sexta-feira, 4 de março de 2011

Critica: Scott Pilgrim Contra o Mundo



















































Scott Pilgrim Contra o Mundo é um filme baseado no quadrinho de Bryan Lee O Maley, dirigido por Edgar Wright. Após assistir ao filme uma grande dúvida me veio na cabeça:Por que foi um fracasso de bilheteria? Sim, uma obra prima como Scott Pilgrim não foi bem nas bilheterias norte-americanas. Mesmo com sua grande campanha de marketing, videos promocionais, quadrinhos, bonecos, o filme não vingou. Detalhe:A crítica adorou o filme(81% de aprovação no site Rotten Tomatoes).

Por isso vem a dúvida, por que filmes estúpidos como Transformers (o terceiro filme da franquia é um dos 10 filmes com maior bilheteria da história) tem uma bilheteria tão alta, e filmes fantásticos como Scott Pilgrim tem uma bilheteria tão fraca? Este post tentará não abordar isso, e sim o quão bom é Scott Pilgrim. Mas prometo que responderei a pergunta no fim do post.

Scott Pilgrim se passa na misteriosa cidade de Toronto, no Canada (assistam ao filme para pegar a brincadeira). Aonde um jovem de 22 anos, chamado Scott Pilgrim (Michael Cera, o Evan do fantástico Superbad) está namorando uma colegial chamada Knieves Chau (Ellen Wong). Scott não ama Knieves, mas acha extremamente confortável ter uma namoradinha (que o ama e o idolatra) na qual não tem que se preocupar muito. Afinal, Scott levou um fora de Envy(Brie Larson), que agora é vocalista da banda Clash at Demonhead (sim, tem um jogo com este nome). Scott segue sua vida namorando a colegial, tocando baixo com sua banda (Sex Bomb Omb), e vivendo com seu amigo gay Wallace (Kieran Kulkin sensacional). Até que conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead). Uma americana que pinta os cabelos a cada 3 semanas, que faz com que Scott se apaixone. Porém para que Scott fique com Ramona, ele tem que enfrentar seus ex namorados malignos.




























A trama é basicamente esta. Porém não se engane:É um filme excelente. Scott Pilgrim consegue ser um retrato absurdamente realista das Gerações X e Y. Gerações que são caracterizadas pelo tédio, e pela falta de surpresas. Veja por exemplo a adolescente Knieves:Pertecente a geração Y, a adolescente pensa que os amigos de Scott (que são da geração X, ou seja a geração tédio) são as pessoas mais legais do mundo. Enquanto que na verdade são um jovens recem adultos (22 anos a média deles, incluindo o próprio Scott) que ainda não conseguem ter atitudes de adultos. E que frequentam festas, compram cds, fazem bandas para acabar com o tédio que possuem.

Se você não quer prestar atenção nesta forte análise das Gerações, Scott Pilgrim ainda é um filme para você. Pois é um dos filmes com mais efeitos especiais, referências a cultura pop, gags (piadinhas), já feitos.
Veja por exemplo o inicio do filme. A 1a coisa que surge em um filme é o logo do estúdio (Warner, Paramount, Fox). No caso de Scott Pilgrim Universal, mas com uma pequena diferença:O logo do filme surge em forma de 8 bits!

Ou então a trilha sonora do filme, que possui músicas de Zelda, Mario, clássicos da Nintendo. Para nenhum gamer botar defeito.


























Além das fantásticas referências a cultura pop. Veja por exemplo a camiseta dos personagens:Há simbolos de jogos, de quadrinhos (a camiseta do quarteto fantástico que Scott veste em determinado momento), de séries (em determinado momento a música tema da série Seinfeld é tocada), filmes (espada Hattori Hanzo). Além de coisinhas que só nerds irão entender ("Você sabia que o joco de pac man, originalmente se chamava Paku-Paku?" diz o protagonista em determinado momento). Além de referências um pouco mais sutis (a banda CLash at Demonhead lembra um tanto White Stripes não?).

Pois Scott Pilgrim é acima de tudo um filme nerd. Mostrando como um nerd de verdade é. Não o esteriótipo que filmes e séries (The Big Bang Theory estou falando com você) insistem em botar (magrelo evergonhado, que nunca pegou mulher na vida, cheio de espinhas). O próprio Scott Pilgrim é um nerd. E é o melhor lutador de Toronto, ficou com diversas mulheres (Kim Pine, Knieves Chau, Envy Adams, Ramona Flowers), é baixista de uma banda. E este mesmo cara joga Mario Kart, sabe o que é a força (Star Wars para os burros, digo leigos), é leitor de hqs (camiseta do quarteto fantástico).


























Scott Pilgrim também é um filme sobre amor. Não como filmes melodramáticos, onde o casal fica horas chorando e se abraçando na chuva ). É um filme que mostra o quanto uma paixão pode significar para a vida de alguém. Fazendo a pessoa superar limites, passar vergonha, suar a camisa. No caso de Scott Pilgrim, superar os 7 ex namorados malignos de Ramona.

Isso é outra coisa genial sobre Scott Pilgrim. A estrutura do filme é idêntica com a de um videogame. Há as fases (cada ex namorado que Scott tem que enfrentar), há o guia que ajuda Scott com conselhos (Wallace o amigo gay), há o prêmio que o herói busca (no caso de Mario a princesa Peach, Link sua Zelda, Scott sua Ramona). Apesar de em alguns momentos a realidade ficar um tanto estranha (uma vida aparece para Scott se recuperar em determinado momento). E isso não é problema algum!
























Se há um problema que eu possa citar do filme, é a falta do ponto de vista dos personagens coadjuvantes. No hq tinhamos a perspectiva de Kim, de Wallace até mesmo de Ramona. O que acontece no filme somente em um momento cômico (Knieves pintando o cabelo). O foco do filme é a perspectiva de Scott. Por isso recomendo aos leitores, a comprarem o quadrinho (tão bom quanto o filme).

Um filme com tantos elogios, tanta coisa que eu poderia falar, tanta coisa que fez com que eu quisesse aplaudir enquanto assistia e que não foi um sucesso comercial. Por que isso? A resposta é bem simples. Porque o público de hoje não quer ver filmes inteligentes como Scott Pilgrim. Buscando filmes com enredos estupidos, e rostos bonitos (Transformers e Crepusculo). Não importa quanto de dinheiro estes façam, não chegam a 1% do quão bom (ou fodástico) é Scott Pilgrim. Que merecia um level up nas bilheterias, mas que ainda bem possui vidas de sobra para encantar gerações futuras.
Nota:10