Hamm). O personagem interpretado pelo protagonista da série Mad Men, tinha que ser a grande ameaça do filme. Ele é o homem que irá lobotomizar Babydoll. Porém é reduzido a apenas uma cena.

 Parece que Zack Snyder cortou o filme, e deixou tudo para a versão do diretor. Por que isso? Eu realmente me pergunto. O filme com o extended cut é muito melhor do que a versão de cinema. Os personagens são muito mais bem desenvolvidos. Sim, não é só High Roller (Jon Hamm) que sofre com tempo de tela curto. Algumas das meninas não dizem para o que vieram.

A personagem de Vanessa Hudgens por exemplo. Tem uma reviravolta no final, conduzida por ela, e mesmo assim a personagem se limita a ser a um simples rostinho bonito. Temos até mesmo cenas no extended cut que valorizavam mais ainda o belo corpo da atriz. Por que tirar todas essas cenas? Eu não sei.


É interessante notar também, que parece que Zack Snyder questiona muitas vezes seu conhecimento de cultura pop. Pois a imaginação de Babydoll é usada como uma distração para os vilões, para que assim as heroínas possam seguir em frente, e seguir sua nova realidade, não a que estão fantasiando mas sim:Fora dali.

Sucker Punch é um bom filme Tem imperfeições, tem um roteiro simples (eu não acho que tenha nem 20 páginas), tem a jornada do herói escancarada. Porém é uma experiência audiovisual impressionante, é um filme que valia a pena ser visto na tela do cinema.

Agora que ele já saiu de cartaz, minha dica é:Assista em blu ray, com o home theater no máximo. E você assim perceberá que Sucker Punch não é um filme medíocre como todos dizem.

Nota: 7,5